sexta-feira, 12 de junho de 2020

É melhor perder um dos teus membros, do que todo o teu corpo ir para o inferno

Como entrar no Reino de Deus | Fábio K. Guimarães

Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 5,27-32




Disse Jesus aos seus discípulos: 

27 Ouvistes o que foi dito: 'Não cometerás adultério'. 28 Eu, porém, vos digo: Todo aquele que olhar para uma mulher, com o desejo de possuí-la, já cometeu adultério com ela no seu coração. 

29 Se o teu olho direito é para ti ocasião de pecado, arranca-o e joga-o para longe de ti! De fato, é melhor perder um de teus membros, do que todo o teu corpo ser jogado no inferno. 

30 Se a tua mão direita é para ti ocasião de pecado, corta-a e joga-a para longe de ti!  De fato, é melhor perder um dos teus membros, do que todo o teu corpo ir para o inferno.

3l Foi dito também: 'Quem se divorciar de sua mulher, dê-lhe uma certidão de divórcio'. 32 Eu, porém, vos digo: Todo aquele que se divorcia de sua mulher, a não ser por motivo de união irregular, faz com que ela se torne adúltera; e quem se casa com a mulher divorciada comete adultério.

Palavra da Salvação.

Reflexão.

Olá. Diane de nós um texto complexo e de difícil compreensão. Ele foi dito num tempo onde as relações sociais em relação a mulher eram de dominação. De exploração. O homem tinha a propriedade do corpo de mulher. Tinha o direito de dispor sobre a vida dela. Lembremos que José pensou em abandonar Maria em segredo, pois sabia qual seria a pena dela, grávida, caso ele torna-se público que esse filho não era dele.

Entretanto, Jesus fala do olho, da mão, e do divórcio. 

Como eu tenho comentado, é preciso ressignificar as palavras e ações de hoje. Devemos atualizar o que ele disse. Isso não significa afrouxar a palavra de Deus. Mas, entendê-la a partir de nossa realidade.

O texto inicia-se falando do adultério. Normalmente, associamos adultério ao ato sexual propriamente dito. Jesus dá um novo significado. Adulterar não está somente no ato. Adulterar está na vontade. No querer. No desejar no coração. Jesus mostra que o pecado do adultério é consentido na votade. Portanto, olhar para uma mulher com o desejo de possuí-la já é um ato de adultério. O outro, no caso do texto, a mulher (mas poderíamos dizer que a mulher em relação ao homem) não é um objeto a ser usado ao bel prazer do homem. Seu corpo, sua vida, suas vontades devem ser respeitadas. E a atitude de respeito é uma atitude interna.

Associado ao adultério, temos o tema do divórcio. Tema atual em nossa sociedade. E muito presente e recorrente em nossa sociedade. O divórcio é tido como o "fim do amor", "você mudou", e por aí vai. 
Se ficarmos presos ao texto da lei, de forma fundamentalista, colocaremos no inferno muitas irmãs e irmãos que convivem conosco em nossas paróquias, em nossos grupo pastorais. Que se relacionam conosco. Que são pais ou mães de jovens que gostamos muito. Não fiquemos presos ao fundamentalismo da palavra.
Na época de Jesus era comum casar-se e separar-se pelo divórcio. O divórcio significava dizer que não havia mais qualquer tipo de relação com a pessoa divorciada. E, para piorar a situação, somente o homem poderia pedir o divórcio, numa relação de humilhação da mulher. Por exemplo, um casal que não tivesse filhos, a mulher era a culpada. Então a lei permitia que o marido pedisse divórcio. 
Jesus, ao proibir o divórcio, em seu tempo, estava protegendo a mulher. Dando a ela a dignidade de filha de Deus. 
Em nossos dias, esse tema é recorrente. As formas sociais de relacionamento mudaram. A mulher tem sua independência. Ela, por si mesma, consegue sobreviver. O divórcio continua sendo um ato violento contra as pessoas envolvidas, pois ele envolve uma história iniciada em algum momento entre duas pessoas. Uma "aposta" na construção de uma vida conjunta a dois (depois o acréscimo dos filhos/filhas). Divorcia-se é um trauma. 
Entretanto, Jesus diz que a carta de divórcio pode ser dada por motivos justos, mas não diz quais são esses motivos (seria necessário uma exegese maior do texto para uma explicação mais aprofundada). Mas, vemos muitas mulheres sendo agredidas pelos seus companheiros, maridos. Mulheres, em pleno século XXI, sendo submetidas pelos seus companheiros a situações humilhantes. Mulheres que veem seus filhos sendo maltratados pelos seus companheiros. Casos onde, para nós, a separação, o divórcio, não pode ser desconsiderado. 

Outro dois pontos, a mão e os olhos. Percebemos que olhar está relacionado com a vontade. E a mão, com o suprimir, ou agredir alguém. Vemos muitos atos de corrupção. São mãos que roubam dinheiro público. São mãos que agridem. São mãos que batem nas mulheres, nos filhos. São mãos que suprimem o que é necessário para a vida do outro. 
Os olhos. Diz um ditado que os olhos são o espelho da alma. Olhos tristes. Olhos alegres. Olhos cobiçosos, olhos medrosos. Olhos acolhedores. Quantas vezes, as pessoas fitaram Jesus e encontraram ali descanso, repouso, perdão, acolhimento. Quantas vezes os olhos de Jesus colocaram na convivência social os que foram afastados pela "doutrina", pela "lei", pela rigorismo da religião que discriminava.

Não estamos diante de um texto que nos diga como devemos agir moralmente apenas. Mas um texto que nos ensina como é a justiça de Deus para conosco. Uma justiça que não cobiça, que não escraviza, que não discrimina, que não rouba, que não se divorcia de seu povo, que não comete adultério com a aliança feita com o seu povo. 

Um texto polêmico. Um texto que não pode ser lido com os olhos fundamentalista. Um texto que nos ajuda a nos ressignificarmos em nossos tempos.

Deus nos abençoe. E tenha piedade de nós.

quinta-feira, 11 de junho de 2020

"Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca do Senhor."

Crítica | A Paixão de Cristo (2004)Evangelho de Jesus Cristo segundo João 6,51-58 

("meu corpo é comida, meu sangue é bebida")


Naquele tempo: disse Jesus às multidões dos judeus: 51'Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo'. 52 Os judeus discutiam entre si, dizendo: 'Como é que ele pode dar a sua carne a comer?' 53 Então Jesus disse: 'Em verdade, em verdade vos digo, se não comerdes a carne do Filho do Homem
e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. 54 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. 55 Porque a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue, verdadeira bebida. 56 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue
permanece em mim e eu nele. 57 Como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo por causa do Pai, assim o que me come viverá por causa de mim. 58 Este é o pão que desceu do céu. Não é como aquele que os vossos pais comeram. Eles morreram. Aquele que come este pão viverá para sempre.'

Palavra da Salvação.

Reflexão

Celebração da Solenidade do Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Num determinado comentário, eu ouvi o pregador dizendo que a celebração de hoje se une à Quinta-feira Santa. Entretanto, a leitura do evangelho de hoje não faz menção a ceia pascal. 

O marca a leitura de hoje é Jesus dizer que seu corpo é comida, e seu sangue é bebida. Um linguagem simbólica, claro. Espero que você compreenda isso.  A catequese de Jesus é um ressignificar das práticas religiosas de seu tempo, e nos ensina que, em cada tempo histórico, devemos nós fazermos a releitura do mistério da sua vida, atualizar.

A celebração pascal tinha na refeição seu ponto central. Ervas amargas, pão sem fermento, carne. Tudo isso, revestido com as roupas de fuga, com as vestimentas de quem vai ter que sair correndo ainda durante a noite. 

Observemos que João destaca que Jesus se dirige a multidão dos judeus, e não aos seus discípulos, ou ao povo em geral. Essa é uma referência importante. Pois as palavras que Jesus falava estavam relacionadas diretamente com as práticas judaicas da páscoa.

Ao dizer que esse é o pão vivo descido dos céus, ele faz referência ao maná, com o qual Deus alimentava o povo no deserto toda manhã. E cada um tinha a porção necessária para aquele dia, não havia acúmulo. O maná não podia ser guardado. 

Jesus diz que sua carne é comida e seu sangue é bebida. O que significa isso? Jamais comeríamos a carne do Senhor em sua composição humana. E não beberíamos o sangue físico. Mas ele quer nos dizer que devemos ser um com ele através da imitação daquilo que ele fez. É dar-se. É consumir-se pela implantação do Reino de Deus no meio de nós. É viver fazendo o bem. É acolhendo a todas e a todos. Sem discriminação, sem racismo, sem violência contra os mais fracos. Não revidando as agressões sofridas. Sendo manso e humilde de coração. Procurando a Verdade. Buscando as ovelhas perdidas. Recolocá-las no redil. Ser misericordiosos. Sofrer as dores do mundo. Não de associar aos que matam, aos que destroem a natureza, aos que, pela corrupção, impedem que os pobres tenham saúde, educação, saneamento, transporte digno, momentos de lazer, estudo. 
Comer a carne, e beber o sangue é assumir a rejeição dos que são contrários a proposta de igualdade entre as pessoas, entre os irmãos.

A celebração de hoje não é para nos imobilizar diante do ostensório. A celebração de hoje não é para nos congelar dentro de templos. A celebração de hoje não para me fechar em fundamentalismos, em ritualísticas, em pompas e circunstâncias. A celebração de hoje é para nos impulsionarmos a aproveitar o momento de reclusão social (por conta do coronavírus) a nos dedicarmos a leitura e meditação da palavra de Deus, e fazermos bons propósitos para quando a vida puder ser vivida fora de nossos templos familiares.

"Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra da boca de Deus" (primeira leitura, Dt 8,3). O alimento sustenta o corpo, a palavra sustenta a vida, dá ânimo. Não podemos ficar somente no alimento físico. É preciso nos alimentarmos da Palavra de Deus.

Na celebração do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo, busquemos nos alimentar da palavra de Deus, proclamada e meditada todos os dias. É tempo de ressignificar a celebração de hoje.

quarta-feira, 10 de junho de 2020

"Mandamentos, Quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus"


Conheça a história, as obras sociais e os milagres de Irmã Dulce ...

Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 5,17-19




Disse Jesus aos seus discípulos: 17 Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. 18 Em verdade, eu vos digo: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo se cumpra. l9 Portanto, quem desobedecer a um só destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus.

Palavra da Salvação.

Reflexão

Estamos caminhando na catequese de Jesus.
Nosso texto de hoje apresenta uma questão importante na vida do cristão, na vida da Igreja, na vida em sociedade. Se olharmos para ele de forma superficial, ficaremos presos nos fundamentalismos modernos, no moralismo que exclui, nos atos de exclusão, nas discriminações.
Antes de mais nada, é preciso recordarmo que Mateus escreve para os judeus, para a comunidade judaica que se convertera, ou que ainda buscava conhecer Jesus. Para os judeus, a lei, e a lei mosaica, era o centro de sua vida religiosa. E isso tinha implicações no dia-a-dia das pessoas.
Mateus não enxerga Jesus como um reformador da lei. Mas, o como quem dá novo sentido a uma religião que aprisionava as pessoas; que as afastava de Deus; que era meramente ritualística. Por isso, o próprio evangelista vai narrar a palavra em que para se receber esse novo vinho é preciso ter odres, ou barris, novos. 
Como eu havia escrito no domingo passado (https://diaconogayoso.blogspot.com/2020/06/deus-enviou-o-seu-filho-ao-mundo-para.html), a Trindade decide pela encarnação da Segunda Pessoa para a salvação da humanidade. Então, Jesus, na visão de Mateus, não vem reformar, mas vem mostrar e viver aquilo que Deus já havia revelado na Lei dada por Moisés, e predito pelo Profetas. A passagem da Transfiguração (Mt 17,1ss) corrobora essa palavra de Jesus de não modificar. 
Ser discípulo de Jesus é viver com amor, com a vida, com palavras e ações aquilo que vamos aprendendo nesse período do Tempo Comum ouvindo a catequese de Jesus. Todo/toda aquele/aquela que "ouve essas minhas palavras e as põem em prática, é semelhante a um homem prudente..." (Mt 7,24). Lembra-se?!
Por isso, somos convocados a não descumprir um desses mandamentos. E, qual é o maior mandamento? Mateus (22,37-40) relata o episódio em que Jesus diz qual o mandamento que motivou toda Lei, e os Profetas, ele diz, o maior de mandamento é "Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento". Mas a lei não é individual. Ela gera um compromisso social. E por isso Jesus acrescenta, "O segundo lhe é semelhante, Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Toda a Lei e os Profetas dependem desses dois mandamento".

Jesus deixou esse legado, amar a Deus, amar o próximo. E nisso se resume tudo. E quem ama. não discrimina, não faz acepção de pessoas pela cor da pele, pela orientação sexual. Quem ama não destrói a Casa Comum, o meio ambiente, a natureza. Quem ama ouve, junto com Deus, o clamor dos excluídos e trabalha para a sua libertação.
Evangelização Espírita Infantil: Aula - Amor ao Próximo

terça-feira, 9 de junho de 2020

Brilhe a vossa luz

Padre José de Anchieta será canonizado em abril | Portal Jesuítas ...

Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 5,13-16

Memória de São José de Anchieta


Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 

13 Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens.

14 Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. 

15 Ninguém acende uma lâmpada, e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim, num candeeiro, onde brilha para todos que estão na casa. 

16  Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus.

Palavra da Salvação.

Reflexão.

Continuamos a catequese de Jesus nesse tempo Comum. Tempo de caminharmos junto com Ele.


Jesus diz aos seus discípulos que somos sal e luz. Dois elementos que fazem parte do nosso dia-a-dia.


Sal é sabor. E é interessante. Se colocado demais, não conseguimos comer. Se colocado de menos, o alimento fica insosso, sem graça. O sal deve ser usado na medida certa, com equilíbrio. 

Entretanto, a percepção do sal varia de pessoa para pessoa. Aquilo que está na medida para alguns, para outros é necessário colocar mais sal. Usar o sal é uma arte. Mas, é conhecer o outro para saber qual a medida do sal que ele/ela precisa.

A luz é fundamental para podermos observar o mundo. O que vemos, o vemos porque o espectro luminoso faz com que os contornos dos objetos se formem em nossa retina e envie uma mensagem ao cérebro para formar a imagem. Sem luz não há forma visível. 

A luz incide sobre um objeto por vários ângulos. Ela não é direcionada. A luz se espalha. Caminha a uma velocidade fantástica, 300 mil quilômetros por segundo. Você consegue imaginar o que seja um segundo? É o tempo que você gasta para falar "mil e um".
A luz realça as cores. Sem a luz, não conheceríamos o arco-iris, símbolo da aliança de Deus com a humanidade. 

Jesus nos diz que somos sal e luz. Somos sal porque nossa vida deve dar sabor a vida dos outros. "A quem iremos Senhor só tu tens palavras de vida eterna", disse Pedro a Jesus quando alguns discípulos começaram a se afastar de Jesus, e este lhes perguntou se queriam ir embora também. As "palavras de vida eterna" foram o sabor novo que os discípulos precisavam.


Como sal, devemos saber a medida certa de como dar sabor a vida dos que estão ao nosso redor.
Como sal, devemos saber a medida certa de como pregar a Palavra de Deus. 
A palavra de Deus traz sabor. Ela não é acusativa. Não é condenatória. 
A palavra de Deus é Libertadora. Traz um jeito novo de ser. Transforma as relações sociais. Insere na comunidade os que estão dispersos, ou afastados. Ela é sal. E nós devemos ser esse sal. Não devemos ser cansativos, moralistas, racistas, misógenos. Não devemos apoiar a destruição da natureza. Ser sal é dar sabor a todas as coisas. No livro do Apocalipse, 21,5, Jesus diz: "Eis que faço nova todas as coisas". Eis que dou sabor novo. Eis que salgado na medida certa.

Jesus nos lembra que somos luz. E para que somos luz? O somos para que os que estão afastados de Deus possam ver o contorno do criador em nós. Somo luz para que as cores da vida nova, da sociedade nova, da nova humanidade possam transparecer a todas e a todos. Nossa luz não pode ficar escondida. Nossa luz não pode se restringir aos templos religiosos. Nossa luz não pode ficar apenas nos grupo da Igreja. Não somos luz apenas dentro da Igreja, dentro das pastorais, dentro de nossos grupos. A luz não tem direção. A luz irradia para todos os lados. A luz se dispersa, se dissipa. Basta uma vela para que a escuridão do quarto se desfaça. 

Luz muito forte, ofusca a visão das coisas. Luz muito fraca dificulta ver e compreender. Tal como o sal, precisamos de luz na medida certa. 

Quando, então, descobrirmos a medida certa do sal e da luz, nossas boas obras aparecem. Se tornam visíveis e saborosas. E é isso que devemos ser, portadores e portadoras dessa luminosidade salgada na vida da sociedade, da humanidade. Uma lâmpada que não emite luz, e um sal que perde o sabor são jogados fora.


Hoje celebramos São José Anchieta. 

Feita a experiência de Deus em sua vida, ele assumiu ser sal e luz na vida dos indígenas brasileiros que eram perseguidos, mortos, escravizados em seu tempo. 
Nos dias atuais, temos vários grupos sociais que passam a mesma situação. Sejamos sal e luz na vida deles e delas. 
São José Anchieta foi jesuíta. Fez os Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola. Segue a oração de Santo Inácio, feita ao fim dos 30 dias dos Exercícios, e a oração a São José de Anchieta.
Orações de Santo Inácio de Loyola - Devoção e Fé - Blog CatólicoReze a oração a São José Anchieta - A12.com

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Vendo as multidões Jesus começou a ensiná-los.

O Sermão da Montanha (versão para educadores) | TRAMPOLIM - É ...

Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 5,1-12a




1 Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, 2 e Jesus começou a ensiná-los: 

3'Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.

4 Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados.

5 Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra.

6 Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.

7 Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.

8 Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. 

9 Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.

10 Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça,porque deles é o Reino dos Céus.

11 Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim.

12a Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus. 

Palavra da Salvação.

Reflexão

Voltamos ao tempo litúrgico chamado Tempo Comum, É o tempo que caminhamos Jesus. Ouvimos sua palavra. Aprendemos como deve ser formada a nova humanidade, a nova sociedade, a nova civilização, a Civilização do Amor.
Para Santo Inácio de Loyola é a segunda semana dos Exercícios Espirituais. 

O texto de hoje, tirado do evangelho de Mateus, é o início da catequese da Jesus. Ele abre sua catequese nos apresentando como são acolhidas e acolhidos aqueles que buscam construir um novo mundo. Um novo jeito de ser. 

São nove pontos. Jesus busca ter uma palavra para cada uma das pessoas, ou conjunto de pessoas, ou grupo de pessoas que buscam uma vivência mais profunda da experiência religiosa que fazemos. 

Destaco que essa catequeses se dá logo após o Batismo, a Tentação, a morte de João Batista. Do capítulo cinco até o sete ele vai instruir aqueles que lhe procuram para o escutar.

Como disse anteriormente, são nove pontos, podendo tender a dez. Dentre eles, dois, em especial, falam de quem é Reino dos Céus. Esse reino está reservado a dois grupos, aos pobres (em espírito), e aos perseguidos por causa da justiça. 

Jesus viveu a experiência da pobreza. A teologia nos ensina que ele veio de uma família pobre. Por isso é da Galileia. E mais ainda, de Cafarnaum. Um vilarejo distante de Jerusalém. Um vilarejo que fazia fronteira com a Samaria.

Para o judeu, a riqueza era considerada bênção de Deus. Por isso, os pobres eram vistos como des-graçados. Os doentes também. Cegos, aleijados, coxos, paralíticos, surdos, epiléticos todos eram rejeitados porque se achava que Deus os havia deixado de lado por causa do seu pecado que era visível pela doença. Então, é para esses que o Reino dos Céus está aberto. São estes que entrarão no Reino dos Céus. O Reino dos Céus não foi feito para santos. Mas, para aqueles que são rejeitados pela sociedade, pelos "homens bons", pelos doutores da lei, pelos sacerdotes, pelo Templo. Em nosso tempo, vemos pessoas assim. Negros, mulheres, indígenas, homossexuais. Além disso, a própria natureza quando é agredida. 

O outro grupo que herdará o Reino dos Céus são os "perseguidos por causa da justiça". E aqui, não é meramente a justiça civil. Mas a justiça divina. E essa inclui a todas e a todos os pobres, os que sofrem racismo, os que são perseguidos por causa da sua orientação sexual, as mulheres que sofrem violência. Os indígenas que tem suas terras roubadas e sua cultura rejeitada. Todas e todos que lutam para que haja justiça, e são perseguidos, esses herdarão o Reino dos Céus.

Por outro lado, Jesus afirma que os aflitos, e quantas pessoas conhecemos que são aflitas? Os aflitos com as situações de injustiça, com a situação de corrupção, com a situação de falta de hospitais, de escola, de cultura. Os aflitos por não se ter um salário digno, um aposentadoria decente, uma local para moradia digna, saneamento básico, esses aflitos serão consolados. Alguns podem estranhar, mas Jesus fala dessas aflições também. Pois, não podemos dissociar essas aflições do Reino dos Céus. 

Em seguida, Ele nos fala dos mansos. Quem são os mansos? Mansos não são bobos. Mansos são todos aqueles conseguem enxergar a realidade sofredora do povo e buscar uma solução pacífica, pois todos aqueles que usam da espada, pela espada perecerão, disse Jesus a Pedro.

Depois ele acrescenta, "bem aventurados os que tem fome e sede de justiça, serão saciados". Lutar pela justiça. Desejar a justiça como se fosse a vontade de beber água, ou saciar a fome, é uma características daqueles que buscam um vida nova em Deus, por Jesus, no Espírito Santo.

E na continuidade de sua catequese, Jesus fala dos "misericordiosos". Aqueles que se compadecem das dores dos outros. Daqueles que estão ao lado dos injustiçados, dos perseguidos. Ser misericordioso é caminhar com os que buscam um salário digno. Com os idosos que recebem uma aposentadoria que lhes obriga a buscarem trabalho depois de anos de vida laborial.

Ainda os "puros de coração". Quem são? Ser puro de coração não é acreditar em tudo, nem em todos. Os puros de coração buscam compreender as dores, as aflições das pessoas. A pureza de coração nos coloca juntos com o coração de Deus.

Já os que "promovem a paz" são chamados de Filhos de Deus. "Deus é amor". Deus é paz. Deus é fonte de vida. Todas e todos que trabalham pela paz, são filhos de Deus, pois aprendem dele a serem pacíficos. Jesus falou, "eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz, não como o mundo a dá". A paz de Jesus é a paz que temos quando estamos lutamos aos lado dos perseguidos, dos despossuídos.

Queres ser construtor de uma nova humanidade? Queres seu um missionário/missionária da nova sociedade? Queres viver de um novo jeito? Busque viver as Bem Aventuranças. Aprendamos a seguir esse caminho.


domingo, 7 de junho de 2020

Unidade pelo Amor

Santíssima Trindade 

Unidade pelo Amor
Diácono Bernardo Tura(*)

Neste domingo celebramos a Santíssima Trindade. O mistério de Um só Deus em três pessoas só pode ser explicado se entendermos que a chave desta Unidade é o Amor e, por consequência, escolhermos levar uma vida em que o amor nos leve a ser uma única comunidade.

Na primeira leitura, Moisés conversa com Deus pouco antes de receber as tábuas da lei e pede que Ele siga com o povo que é cabeça dura, pedindo o perdão pelas suas faltas. Moisés sabe que Deus é rico em bondade e será paciente com as faltas humanas. 

Na segunda leitura, Paulo fala em uma comunidade que deseja viver em paz e com amor e no amor com Deus no meio deles. É interessante, pois a Santíssima Trindade é um modelo deste tipo de relação, que só pode ser vivida sob ação do Espírito Santo

No Evangelho, temos a manifestação da essência maior da Trindade. O Pai ama o mundo e por amar o mundo manda seu Filho ao mundo, não para ser um juiz ou para ser um carrasco mas para, por amor, salvá-lo. A vinda do Filho é a resposta suprema a Moisés. Sim, Ele é Deus que caminha no meio de nós. O Emanuel, não é aquele que fica acima e isolado de nós! Jesus está no meio de todos para nos salvar pelo amor!

Quanto a nós, vamos sair no mundo – ficando em casa nesse momento – para criar e recriar comunidades centradas no amor e na solidariedade e, em especial, olhar para os nossos irmãos e irmãs que vivem nas periferias existenciais e sociais, pois assim estaremos contribuindo com a tarefa do Filho e honrando o Pai, sempre vivendo no Espírito...

A todos que esta mensagem chegar
Beijos e bençãos
(*)Diácono Bernardo Tura
Paróquia Cristo Redentor - Laranjeiras - RJ/RJ

Luz, esplendor e graça na Trindade e da Trindade

Santíssima Trindade


Das Cartas de Santo Atanásio, bispo
(Ep. l ad Serapionem, 28-30: PG 26,594-595.599) (Séc. IV)




Não devemos perder de vista a tradição, a doutrina e a fé da Igreja católica, tal como o Senhor ensinou, tal como os apóstolos pregaram e os Santos Padres transmitiram. De fato, a tradição constitui o alicerce da Igreja, e todo aquele que dela se afasta deixa de ser cristão e não merece mais usar este nome.

Ora, a nossa fé é esta: cremos na Trindade santa e perfeita, que é o Pai, o Filho e o Espírito Santo; nela não há mistura alguma de elemento estranho; não se compõe de Criador e criatura; mas toda ela é potência e força operativa; uma só é a sua natureza, uma só é a sua eficiência e ação. O Pai cria todas as coisas por meio do Verbo, no Espírito Santo; e deste modo, se afirma a unidade da Santíssima Trindade. Por isso, proclama-se na Igreja um só Deus, que reina sobre tudo, age em tudo e permanece em todas as coisas (cf. Ef 4,6). Reina sobre tudo como Pai, princípio e origem; age em tudo, isto é, por meio do Verbo; e permanece em todas as coisas no Espírito Santo.

São Paulo, escrevendo aos coríntios acerca dos dons espirituais, tudo refere a Deus Pai como princípio de todas as coisas, dizendo: Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito. Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor. Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos (lCor 12,4-6).

Os dons que o Espírito distribui a cada um vêm do Pai por meio do Verbo. De fato, tudo o que é do Pai é do Filho; por conseguinte, as graças concedidas pelo Filho, no Espí­rito Santo, são dons do Pai. Igualmente, quando o Espírito está em nós, está em nós o Verbo, de quem recebemos o Espírito; e, como o Verbo, está também o Pai. Assim se cumpre o que diz a Escritura: Eu e o Pai viremos a ele e nele faremos a nossa morada (Jo 14,23). Pois onde está a luz, aí também está o esplendor da luz; e onde está o esplendor, aí também está a sua graça eficiente e esplendorosa.

São Paulo nos ensina tudo isto na segunda Carta aos coríntios, com as seguintes palavras: A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós (2Cor 13,13). Com efeito, toda a graça que nos é dada em nome da Santíssima Trindade, vem do Pai, pelo Filho, no Espírito Santo. Assim como toda a graça nos vem do Pai por meio do Filho, assim também não podemos receber nenhuma graça senão no Espírito Santo. Realmente, participantes do Espírito Santo, possuí­mos o amor do Pai, a graça do Filho e a comunhão do mesmo Espírito.