sábado, 14 de agosto de 2021

A cidade de Deus espera a salvação e o perdão dos pecados

Livro do Profeta Miquéias 7,7-20

A cidade de Deus espera a salvação e o perdão dos pecados


7
Eu, porém, olharei para o Senhor, à espera de Deus, meu Salvador; meu Deus me ouvirá.8 Não te alegres, minha inimiga, por eu ter caído, pois me levantarei; se estou na escuridão, o Senhor é a minha luz.9Sofrerei a ira do Senhor, – pois pequei contra ele – enquanto ele não decidir minha causa e não fizer o meu julgamento; ele me conduzirá para a luz e eu verei a santidade de suas obras.10 Minha inimiga olhará e se cobrirá de vergonha; ela que me diz: "Onde está o Senhor, teu Deus? Volto os olhos para ela; agora será pisada aos pés, como lama do caminho.11 Virá o dia em que serão edificados teus muros; naquele dia, se ampliarão tuas fronteiras.12 Naquele dia, virão a ti habitantes da Assíria ao Egito, desde o Egito até ao rio, desde um mar a outro mar e desde uma montanha à outra.13 A terra, porém, será devastada, por culpa de seus habitantes, em razão de suas obras.14 Apascenta o teu povo com o cajado da autoridade, o rebanho de tua propriedade, os habitantes dispersos pela mata e pelos campos cultivados; que eles desfrutem a terra de Basã e Galaad, como nos velhos tempos.15 E, como foi nos dia sem que nos fizeste sair do Egito, faze-nos ver novos prodígios.16 As nações verão e se envergonharão, apesar de todo o seu poderio; hão de pôr a mão sobre a boca, seus ouvidos estarão surdos;17 hão de lamber o chão, como serpentes, e outros répteis da terra. Hão de sair de suas casas tremendo diante do Senhor nosso Deus: dele sentirão um grande medo.18 Qual Deus existe, como tu, que apagas a iniquidade e esqueces o pecado daqueles que são resto de tua propriedade? Ele não guarda rancor para sempre, o que ama é a misericórdia.19 Voltará a compadecer-se de nós, esquecerá nossas iniquidades e lançará ao fundo do mar todos os nossos pecados.20 Tu manterás fidelidade a Jacó e terás compaixão de Abraão, como juraste a nossos pais, desde tempos remotos.

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

A descida do Senhor à mansão dos mortos


 A descida do Senhor à mansão dos mortos

Que está acontecendo hoje? Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei está dormindo; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há séculos. Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos.

Ele vai antes de tudo à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Faz questão de visitar os que estão mergulhados nas trevas e na sombra da morte. Deus e seu Filho vão ao encontro de Adão e Eva cativos, agora libertos dos sofrimentos.

O Senhor entrou onde eles estavam, levando em suas mãos a arma da cruz vitoriosa. Quando Adão, nosso primeiro pai, o viu, exclamou para todos os demais, batendo no peito e cheio de admiração: “O meu Senhor está no meio de nós”. E Cristo respondeu a Adão: “E com teu espírito”. E tomando-o pela mão, disse: “Acorda, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará.

Eu sou o teu Deus, que por tua causa me tornei teu filho; por ti e por aqueles que nasceram de ti, agora digo, e com todo o meu poder, ordeno aos que estavam na prisão: ‘Saí!’; e aos que jaziam nas trevas: ‘Vinde para a luz!’; e aos entorpecidos: ‘Levantai-vos!’

Eu te ordeno: Acorda, tu que dormes, porque não te criei para permaneceres na mansão dos mortos. Levanta-te dentre os mortos; eu sou a vida dos mortos. Levanta-te, obra das minhas mãos; levanta-te, ó minha imagem, tu que foste criado à minha semelhança. Levanta-te, saiamos daqui; tu em mim e eu em ti, somos uma só e indivisível pessoa.

Por ti, eu, o teu Deus, me tornei teu filho; por ti, eu, o Senhor, tomei tua condição de escravo. Por ti, eu, que habito no mais alto dos céus, desci à terra e fui até mesmo sepultado debaixo da terra; por ti, feito homem, tornei-me como alguém sem apoio, abandonado entre os mortos. Por ti, que deixaste o jardim do paraíso, ao sair de um jardim fui entregue aos judeus e num jardim, crucificado.

Vê em meu rosto os escarros que por ti recebi, para restituir-te o sopro da vida original. Vê na minha face as bofetadas que levei para restaurar, conforme à minha imagem, tua beleza corrompida.

Vê em minhas costas as marcas dos açoites que suportei por ti para retirar de teus ombros o peso dos pecados. Vê minhas mãos fortemente pregadas à árvore da cruz, por causa de ti, como outrora estendeste levianamente as tuas mãos para a árvore do paraíso.

Adormeci na cruz e por tua causa a lança penetrou no meu lado, como Eva surgiu do teu, ao adormeceres no paraíso. Meu lado curou a dor do teu lado. Meu sono vai arrancar-te do sono da morte. Minha lança deteve a lança que estava dirigida contra ti.

Levanta-te, vamos daqui. O inimigo te expulsou da terra do paraíso; eu, porém, já não te coloco no paraíso mas num trono celeste. O inimigo afastou de ti a árvore, símbolo da vida; eu, porém, que sou a vida, estou agora junto de ti. Constituí anjos que, como servos, te guardassem; ordeno agora que eles te adorem como Deus, embora não sejas Deus.

Está preparado o trono dos querubins, prontos e a postos os mensageiros, construído o leito nupcial, preparado o banquete, as mansões e os tabernáculos eternos adornados, abertos os tesouros de todos os bens e o reino dos céus preparado para ti desde toda a eternidade”.

Extraído da Liturgia das Horas, Vol. II

Quem puder entender, entenda!


Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 19,3-12

Naquele tempo: 3Alguns fariseus aproximaram-se de Jesus, e perguntaram, para o tentar: 'É permitido ao homem despedir sua esposa por qualquer motivo?' 4Jesus respondeu: 'Nunca lestes que o Criador, desde o início os fez homem e mulher? 5E disse: 'Por isso, o homem deixará pai e mãe, e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne'? 6De modo que eles já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe.' 7Os fariseus perguntaram: 'Então, como é que Moisés mandou dar certidão de divórcio e despedir a mulher?' 8Jesus respondeu: 'Moisés permitiu despedir a mulher, por causa da dureza do vosso coração. Mas não foi assim desde o início. 9Por isso, eu vos digo: quem despedir a sua mulher - a não ser em caso de união ilegítima - e se casar com outra, comete adultério.' 10Os discípulos disseram a Jesus: 'Se a situação do homem com a mulher é assim, não vale a pena casar-se.' 11Jesus respondeu: 'Nem todos são capazes de entender isso, a não ser aqueles a quem é concedido. 12Com efeito, existem homens incapazes para o casamento, porque nasceram assim; outros, porque os homens assim os fizeram; outros, ainda, se fizeram incapazes disso por causa do Reino dos Céus. Quem puder entender, entenda.'

Palavra da Salvação.

Nosso texto de hoje tem duas partes. A primeira, do versículo 3 até 9. E o segundo, dos versículos de 11 e 12. O versículo 10º é a transição entre os dois blocos de texto.

Na primeira parte, Jesus responde a pergunta sobre o divórcio. Mas, a questão não é apenas o divórcio em si. Jesus está falando da fidelidade. Deus foi fiel. O casal deve ser fiel entre si. Mas, muitas vezes, a dureza do coração da humanidade fez com o homem rompa a aliança. Deus sempre é fiel.

Então, com a pergunta dos discípulos sobre a situação do homem com a mulher, Jesus responde que seria melhor não se casar para se manter fiel ao projeto evangelizador de Deus. Pode parecer num primeiro momento que ele esteja valorizando mais os celibatários do que os casados. Numa leitura superficial do texto, poderíamos pensar dessa forma.

Entretanto, existem preocupações dos evangelizadores celibatários que podem desviar sua atenção da missão. Jesus nos leva a pensarmos onde colocamos o foco de nosso seguimento dele. O foco está em nós, ou na vontade de Deus.

O texto de hoje é para fazermos uma avaliação das chamadas vocações específicas na Igreja. A missão é a fidelidade à vontade de Deus.

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim?


Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 18,21-19,1

Naquele tempo: 21Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: 'Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?' 22Jesus respondeu: 'Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23Porque o Reino dos Céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. 24Quando começou o acerto, trouxeram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna. 25Como o empregado não tivesse com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. 26O empregado, porém, caiu aos pés do patrão, e, prostrado, suplicava: 'Dá-me um prazo! e eu te pagarei tudo'. 27Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida. 28Ao sair dali, aquele empregado encontrou um dos seus companheiros que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: 'Paga o que me deves'. 29O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: 'Dá-me um prazo! e eu te pagarei'. 30Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. 31Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão e lhe contaram tudo. 32Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse: 'Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. 33Não devias tu também, ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?' 34O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. 35É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão.' 19,1Ao terminar estes discursos, Jesus deixou a Galileia e veio para o território da Judéia além do Jordão.

Palavra da Salvação.

O texto de hoje fala do perdão. Jesus conta uma parábola logo após a pergunta de Pedro, "quantas vezes devo perdoar o meu irmão".

Podemos fazer várias leitura sobre o perdão.

1º. "Perdoai as nossas ofensas, assim como perdoamos a quem nos tem ofendido".

2º. O pai misericordioso acolhe o filho que havia "se perdido".

3º. "Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que estão fazendo"! (Jesus Cristo)

4º. "Senhor, não os condenes por este pecado". (Santo Estêvão)

Jesus foi missionário do perdão, da misericórdia do Pai. O Pai que atrai, o Pai que acolhe, o Pai que alimenta, que salva, que quer uma nova humanidade.

Perdoar não é ser conivente com práticas injustas. Perdoar não é aceitar o mal. Perdoar é ver que existe em algumas pessoas a possibilidade de mudança de vida, de prática, de ações.