sábado, 1 de fevereiro de 2025

"Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?"



Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 4,35-41

35 Naquele dia, ao cair da tarde, Jesus disse a seus discípulos: "Vamos para a outra margem!" 36 Eles despediram a multidão e levaram Jesus consigo, assim como estava na barca. Havia ainda outras barcas com ele. 37 Começou a soprar uma ventania muito forte e as ondas se lançavam dentro da barca, de modo que a barca já começava a se encher. 38 Jesus estava na parte de trás, dormindo sobre um travesseiro. Os discípulos o acordaram e disseram: "Mestre, estamos perecendo e tu não te importas?" 39 Ele se levantou e ordenou ao vento e ao mar: "Silêncio! Cala-te!" O ventou cessou e houve uma grande calmaria. 40 Então Jesus perguntou aos discípulos: "Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?" 41 Eles sentiram um grande medo  e diziam uns aos outros: "Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?" Palavra da Salvação.

Meditação.

Nossa reflexão de hoje se baseia em três pontos: Confiança em Deus, Jesus como senhor da criação, Desafio da fé.

Primeiro, confiança em Deus. Este texto desafia os cristãos a confiar em Jesus, mesmo nas tempestades da vida. Jesus não se esquece de seus discípulos, e sua autoridade sobre o mundo natural oferece segurança para aqueles que têm fé nele.

Segundo, Jesus, Senhor da Criação. A narrativa reforça a divindade de Jesus, mostrando-o como aquele que tem poder sobre tudo. Isso leva os leitores a contemplar a profundidade do mistério de Jesus, um ser humano, mas também completamente divino.

Terceiro, desafio à Fé. A passagem questiona nossa própria fé, especialmente quando as dificuldades da vida nos fazem sentir que estamos sozinhos ou abandonados. Mesmo quando as situações parecem incontroláveis, a fé em Jesus nos chama a acreditar que ele está no controle.

Esta reflexão aponta para a importância de confiar no poder de Jesus, mesmo nas tempestades mais intensas da vida, e reconhecer sua autoridade divina em todos os aspectos da criação.

Deus nos abençoe.




sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

"Com que mais poderemos comparar o Reino de Deus"?



Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 4,26-34

Naquele tempo, 26 Jesus disse à multidão: "O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. 27 Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece. 28 A terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a  espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga. 29 Quando as espigas estão  maduras, o homem mete logo a foice, porque o tempo da colheita chegou". 30 E Jesus continuou: "Com que mais poderemos comparar o Reino de Deus? Que parábola usaremos para representá-lo? 31 O Reino de Deus é como um grão de mostarda que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra. 32 Quando é semeado, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças, e estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu  podem abrigar-se à sua sombra". 33 Jesus anunciava a Palavra usando muitas parábolas como estas, conforme eles podiam compreender. 34 E só lhes falava por meio de parábolas, mas, quando estava sozinho com os discípulos, explicava tudo. Palavra da Salvação.

Meditação.

O texto de hoje nos apresenta a forma com a qual o Reino de Deus vai crescendo, e qual é a missão daquele que semeia a palavra.

Primeiro, a parábola da semente que cresce sozinha (Mc 4,26-29). Nessa parábola, Jesus descreve o Reino de Deus como uma semente que é plantada na terra e, de forma misteriosa, cresce sem que o agricultor saiba como. O processo de crescimento é natural, mas ocorre de uma maneira que não pode ser controlada ou forçada. Isso nos ensina que, embora possamos semear a palavra de Deus e trabalhar por sua manifestação no mundo, o crescimento do Reino é, acima de tudo, obra de Deus. Não podemos controlar a ação divina, mas podemos confiar que ela acontece de forma soberana.

A parábola do grão de mostarda (Mc 4,30-32). Jesus compara o Reino de Deus a um grão de mostarda, que, apesar de ser a menor de todas as sementes, cresce e se torna uma grande árvore. Isso nos mostra que o Reino de Deus pode começar de maneira pequena, mas tem um grande potencial de crescimento. Às vezes, o impacto da mensagem de Deus não é imediato nem óbvio, mas com o tempo, ela pode transformar vidas e realidades de maneiras poderosas e inesperadas.

As duas parábolas destacam a importância da paciência e da confiança no processo do Reino de Deus. Embora possamos não ver resultados imediatos ou como Deus está agindo nos bastidores, somos chamados a confiar no seu tempo e no seu poder. O Reino de Deus é algo que vai crescendo, muitas vezes de maneira invisível, mas com um impacto profundo. 

Nossa missão é semear com fé, e Deus fará o resto.

Deus nos abençoe!


Essas reflexões nos incentivam a agir com esperança, mesmo quando os resultados não são visíveis ou imediatos. O Reino de Deus está em constante expansão, e todos nós somos chamados a fazer parte desse processo.




quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

"Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça".



Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 4,21-25

Naquele tempo, Jesus disse à multidão: 21 "Quem é que traz uma lâmpada para colocá-Ia debaixo de um caixote, ou debaixo da cama? Ao contrário, não a coloca num candeeiro? 22 Assim, tudo o que está escondido deverá tornar-se manifesto, e tudo o que está em segredo deverá ser descoberto. 23 Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça". 24 Jesus dizia ainda: "Prestai atenção no que ouvis: com a mesma medida com que medirdes, também vós sereis medidos; e vos será dado ainda mais. 25 Ao que tem alguma coisa, será dado ainda mais; do que não tem, será tirado até mesmo o que ele tem". Palavra da Salvação.

Meditação

Esses versículos nos convidam a refletir sobre como estamos respondendo à luz da palavra de Deus. Estamos permitindo que ela ilumine nossas vidas e a compartilhamos com os outros? Estamos ouvindo com o coração aberto, prontos para aplicar o que aprendemos? E mais, como estamos "medindo" nosso compromisso com a palavra? A forma como respondemos a esses ensinamentos determina não só a quantidade de entendimento que teremos, mas também a profundidade do fruto espiritual em nossas vidas.

Que possamos ser pessoas que buscam a luz da palavra de Deus e a aplicam generosamente, para que ela ilumine não apenas nossas vidas, mas também o caminho dos outros ao nosso redor.

Deus nos abençoe!




O semeador saiu a semear



Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 4,1-20

Naquele tempo, 1 Jesus começou a ensinar de novo às margens do mar da Galileia. Uma multidão muito grande se reuniu em volta dele, de modo que Jesus entrou numa barca e se sentou, enquanto a multidão permanecia junto às margens, na praia. 2 Jesus ensinava-lhes muitas coisas em parábolas. E, em seu ensinamento, dizia-lhes: 3 "Escutai! O semeador saiu a semear. 4 Enquanto semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho; vieram os pássaros e a comeram. 5 Outra parte caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra; brotou logo, porque a terra não era profunda, 6 mas, quando saiu o sol, ela foi queimada; e, como não tinha raiz, secou. 7 Outra parte caiu no meio dos espinhos; os espinhos cresceram, a sufocaram, e ela não deu fruto. 8 Outra parte caiu em terra boa e deu fruto, que foi crescendo e aumentando, chegando a render trinta, sessenta e até cem por um". 9 E Jesus dizia: "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça". 10 Quando ficou sozinho, os que estavam com ele, junto com os Doze, perguntaram sobre as parábolas. 11 Jesus lhes disse: "A vós, foi dado o mistério do Reino de Deus; para os que estão fora, tudo acontece em parábolas, 12 para que olhem mas não enxerguem, escutem mas não compreendam, para que não se convertam e não sejam perdoados". 13 E lhes disse: "Vós não compreendeis esta parábola? Então, como compreendereis todas as outras parábolas? 14 O semeador semeia a Palavra. 15 Os que estão à beira do caminho são aqueles nos quais a Palavra foi semeada; logo que a escutam, chega Satanás e tira a Palavra que neles foi semeada. 16 Do mesmo modo, os que receberam a semente em terreno pedregoso, são aqueles que ouvem a Palavra e logo a recebem com alegria, 17 mas não têm raiz em si mesmos, são inconstantes; quando chega uma tribulação ou perseguição, por causa da Palavra, logo desistem. 18 Outros recebem a semente entre os espinhos: são aqueles que ouvem a Palavra; 19 mas quando surgem as preocupações do mundo, a ilusão da riqueza e todos os outros desejos, sufocam a Palavra, e ela não produz fruto. 20 Por fim, aqueles que recebem a semente em terreno bom, são os que ouvem a Palavra, a recebem e dão fruto; um dá trinta, outro sessenta e outro cem por um". Palavra da Salvação.

Meditação

O texto diz, o "Semeador saiu a semear". Observemos que o semeador da palavra não escolheu o terreno onde iria semear. Simplesmente, saiu a semear. Lembremos sempre que somos a semear a Palavra, não importa onde seja. 

Além disso, essa passagem nos convida a refletir sobre o tipo de solo que somos. Como temos recebido a palavra de Deus em nossas vidas? Nosso coração está aberto para deixar que a semente cresça e frutifique, ou há obstáculos, como preocupações ou falta de profundidade, que impedem o crescimento? A parábola nos desafia a cultivar um coração fértil, onde a palavra de Deus possa florescer e trazer frutos abundantes.

Deus nos abençoe!

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Se um reino se divide contra si mesmo, ele não poderá manter-se.



Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 3,22-30

Naquele tempo, 22 os mestres da Lei, que tinham vindo de Jerusalém, diziam que ele estava possuído  por Beelzebu, e que pelo príncipe dos demônios ele expulsava os demônios. 23 Então Jesus os chamou e falou-lhes em parábolas: "Como é que Satanás pode expulsar a Satanás? 24 Se um reino se divide contra si mesmo, ele não poderá manter-se. 25 Se uma família se divide contra si mesma, ela não poderá manter-se. 26 Assim, se Satanás se levanta contra si mesmo e se divide, não poderá sobreviver, mas será destruído. 27 Ninguém pode entrar na casa de um homem forte para roubar seus bens, sem antes o amarrar. Só depois poderá saquear sua casa. 28 Em verdade vos digo: tudo será perdoado aos homens, tanto os pecados, como qualquer blasfêmia que tiverem dito. 29 Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo, nunca será perdoado, mas será culpado de um pecado eterno". 30 Jesus falou isso, porque diziam: "Ele está possuído por um espírito mau". Palavra da Salvação.

Existem várias formas de refletirmos sobre as passagens bíblicas. Uma delas é a chamada exegese, ou seja, um estudo mais aprofundado do texto que meditamos. Fiz esse opção hoje para que não fiquemos na superfície do texto.

Primeiro, contexto histórico e literário.

O Evangelho de Marcos foi escrito para uma comunidade cristã em um contexto de perseguição, provavelmente por volta de 70 d.C., e o autor busca demonstrar que Jesus é o Filho de Deus e o Messias. O Evangelho de Marcos apresenta uma ênfase forte na ação e autoridade de Jesus, contrastando com as forças que se opõem ao seu ministério.

Nesse trecho específico, estamos no meio de uma série de episódios em que Jesus enfrenta crescente oposição dos líderes religiosos, como os fariseus e mestres da Lei. Esse conflito reflete a polarização entre aqueles que reconhecem Jesus como o enviado de Deus e aqueles que o rejeitam ou acusam falsamente.

Segundo, uma análise do texto (Marcos 3,22-30) em partes.

1. Versículo 22: "E os mestres da Lei, que haviam descido de Jerusalém, disseram: 'Ele está possuído por Beelzebul!'"

Aqui, o autor menciona os "mestres da Lei", que eram especialistas nas Escrituras Hebraicas. Esses líderes religiosos, vindo de Jerusalém, acusam Jesus de estar possuído por "Beelzebul", um termo associado a um demônio ou ao príncipe dos demônios. Esse nome era uma forma de desacreditar Jesus e afirmar que seu poder sobre os demônios vinha de uma origem demoníaca, não divina.

2. Versículo 23-26: "Então, Jesus os chamou e lhes falou em parábolas: 'Como pode Satanás expulsar Satanás? Se um reino se dividir contra si mesmo, esse reino não pode subsistir. Se uma casa se dividir contra si mesma, essa casa não pode subsistir. E, se Satanás se rebelar contra si mesmo e se dividir, não pode subsistir, mas está acabado.'"

Aqui, Jesus refuta a acusação de forma lógica. Ele argumenta que se Ele estivesse expulsando demônios pelo poder de Satanás, isso significaria que Satanás estaria se dividindo contra si mesmo, o que levaria à sua destruição. Jesus afirma que a expulsão de demônios é uma ação que revela o poder do Reino de Deus e não uma atuação demoníaca. A divisão interna seria contraproducente, e, portanto, não faria sentido que Satanás estivesse fazendo algo que o enfraqueceria.

3. Versículo 27: "Ninguém pode entrar na casa do homem forte e roubar seus bens, sem primeiro amarrá-lo. Só então poderá saquear sua casa."

Jesus usa essa metáfora para descrever sua vitória sobre Satanás. "O homem forte" representa Satanás, e Jesus, ao "amarrá-lo", está demonstrando que Ele tem o poder de dominar e derrotar as forças do mal. A ideia é que para libertar as pessoas da opressão demoníaca, é necessário um poder superior ao de Satanás, algo que Jesus, como Filho de Deus, possui.

4. Versículos 28-29: "Eu lhes asseguro que todos os pecados e blasfêmias serão perdoados aos homens, mas quem blasfemar contra o Espírito Santo jamais receberá perdão; é culpado de um pecado eterno."

Jesus fala sobre o pecado contra o Espírito Santo, que é o pecado que não pode ser perdoado. A blasfêmia contra o Espírito Santo ocorre quando alguém atribui a obra de Deus, o que é feito pelo Espírito Santo, ao poder de Satanás. Jesus está alertando para o perigo de rejeitar o Espírito de Deus, que se manifesta através de seus milagres e ensinamentos. Esse pecado é considerado irreparável porque reflete uma rejeição deliberada e obstinada da verdade revelada por Deus.

5. Versículo 30: "Eles diziam isso porque estava possuído por um espírito imundo."

O versículo final esclarece a razão pela qual os mestres da Lei acusaram Jesus: Eles viam sua ação como algo demoníaco, uma vez que não conseguiam reconhecer em Jesus a ação do Espírito Santo, o que é essencial para a compreensão de seu ministério.

Terceiro, implicações teológicas

A expulsão de demônios realizada por Jesus não é um simples confronto com o mal, mas é uma demonstração do Reino de Deus, que se estabelece com poder e autoridade. Jesus não é apenas um exorcista; Ele é o agente divino que traz a libertação e derrota o mal de maneira definitiva.

O pecado contra o Espírito Santo, que é rejeitar a ação do Espírito de Deus e atribuir-lhe uma origem demoníaca, é um pecado grave. Isso sugere que a atitude de endurecimento do coração e recusa de reconhecer a verdade de Deus pode levar a uma situação de cegueira espiritual irreversível.

A metáfora de Jesus sobre o "homem forte" que precisa ser amarrado antes de ter seus bens roubados reflete a noção de que o Reino de Deus, em Cristo, já está quebrando a força de Satanás e suas obras. Jesus é o "mais forte" que veio para libertar a humanidade do cativeiro espiritual.

Por fim, nessa leitura de hoje, Jesus esclarece que a obra que Ele realiza, incluindo a expulsão de demônios, não é um sinal de que Ele está agindo pelo poder de Satanás, mas é, na verdade, uma demonstração do Reino de Deus em ação. Ele chama atenção para a gravidade de atribuir a ação de Deus ao mal, especialmente no caso da blasfêmia contra o Espírito Santo. Este episódio sublinha a missão de Jesus de derrotar as forças do mal e oferecer perdão aos pecadores, mas também alerta para o risco de rejeitar esse perdão de forma irreversível.




domingo, 26 de janeiro de 2025

"Reparti com aqueles que nada prepararam" (Ne 8,10)

 

Os textos da liturgia desse 3º Domingo estão logo após a reflexão de hoje.

Neemias fala sobre o momento em que Esdras lê a Lei do Senhor para o povo de Israel, após o retorno do exílio. É um momento de redescobrimento da Palavra de Deus, e as pessoas estão profundamente tocadas, muitas delas chorando. Esdras e os levitas então os exortam a se alegrar, pois a alegria no Senhor é sua força. Esse episódio nos lembra da importância da Palavra de Deus na nossa vida e como ela nos transforma e fortalece.

O salmo canta as maravilhas da Lei do Senhor, que é perfeita e revigorante. A meditação sobre a Lei de Deus nos ajuda a entender que a verdadeira sabedoria e alegria vêm do conhecimento de Sua vontade e da obediência a Ele. Quando nos aproximamos da Sua Palavra com reverência, ela nos ilumina e nos purifica.

Na carta aos Coríntios, São Paulo nos ensina que, como a Igreja de Cristo, somos todos diferentes, mas todos membros de um único corpo. Cada um tem uma função única, e juntos formamos um organismo vivo que deve viver em harmonia. Esse texto nos chama a refletir sobre a nossa contribuição para o bem comum, lembrando-nos que nossa união na fé é o que nos fortalece e nos torna mais capazes de cumprir a missão de Cristo.

Lucas nos fala sobre o propósito de seu evangelho: transmitir de forma clara e ordenada as verdades que ele apurou, para que os cristãos possam entender e ter certeza das coisas em que foram ensinados. Já na parte que segue, temos a preparação para o ministério de João Batista e a ação do Espírito Santo, que ilumina e guia os passos de todos os que são chamados para anunciar a Boa Nova.

Essas leituras nos falam sobre a importância da Palavra de Deus e do seu impacto em nossas vidas. A Palavra nos ilumina, fortalece e nos chama a viver em união, cada um desempenhando o seu papel, mas todos unidos no corpo de Cristo. A verdadeira alegria e força vêm de viver conforme a Sua vontade, e a meditação constante sobre as Escrituras é essencial para isso. Nos momentos de oração e reflexão, podemos ouvir Deus falando conosco, como o povo de Israel fez ao ouvir Esdras e como somos chamados a fazer a cada dia.

Esse é um convite para fortalecer nossa fé, nos alegrarmos em nossa união com Cristo e buscar cumprir o papel que Ele nos chama a desempenhar, sabendo que, em sua Palavra, encontramos direção e sabedoria.

Deus nos abençoe.

Textos da liturgia de hoje.

Livro de Neemias 8,2-4a.5-6.8-10

Naqueles dias, 2 o sacerdote Esdras apresentou a Lei diante da assembleia de homens, de mulheres e de todos os que eram capazes de compreender. Era o primeiro dia do sétimo mês. 3 Assim, na praça que fica defronte da porta das Águas, Esdras fez a leitura do livro, desde o amanhecer até ao meio-dia, na presença dos homens, das mulheres e de todos os que eram capazes de compreender. E todo o povo escutava com atenção a leitura do livro da Lei. 4a Esdras, o escriba, estava de pé sobre um estrado de madeira, erguido para esse fim. 5 Estando num lugar mais alto, ele abriu o livro à vista de todo o povo. E, quando o abriu, todo o povo ficou de pé. 6 Esdras bendisse o Senhor, o grande Deus, e todo o povo respondeu, levantando as mãos: "Amém! Amém!" Depois inclinaram-se e prostraram-se diante do Senhor, com o rosto em terra. 8 E leram clara e distintamente o livro da Lei de Deus e explicaram seu sentido, de maneira que se pudesse compreender a leitura. 9 O governador Neemias e Esdras, sacerdote e escriba, e os levitas que instruíam o povo, disseram a todos: "Este é um dia consagrado ao senhor,  vosso Deus! Não fiqueis tristes nem choreis", pois todo o povo chorava ao ouvir as palavras da Lei. 10 E Neemias disse-lhes: "Ide para vossas casas e comei carnes gordas, tomai bebidas doces e reparti com aqueles que nada prepararam, pois este dia é santo para o nosso Senhor. Não fiqueis tristes, porque a alegria do Senhor será a vossa força". Palavra do Senhor.

Salmo responsorial  Sl 18B(19),8.9.10.15 (R. Jo 6,63c)

R. Vossas palavras, Senhor, são espírito e vida!

8 A lei do Senhor Deus é perfeita, * conforto para a alma! O testemunho do Senhor é fiel, * sabedoria dos humildes. R.

9 Os preceitos do Senhor são precisos, * alegria ao coração. O mandamento do Senhor é brilhante, * para os olhos é uma luz. R.

10 É puro o temor do Senhor, * imutável para sempre. Os julgamentos do Senhor são corretos * e justos igualmente. R.

15 Que vos agrade o cantar dos meus lábios * e a voz da minha alma; que ela chegue até vós, ó Senhor,  meu Rochedo e Redentor! R.

SEGUNDA LEITURA 

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios 12,12-30

Irmãos: 12 Como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo,  embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo. 13 De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito. 14 Com efeito, o corpo não é feito de um membro apenas, mas de muitos membros. 15 Se o pé disser: "Eu não sou mão, portanto não pertenço ao corpo", nem por isso deixa de pertencer ao corpo. 16 E se o ouvido disser: "Eu não sou olho, portanto não pertenço ao corpo", nem por isso deixa de pertencer ao corpo. 17 Se o corpo todo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se o corpo todo fosse ouvido, onde estaria o olfato? 18 De fato, Deus dispôs os membros e cada um deles no corpo, como quis. 19 Se houvesse apenas um membro, onde estaria o  corpo? 20 Há muitos membros, e, no entanto, um só corpo. 21 O olho não pode, pois, dizer à mão: "Não preciso de ti". Nem a cabeça pode dizer aos pés: "Não preciso de vós". 22 Antes pelo contrário, os membros do corpo que parecem ser mais fracos são muito mais necessários do que se pensa. 23 Também os membros que consideramos menos honrosos, a estes nós cercamos com mais honra, e os que temos por menos decentes, nós os tratamos com mais decência. 24 Os que nós consideramos decentes não precisam de cuidado especial. Mas Deus, quando formou o corpo, deu maior atenção e cuidado ao que nele é tido como menos honroso, 25 para que não haja divisão no corpo e, assim, os membros zelem igualmente uns pelos outros. 26 Se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele; se é honrado, todos os membros se regozijam com ele. 27 Vós, todos juntos, sois o corpo de Cristo e, individualmente, sois membros desse corpo. 28 E, na Igreja, Deus colocou, em primeiro lugar, os apóstolos; em segundo lugar, os profetas; em terceiro lugar, os que têm o dom e a missão de ensinar; depois, outras pessoas com dons diversos, a saber: dom de milagres, dom de curas, dom para obras de misericórdia, dom de governo e direção, dom de línguas. 29 Acaso todos são apóstolos? Todos são profetas? Todos ensinam? Todos realizam milagres? 30 Todos têm o dom das curas? Todos falam em línguas? Todos as interpretam? Palavra do Senhor.

EVANGELHO

Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 1,1-4;4,14-21

1 Muitas pessoas já tentaram escrever a história dos acontecimentos que se realizaram entre nós, 2 como nos foram transmitidos por aqueles que, desde o princípio, foram testemunhas oculares e ministros da palavra. 3 Assim sendo, após fazer um estudo cuidadoso de tudo o que aconteceu desde o princípio, também eu decidi escrever de modo ordenado para ti, excelentíssimo Teófilo. 4 Deste modo, poderás verificar a solidez dos ensinamentos que recebeste. Naquele tempo, 4,14 Jesus voltou para a Galileia, com a força do Espírito, e sua fama espalhou-se por toda a redondeza. 15 Ele ensinava nas suas sinagogas e todos o elogiavam. 16 E veio à cidade de Nazaré, onde se tinha criado. Conforme seu costume, entrou na sinagoga no sábado, e levantou-se para fazer a leitura. 17 Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus achou a passagem em que está escrito: 18 "O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me par a proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos 19 e para proclamar um ano da graça do Senhor". 20 Depois fechou o livro, entregou-o ao ajudante, e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. 21 Então começou a dizer-lhes: "Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir". Palavra da Salvação.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

Jesus designou Doze, para que ficassem com ele.



Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 3,13-19

Naquele tempo, 13 Jesus subiu ao monte e chamou os que ele quis. E foram até ele. 14 Então Jesus designou Doze, para que ficassem com ele e para enviá-los a pregar, 15 com autoridade para expulsar os demônios. 16 Designou, pois, os Doze: Simão, a quem deu o nome de Pedro; 17 Tiago e João, filhos de Zebedeu, aos quais deu o nome de Boanerges, que quer dizer "filhos do trovão"; 18 André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o cananeu, 19 e Judas Iscariotes, aquele que depois o traiu. Palavra da Salvação.

Meditação

O evangelho de hoje narra o chamado daqueles que Jesus identificou como sendo capacitados para darem continuidade à sua obra. Não sabemos ao certo em que altura da vida missionária de Jesus isso se deu. Proponho alguns pontos para essa reflexão.

Jesus escolheu aqueles que Ele quis, não com base em mérito ou status, mas pela vontade divina. Isso pode nos lembrar de que Deus nos chama conforme sua vontade e não pelos critérios humanos. Ele vê potencial e propósito em cada um de nós.

O primeiro passo na missão dos apóstolos não foi sair para pregar, mas estar com Jesus. Isso nos fala da importância da intimidade com Cristo, do tempo dedicado a Ele antes de sair para agir. Em nossas próprias vidas, somos chamados primeiramente a estar com Deus na oração e na contemplação.

Jesus os envia a pregar e a expulsar demônios. Esse é o chamado para todos os discípulos – sermos instrumentos da graça de Deus, levando a palavra de amor, esperança e cura ao mundo. Cada um de nós, com os dons que Deus nos deu, também tem uma missão.

A lista dos doze apóstolos é marcada por pessoas de origens e características muito diferentes. Isso nos lembra que, no corpo de Cristo, somos todos diferentes, mas juntos formamos um só corpo, com diferentes papéis, mas com o mesmo objetivo de servir a Deus e ao próximo.

Como disse São Paulo, somos um corpo. E como tal, cada um tem uma função a exercer.

Deus nos abençoe.

Apêndice.

Conheçamos um pouco da história de cada um dos apóstolos de Jesus. Claro que as informações foram tiradas dos evangelhos e de algumas outras fontes.

Esses doze homens foram chamados por Jesus, não por sua perfeição, mas para cumprir um propósito divino. Eles eram um grupo diverso, com diferentes personalidades e passados, mas unidos na missão de propagar o Reino de Deus. Cada um deles teve um papel importante na construção da Igreja primitiva.

1. Simão (Pedro) - Jesus deu-lhe o nome de Pedro, que significa "pedra" ou "rocha". Simão era um pescador e se tornou um dos líderes mais proeminentes da Igreja primitiva. Pedro é conhecido por sua fé, mas também por suas falhas, especialmente quando negou Jesus, mas se arrependeu e foi restaurado.

2. Tiago (filho de Zebedeu) - Juntamente com seu irmão João, Tiago foi um dos primeiros discípulos chamados por Jesus. Ele é frequentemente chamado de "Tiago Maior" para diferenciá-lo de outro discípulo chamado Tiago. Tiago foi martirizado por sua fé, sendo o primeiro apóstolo a ser martirizado.

3. João (irmão de Tiago) - João, também conhecido como o "discípulo amado", foi um dos apóstolos mais próximos de Jesus. Ele escreveu o Evangelho segundo João e as Cartas de João no Novo Testamento. João também teve uma visão profunda da missão de Jesus e foi o único apóstolo que não morreu como mártir.

4. André (irmão de Pedro) - André também era pescador e seguiu Jesus logo após seu irmão Pedro. Ele é conhecido por ser o primeiro a ser chamado por Jesus, e depois levou seu irmão Pedro a Cristo. André é frequentemente associado à evangelização na região do Mar Negro.

5. Felipe - Felipe é mencionado várias vezes no Evangelho de João, onde ele é conhecido por levar Natanael a Jesus. Ele teve um papel importante em algumas das interações de Jesus, especialmente na preparação para a alimentação dos 5.000.

6. Bartolomeu - Tradicionalmente identificado com Natanael, Bartolomeu é conhecido por sua primeira reação cética ao ser chamado por Filipe (quando ele perguntou "Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?"), mas logo se tornou um seguidor fervoroso de Jesus.

7. Mateus - Antes de ser chamado por Jesus, Mateus (também conhecido como Levi) era cobrador de impostos. Ele escreveu o Evangelho de Mateus e foi uma figura importante na pregação do evangelho, especialmente para os judeus.

8. Tomé - Famoso por sua dúvida sobre a ressurreição de Jesus, Tomé disse que só acreditaria se visse as marcas dos cravos. Após a aparição de Jesus ressuscitado, Tomé fez uma das mais profundas declarações de fé: "Meu Senhor e meu Deus!"

9. Tiago (filho de Alfeu) - Tiago, também chamado de "Tiago Menor" para diferenciá-lo de Tiago, filho de Zebedeu, é mencionado com menos destaque nas escrituras, mas ainda assim foi um dos doze escolhidos por Jesus.

10. Tadeu (ou Lebeu, filho de Tiago) - Tadeu é mencionado apenas em listas de apóstolos e tem pouca menção nas Escrituras. No entanto, é tradicionalmente considerado o autor da carta de Judas no Novo Testamento, embora o autor se identifique apenas como "Judas, servo de Jesus Cristo".

11. Simão, o Zelote - Simão é chamado "o Zelote" devido à sua associação com um grupo judaico que desejava resistir ao domínio romano e lutar pela independência de Israel. Sua inclusão entre os apóstolos reflete como Jesus chamou pessoas de diferentes origens e perspectivas.

12. Judas Iscariotes - Judas é tristemente famoso por ser o apóstolo que traiu Jesus, entregando-o aos sacerdotes por 30 moedas de prata. Após a traição e a condenação de Jesus, Judas se enforcou.