sábado, 25 de janeiro de 2020

Por amor de Cristo, Paulo tudo suportou

Das Homilias de São João Crisóstomo, bispo

(Hom. 2 de laudibus sancti Pauli: PG 50,447-480)
(Séc. IV)

O que é o homem, quão grande é a dignidade da nossa natureza e de quanta virtude é capaz a criatura humana, Paulo o demonstrou mais do que qualquer outro. Cada dia ele subia mais alto e se tornava mais ardente, cada dia lutava com energia sempre nova contra os perigos que o ameaçavam. É o que depreendemos de suas próprias palavras: Esquecendo o que fica para trás, eu me lanço para o que está na frente (cf. Fl 3,13). Percebendo a morte iminente, convidava os outros a comungarem da sua alegria, dizendo: Alegrai-vos e congratulai-vos comigo (Fl 2,18). Diante dos perigos, injúrias e opróbrios, igualmente se alegra e escreve aos coríntios: Eu me comprazo nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições (2Cor 12,10); porque sendo estas, conforme declarava, as armas da justiça, mostrava que delas lhe vinha um grande proveito.

Realmente, no meio das insídias dos inimigos, conquistava contínuas vitórias triunfando de todos os seus assaltos. E em toda parte, flagelado, coberto de injúrias e maldições, como se desfilasse num cortejo triunfal, erguendo numerosos troféus, gloriava-se e dava graças a Deus, dizendo: Graças sejam dadas a Deus que nos fez sempre triunfar (2Cor 2,14). Por isso, corria ao encontro das humilhações e das ofensas que suportava por causa da pregação, com mais entusiasmo do que nós quando nos apressamos para alcançar o prazer das honrarias; aspirava mais pela morte do que nós pela vida; ansiava mais pela pobreza do que nós pelas riquezas; e desejava muito mais o trabalho sem descanso do que nós o descanso depois do trabalho. Uma só coisa o amedrontava e fazia temer: ofender a Deus. E uma única coisa desejava: agradar a Deus.

Só se alegrava no amor de Cristo, que era para ele o maior de todos os bens; com isto julgava-se o mais feliz dos homens; sem isto, de nada lhe valia ser amigo dos senhores e poderosos. Com este amor preferia ser o último de todos, isto é, ser contado entre os réprobos, do que encontrar-se no meio de homens famosos pela consideração e pela honra, mas privados do amor de Cristo.

Para ele, o maior e único tormento consistia em separar-se de semelhante amor; esta era a sua geena, o seu único castigo, o infinito e intolerável suplício. Em compensação, gozar do amor de Cristo era para ele a vida, o mundo, o anjo, o presente, o futuro, o reino, a promessa, enfim, todos os bens. Afora isto, nada tinha por triste ou alegre. De tudo o que existe no mundo, nada lhe era agradável ou desagradável.

Não se importava com as coisas que admiramos, como se costuma desprezar a erva apodrecida. Para ele, tanto os tiranos como as multidões enfurecidas eram como mosquitos. Considerava como brinquedo de crianças os mil suplícios, os tormentos e a própria morte, desde que pudesse sofrer alguma coisa por Cristo.

Deus revelou-me seu Filho para eu o anunciar

Da Carta de São Paulo aos Gálatas 1, 11-24
11Irmãos, asseguro-vos que o evangelho pregado por mim não é conforme a critérios humanos. 12Com efeito, não o recebi nem aprendi de homem algum, mas por revelação de Jesus Cristo. 13Certamente ouvistes falar como foi outrora a minha conduta no judaísmo, com que excessos perseguia e devastava a Igreja de Deus 14e como progredia no judaísmo mais do que muitos judeus de minha idade, mostrando-me extremamente zeloso das tradições paternas. 15Quando, porém, aquele que me separou desde o ventre materno e me chamou por sua graça 16se dignou revelar-me o seu Filho, para que eu o pregasse entre os pagãos, não consultei carne nem sangue 17nem subi, logo, a Jerusalém para estar com os que eram apóstolos antes de mim. Pelo contrário, parti para a Arábia e, depois, voltei ainda a Damasco.

18Três anos mais tarde, fui a Jerusalém para conhecer Cefas e fiquei com ele quinze dias. 19E não estive com nenhum outro apóstolo, a não ser Tiago, o irmão do Senhor. 20Escrevendo estas coisas, afirmo diante de Deus que não estou mentindo. 21Depois, fui para as regiões da Síria e da Cilícia. 22Ainda não era pessoalmente conhecido das Igrejas da Judéia que estão em Cristo. 23Apenas tinham ouvido dizer que “aquele que, antes, nos perseguia, está agora pregando a fé que, antes, procurava destruir”. 24E glorificavam a Deus por minha causa.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Jesus os enviou a pregar

Evangelho de Jesus Cristo segundo São Marcos 3,13-19
Jesus subiu ao monte e chamou os que ele quis. E foram até ele. Então Jesus designou Doze, para que ficassem com ele e para enviá-los a pregar, com autoridade para expulsar os demônios. Designou, pois, os Doze: Simão, a quem deu o nome de Pedro; Tiago e João, filhos de Zebedeu, aos quais deu o nome de Boanerges, que quer dizer “Filhos do trovão”; André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o cananeu, e Judas Iscariotes, aquele que depois o traiu.
Reflexão
Observamos Jesus formar o grupo daqueles que dariam continuidade à sua missão. Doze é um número significativo para os leitores. Doze foram as tribos que formaram o povo eleito.
Cada "apóstolo" seria responsável por um grupo de "crentes" após a partida de Jesus. Todos em situação de igualdade. Ter um à frente, não significa que seria mais importante. Pedro é aquele que há de confirmar seus irmãos e irmãs na fé. Pedro é aquele que deverá dar testemunho de toda esperança quando for preciso. Pedro é aquele que, tal como Jesus, deverá dar a vida pelos outros. Isso não o torna mais importante. Isso o torna mais intimamente ligado ao senhor.
A lista dos apóstolos começa com Pedro, e termina com Judas Iscariotes. Uma observação mais atenta nos leva a distinguir duas situações distintas. 
A primeira, o último da lista. Judas Iscariotes, aquele que vira às costas para o amor de Deus, para a sua misericórdia, para o perdão. 
A segunda, o que abre a lista, Pedro. Mesmo tendo traído Jesus, não deixou-se abater. Percebeu-se pequeno, pecador, diante de Deus, necessitando da misericórdia.
Jesus convida Pedro a fazer a sua profissão de Amor. Por três vezes, diz, "Pedro, tu me amas"? Convidar a professar o amor significa dizer, estás disposto a assumir a minha missão? O meu jeito de ser? Dar continuidade a minha missão?
Hoje, somos chamados a refletir sobre isso. Qual atitude tomamos? Estamos dispostos a assumir o amor incondicional por Jesus, dando a vida por ele e por seu Evangelho, ou, vamos negá-lo o tempo todo? Vamos assumir a missão de pregar o Evangelho, ou vamos trair, achando que nossas vontades são mais importantes?
Oremos:
Ó Deus, para a salvação da humanidade, quisestes que São Francisco de Sales se fizesse tudo para todos; concedei que, a seu exemplo, manifestemos sempre a mansidão do vosso amor no serviço a nossos irmãos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Deus lhe abençoe, Pai, Filho e Espírito Santo.
(Diácono Marcos Gayoso)

domingo, 5 de janeiro de 2020

Epifania do Senhor

 Epifania do Senhor, eu tomaria a Segunda Leitura como base da reflexão e destacaria o grande desafio da Igreja, de hoje e de sempre: "conhecer o mistério de Deus, revelado aos homens" (v. 5)

Só olhando verdadeiramente para Cristo, com toda sinceridade, desprovidos de todos os preconceitos, é que poderemos compreender este mistério. Coisa que a Igreja primitiva tinha grande dificuldade de compreender, principalmente pela dura convivência história entre judeus e não judeus.

Como fazê-los entender que agora, a partir de Cristo, eles tinham que se identificar como uma família? Este era o grande desafio da Igreja e que Paulo havia entendido e queria que eles também compreendessem.

Agora eles já não eram mais judeus e gregos e bárbaros e romanos e outra coisa qualquer. Agora eles eram irmãos. Membros do mesmo corpo. 
O próprio apóstolo, no capítulo anterior, insiste com os Efésios: *já não sois hóspedes, nem peregrinos, mas sois concidadãos dos santos e membros da mesma família de Deus.* _Em outra tradução: moradores da mesma casa_.

Como fazer os judeus entenderem que os pagãos foram admitidos à mesma herança? Que eles foram associados à mesma promessa?

Estas mesmas perguntas, aparentemente fáceis de responder, poderiam ser feitas a nós hoje; principalmente pelos dias tão difíceis que estamos presenciando/vivendo. Dias de tanto ódio, de modo particular aos mais desfavorecidos; aos que são obrigados a deixar suas casas e terras por tantos motivos (exilados/migrantes/refugiados/índios/sem terra/sem teto). Somos induzidos, muitas vezes, a pensar que eles nos são uma ameaça e não irmãos.

De fato, nosso olhar para Jesus pode nos definir como verdadeiros discípulos de Cristo. *Ou não*.
Nosso olhar para Jesus pode ser como o dos pastores: como o dos magos; como o dos camponeses; como o de Herodes; como o dos sacerdotes de Herodes; como o da multidão de Jerusalém; etc

Olhar pra Jesus é equivalente a identificá-lo no rosto do meu irmão; no rosto daquele que me é diferente, mas que é membro do mesmo Corpo, da mesma família.

Notas:
1. Porque em todos os filmes hollywoodianos sobre atentados à bomba, os atores tem características do Oriente Médio?
2. Porque, na maioria dos filmes nacionais, de bandidos matadores, os atores são negros favelados?
Isso, com o tempo, já não nos induz a ter receios? Preconceitos?
Será que os julgamentos que fazemos hoje, sobre os perfis de algumas pessoas, nos foram colocados durante os anos, sem que pudéssemos perceber?

Saudações de justiça e paz.

Diácono Antônio Cláudio Souza da Silva

A Salvação é recebida de formas diferentes

Epifania do Senhor

Neste domingo as leituras nos mostram que a Boa Nova da Encarnação é recebida de formas diferentes ontem e hoje

Na primeira leitura,  vemos a imagem da Jerusalém celeste que é a luz do mundo
coberto pela noite e pela escuridão. É interessante notar que já no antigo testamento vemos que a imagem profética da Salvação é dada para todos os povos da terra.

No salmo,   surge a imagem de Deus dando poder aos reis da terra mas mostra também o compromisso com os pobres, indigentes e necessitados que sejam cuidados com equidade, justiça e solidariedade.

Na segunda leitura, Paulo afirma que os gentios e os judeus são membros do mesmo corpo e da mesma promessa de Jesus, numa sociedade marcada por uma rígida divisão das pessoas. A mensagem inclusiva era algo de muita importância e que resgata o que foi manifesto na primeira leitura.

No Evangelho, vemos as respostas possíveis à mensagem Salvífica de Jesus: a de Herodes, a dos doutores e a dos magos. Herodes rejeita a mensagem e quer destruí-la para manter seu poder na sociedade, os doutores sabem onde devem procurar o "Rei dos judeus" e desejam encontrá-lo mas estão tão apegados ao que conhecem que não estão dispostos a mudar sua vida e ir ao encontro de Cristo. Os magos não sabem onde está menino rei mas partem assim mesmo, procuram aqui e ali, perguntam a todos até achá-lo. Eles não o encontram entre os ricos e poderosos e sim entre os pobres e humildes. A mensagem da Salvação foi acolhida pelos pobres, humildes e os gentios antes de ser acolhida pelos judeus, pois em Cristo todos recebem a mesma Salvação.

Quanto a nós, vamos seguir o exemplo dos magos e sair ao encontro de Jesus nas periferias sociais e existênciais de forma comprometida e corajosa, sejamos solidários e tratemos todos com justiça atendendo a cada um conforme a suas necessidades para que um dia nos encontramos com o menino e adorá-Lo face a face

Diácono Bernardo Tura

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

A vida nova em Cristo.

Da Carta de São Paulo aos Colossenses 2,16–3,4

Irmãos: 2,16 Ninguém vos censure por causa de comidas e bebidas, dias de festa, luas novas ou sábados. 17 Essas coisas são apenas sombra do que devia chegar, mas a realidade que elas anunciam é Cristo. 18 Ninguém vos seduza, argumentando com pretensa humildade e devoção aos anjos, metido em visões e vangloriando-se à medida da sua carne. 19 Tal pessoa não se mantém unida à Cabeça, que faz com que todo o corpo, alimentado e unido pelas junturas e articulações, se desenvolva com o crescimento dado por Deus.

20 Se morrestes com Cristo para os elementos deste mundo, por que vos submeteis, como se fôsseis ainda deste mundo, a tais prescrições? 21 “Não peques, não proves, não toques”, 22 tudo isso não passa de preceitos e ensinamentos de homens e refere-se a coisas que se desgastam com o uso. 23 Na verdade, essas coisas têm aparência de sabedoria, por serem uma prática religiosa, um sinal de humildade, uma ascese corporal; mas não têm valor algum, a não ser para a complacência da carne.

3,1 Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus, 2 aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres.  3 Pois vós morrestes, e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo, então vós aparecereis também com ele, revestidos de glória.

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Se chegaram a tão vasta ciência, a ponto de investigarem o universo,como é que não encontraram mais facilmente o seu Senhor?

 Livro da Sabedoria 13,1-9

São insensatos por natureza todos os homens que ignoram a Deus, os que, partindo dos bens visíveis, não foram capazes de conhecer aquele que é; nem tampouco, pela consideração das obras, chegaram a reconhecer o Artífice. Tomaram por deuses, por governadores do mundo, o fogo e o vento, o ar fugidio, o giro das estrelas, a água impetuosa, os luzeiros do dia. Se, encantados por sua beleza, tomaram estas criaturas por deuses, reconheçam quanto o seu Senhor está acima delas:
pois foi o autor da beleza quem as criou. Se ficaram maravilhados com o seu poder e a sua atividade, concluam daí quanto mais poderoso é aquele que as formou: de fato, partindo da grandeza e da beleza das criaturas, pode-se chegar a ver, por analogia, aquele que as criou. Contudo, estes merecem menor repreensão: talvez se tenham extraviado procurando a Deus e querendo encontrá-lo.
Com efeito, vivendo entre as obras dele, põem-se a procurá-lo,
mas deixam-se seduzir pela aparência, pois é belo aquilo que se vê! Mesmo assim, nem a estes se pode perdoar: porque, se chegaram a tão vasta ciência,
a ponto de investigarem o universo, como é que não encontraram mais facilmente o seu Senhor?
Palavra do Senhor.