quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Confiança na palavra do Senhor

Salmo 55(56),2-7b.9-14 

Neste salmo se manifesta o Cristo em sua Paixão (S. Jerônimo). 

=2 Tende pena e compaixão de mim, ó Deus, † 
pois há tantos que me calcam sob os pés, * 
e agressores me oprimem todo dia! 
–3 Meus inimigos de contínuo me espezinham, * são numerosos os que lutam contra mim! 

–4 Quando o medo me invadir, ó Deus Altíssimo, * porei em vós a minha inteira confiança. 
=5 Confio em Deus e louvarei sua promessa; † 
é no Senhor que eu confio e nada temo: * 
que poderia contra mim um ser mortal? 

–6 Eles falam contra mim o dia inteiro, * 
eles desejam para mim somente o mal! 
–7b Armam ciladas e me espreitam reunidos, * 
seguem meus passos, perseguindo a minha vida! 

=9 Do meu exílio registrastes cada passo, † 
em vosso odre recolhestes cada lágrima, * 
e anotastes tudo isso em vosso livro. 
=10 Meus inimigos haverão de recuar † 
em qualquer dia em que eu vos invocar; * 
tenho certeza: o Senhor está comigo! 

=11 Confio em Deus e louvarei sua promessa; † 12 é no Senhor que eu confio e nada temo: * que poderia contra mim um ser mortal? 
–13 Devo cumprir, ó Deus, os votos que vos fiz, * e vos oferto um sacrifício de louvor, 

–14 porque da morte arrancastes minha vida * 
e não deixastes os meus pés escorregarem, 
– para que eu ande na presença do Senhor, * 
na presença do Senhor na luz da vida.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Todos pecaram e estão privados da glória de Deus (Rm 3,23).

Salmo 52(53) 
A insensatez dos ímpios

1 Diz o insensato em seu próprio coração: *
‘Não há Deus! Deus não existe!’
2 Corromperam-se em ações abomináveis, *
já não há quem faça o bem!

3 O Senhor, ele se inclina lá dos céus *
sobre os filhos de Adão,
– para ver se resta um homem de bom senso *
que ainda busque a Deus.

4 Mas todos eles igualmente se perderam, *
corrompendo-se uns aos outros;
– não existe mais nenhum que faça o bem, *
não existe um sequer!

5 Será que não percebem os malvados *
quanto exploram o meu povo?
– Eles devoram o meu povo como pão, *
e não invocam o Senhor.

6 Eis que se põem a tremer de tanto medo, *
onde não há o que temer;
– porque Deus fez dispersar até os ossos *
dos que te assediavam.

– Eles ficaram todos cheios de vergonha, *
porque Deus os rejeitou.
7 Que venha, venha logo de Sião *
a salvação de Israel!

– Quando o Senhor reconduzir do cativeiro *
os deportados de seu povo,
– que júbilo e que festa em Jacó, *
que alegria em Israel!

domingo, 14 de janeiro de 2018

"Vinde e Vede"

Evangelho (Jo1,35-42)
Naquele tempo, 35João estava de novo com dois de seus discípulos 36e, vendo Jesus passar, disse: “Eis o Cordeiro de Deus!” 37Ouvindo essas palavras, os dois discípulos seguiram Jesus.38Voltando-se para eles e vendo que o estavam seguindo, Jesus perguntou: “O que estais procurando?” Eles disseram: “Rabi (que quer dizer: Mestre), onde moras?”39Jesus respondeu: “Vinde ver”. Foram pois ver onde ele morava e, nesse dia, permaneceram com ele. Era por volta das quatro da tarde.40André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que ouviram as palavras de João e seguiram Jesus. 41Ele foi encontrar primeiro seu irmão Simão e lhe disse: “Encontramos o Messias” (que quer dizer: Cristo).42Então André conduziu Simão a Jesus. Jesus olhou bem para ele e disse: “Tu és Simão, filho de João; tu serás chamado Cefas” (que quer dizer: Pedra).

domingo, 7 de janeiro de 2018

"O Senhor deu a conhecer sua salvação ao mundo inteiro"

Dos Sermões de São Leão Magno, papa

(Sermo 3 in Epiphania Domini, 1-3.5: PL 54, 240-244)  (Séc. V)

Tendo a misericordiosa Providência de Deus decidido vir nos últimos tempos em socorro do mundo perdido, determinou salvar todos os povos em Cristo.

Esses povos formam a incontável descendência outrora prometida ao santo patriarca Abraão; descendência gerada não segundo a carne, mas pela fecundidade da fé, e por isso comparada à multidão das estrelas, para que o pai de todos os povos esperasse uma posteridade celeste e não terrestre.

Entrem, pois, todos os povos, entrem na família dos patriarcas, e recebam os filhos da promessa a bênção da descendência de Abraão, à qual renunciaram os filhos segundo a carne. Que todos os povos, representados pelos três Magos, adorem o Criador do universo; e Deus não seja conhecido apenas na Judéia mas no mundo inteiro, a fim de que por toda parte o seu nome seja grande em Israel (Sl 75, 2).

Portanto, amados filhos, instruídos nos mistérios da graça divina, celebremos com alegria espiritual o dia das nossas primícias e do primeiro chamado dos povos pagãos à fé, dando graças a Deus misericordioso que, conforme diz o Apóstolo, nos tornou capazes de participar da luz que é a herança dos santos; ele nos libertou do poder das trevas e nos recebeu no reino de seu amado Filho (Cl 1, 12-13). Pois, como anunciou Isaías, o povo que andava na escuridão viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu (Is 9, 1). E ainda referindo-se a eles, o mesmo profeta diz ao Senhor: Nações que não vos conheciam vos invocarão e povos que vos ignoravam acorrerão a vós (cf. Is 55, 5).

Esse dia, Abraão viu e alegrou-se (Jo 8, 56) ao saber que seus filhos segundo a fé seriam abençoados na sua descendência, que é  Cristo, e ao prever que, por sua fé, seria pai de todos os povos. E deu glória a Deus, plenamente convencido de que Deus tem poder para cumprir o que prometeu (Rm 4, 20-21). Esse dia, também Davi cantou nos salmos, dizendo: As nações que criastes virão adorar, Senhor, e louvar vosso nome (Sl 85, 9). E ainda: O Senhor fez conhecer a salvação, e às nações, sua justiça (Sl 97, 2).

Como sabemos, tudo isto se realizou quando os três Magos, chamados de seu longínquo país, foram conduzidos por uma estrela, para irem conhecer e adorar o Rei do céu e da terra. O serviço prestado por esta estrela nos convida a imitar sua obediência, isto é, servir com todas as forças essa graça que nos chama todos para Cristo.

Animados por esse desejo, amados filhos, deveis empenhar-vos em ser úteis uns aos outros, para que no reino de Deus, aonde se entra graças à integridade da fé e às boas obras, resplandeçais como filhos da luz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo por todos os séculos dos séculos.

sábado, 6 de janeiro de 2018

Poema para rezar - Quem será tão grande Rei?

Elevai o olhar aos céus
vós que a Cristo procurais.
E da sua eterna glória
podereis ver os sinais.
Essa estrela vence o sol
em fulgor e em beleza,
e nos diz ter vindo à terra
Deus, em nossa natureza.
Da região do mundo persa,
onde o sol tem seu portal,
sábios Magos reconhecem
do Rei novo o sinal.
Quem será tão grande Rei,
a quem astros obedecem,
a quem servem luz e céus
e suas forças estremecem?
Percebemos algo novo,
imortal, superior,
que domina céus e caos
e lhes é anterior.
Rei do povo de Israel,
este é o Rei das gentes,
prometido a Abraão
e à sua raça eternamente.
Ó Jesus, louvor a vós
que às nações vos revelais.
Glória ao Pai e ao Espírito
pelos tempos eternais.

Quem tem o Filho, tem a vida

(1Jo 5,5-13) Primeira Carta de São João.
Caríssimos, 5quem é o vencedor do mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus? 6Este é o que veio pela água e pelo sangue: Jesus Cristo. (Não veio somente com a água, mas com a água e o sangue). E o Espírito é que dá testemunho, porque o Espírito é a Verdade. 7Assim, são três que dão testemunho: 8o Espírito, a água e o sangue; e os três são unânimes.9Se aceitamos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é maior. Este é o testemunho de Deus, pois ele deu testemunho a respeito de seu Filho. Aquele que crê no Filho de Deus tem este testemunho dentro de si. 10Aquele que não crê em Deus faz dele um mentiroso, porque não crê no testemunho que Deus deu a respeito de seu Filho. 11E o testemunho é este: Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em seu Filho. 12Quem tem o Filho, tem a vida; quem não tem o Filho não tem a vida. 13Eu vos escrevo estas coisas a vós que acreditastes no nome do Filho de Deus, para que saibais que possuís a vida eterna.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

"Seremos saciados com a visão do Verbo"

Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo

(Sermo 194, 3-4: PL 38, 1016-1017) (Séc. V)

Quem poderia conhecer todos os tesouros de sabedoria e ciência ocultos em Cristo e escondidos na pobreza de sua carne? Ele, sendo rico, se fez pobre por nossa causa, a fim de enriquecer-nos com a sua pobreza (cf. 2Cor 8,9). Quando assumiu nossa condição mortal e experimentou a morte, manifestou-se na pobreza; contudo, não perdeu suas riquezas, mas prometeu-as para o futuro.

Como é grande a riqueza de sua bondade, reservada para os que o temem e concedida aos que nele esperam! Agora o nosso conhecimento é imperfeito, até chegar o que é perfeito. Para sermos capazes de alcançá-lo é que o Cristo, igual ao Pai na condição divina, fez-se igual a nós na condição de servo e nos recriou à semelhança divina. O filho único de Deus, tornando-se filho do homem, torna filhos de Deus a muitos filhos dos homens; e promovendo a nossa condição de servos com a sua forma visível de servo, tornou-nos livres e capazes de contemplar a sua forma divina.

Somos filhos de Deus, mas ainda não se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é (1Jo 3,2). Ora, quais são esses tesouros de sabedoria e ciência, para que servem essas riquezas divinas senão para satisfazer a nossa pobreza? Para que essa imensa bondade senão para nos saciar? Mostra-nos o Pai, isto nos basta (Jo 14,8).

E, em certo salmo, um de nós, expressando nossos sentimentos ou falando por nós, diz ao Senhor: Serei saciado quando se manifestar a vossa glória (cf. Sl 16,15 Vulg.). Ele e o Pai são um só; e quem o vê, vê também o Pai. Por conseguinte, o Rei da glória é o Senhor Deus do universo (Sl 23,10). Voltando-se para nós, ele nos mostrará o seu rosto; seremos salvos e saciados, e isso nos bastará.

Mas até que isso aconteça, até mostrar o que nos basta, até bebermos e ficarmos saciados na fonte da vida que é ele mesmo, enquanto caminhamos na fé e peregrinamos longe dele, enquanto temos fome e sede de justiça e desejamos, com indizível ardor, contemplar a beleza de Cristo na sua condição divina, celebremos com amorosa devoção o nascimento de Deus na condição de servo.

Se ainda não podemos contemplar aquele que foi gerado pelo Pai antes da aurora, celebremos o seu nascimento da Virgem no meio da noite. Se ainda não podemos compreender aquele cujo nome subsistirá enquanto o sol brilhar (cf. Sl 71,17), reconheçamos que armou sua tenda ao sol (cf. Sl 18,6).

Se ainda não vemos o Unigênito que permanece no Pai, recordemos o Esposo saindo do quarto nupcial (cf. Sl 18,6). Se ainda não estamos preparados para o banquete do nosso Pai, conheçamos o presépio de nosso Senhor Jesus Cristo.