quinta-feira, 29 de abril de 2021

Provei e vi

Do Diálogo sobre a divina Providência, de Santa Catarina de Sena

 (Cap. 167, Gratiarum actio ad Trinitatem:
ed.lat., Ingolstadi 1583, f.290v-291)

(Séc.XIV)

 Provei e vi

Ó Divindade eterna, ó eterna Trindade, que pela união da natureza divina tanto fizeste valer o sangue de teu Filho unigênito! Tu, Trindade eterna, és como um mar profundo, onde quanto mais procuro mais encontro; e quanto mais encontro, mais cresce a sede de te procurar. Tu sacias a alma, mas de um modo insaciável; porque, saciando-se no teu abismo, a alma permanece sempre sedenta e faminta de ti, ó Trindade eterna, cobiçando e desejando ver-te à luz de tua luz.

 Provei e vi em tua luz com a luz da inteligência, o teu insondável abismo, ó Trindade eterna, e a beleza de tua criatura. Por isso, vendo-me em ti, vi que sou imagem tua por aquela inteligência que me é dada como participação do teu poder, ó Pai eterno, e também da tua sabedoria, que é apropriada ao teu Filho unigênito. E o Espírito Santo, que procede de ti e de teu Filho, deu-me a vontade que me torna capaz de amar-te.

 Pois tu, ó Trindade eterna, és criador e eu criatura; e conheci – porque me fizeste compreender quando de novo me criaste no sangue de teu Filho – conheci que estás enamorado pela beleza de tua criatura.

 Ó abismo, ó Trindade eterna, ó Divindade, ó mar profundo! Que mais poderias dar-me do que a ti mesmo? Tu és um fogo que arde sempre e não se consome. Tu és que consomes por teu calor todo o amor profundo da alma. Tu és de novo o fogo que faz desaparecer toda frieza e iluminas as mentes com tua luz. Com esta luz me fizeste conhecer a verdade.

 Espelhando-me nesta luz, conheço-te como Sumo Bem, o Bem que está acima de todo bem, o Bem feliz, o Bem incompreensível, o Bem inestimável, a Beleza que ultrapassa toda beleza, a Sabedoria superior a toda sabedoria. Porque tu és a própria Sabedoria, tu,o pão dos anjos, que no fogo da caridade te deste aos homens.

 Tu és a veste que cobre minha nudez; alimentas nossa fome com a tua doçura, porque és doce sem amargura alguma. Ó Trindade eterna!

domingo, 25 de abril de 2021

Cristo, o bom pastor

Das Homilias sobre os Evangelhos, de São Gregório Magno, papa

(Hom. 14,3-6:PL76,1129-1130)
(Séc.VI)

Cristo, o bom pastor

Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas, isto é, eu as amo, e minhas ovelhas me conhecem (Jo 10,14). É como se quisesse dizer francamente: elas correspondem ao amor daquele que as ama. Quem não ama a verdade, é porque ainda não conhece perfeitamente. Depois de terdes ouvido, irmãos caríssimos, qual é o perigo que corremos, considerai também, por estas palavras do Senhor, o perigo que vós também correis. Vede se sois suas ovelhas, vede se o conheceis, vede se conheceis a luz da verdade. Se o conheceis, quero dizer, não só pela fé, mas também pelo amor, se o conheceis não só pelo que credes, mas também pelas obras. O mesmo evangelista João, de quem são estas palavras, afirma ainda: Quem diz: “Eu conheço Deus”, mas não guarda os seus mandamentos, é mentiroso (1Jo 2,4).

Por isso, nesta passagem do evangelho, o Senhor acrescenta imediatamente: Assim como o Pai me conhece, eu também conheço o Pai e dou minha vida por minhas ovelhas (Jo 10,15). Como se dissesse explicitamente: a prova de que eu conheço o Pai e sou por ele conhecido, é que dou minha vida por minhas ovelhas; por outras palavras, este amor que me leva a morrer por minhas ovelhas, mostra o quanto eu amo o Pai.

Continuando a falar de suas ovelhas, diz ainda: Minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna (Jo 10,27-28). É a respeito delas que fala um pouco acima: Quem entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem (Jo 10,9). Entrará, efetivamente, abrindo-se à fé; sairá passando da fé à visão e à contemplação, e encontrará pastagem no banquete eterno. Suas ovelhas encontram pastagem, pois todo aquele que o segue na simplicidade de coração é nutrido por pastagens sempre verdes. Quais são afinal as pastagens dessas ovelhas, senão as profundas alegrias de um paraíso sempre verdejante? Sim, o alimento dos eleitos é o rosto de Deus, sempre presente. Ao contemplá-lo sem cessar, a alma sacia-se eternamente com o alimento da vida.

Procuremos, portanto, irmãos caríssimos, alcançar essas pastagens, onde nos alegraremos na companhia dos cidadãos do céu. Que a própria alegria dos bem-aventurados nos estimule. Corações ao alto, meus irmãos! Que a nossa fé se afervore nas verdades em que acreditamos; inflame-se o nosso desejo pelas coisas do céu. Amar assim já é pôr-se a caminho. Nenhuma contrariedade nos afaste da alegria desta solenidade interior. Se alguém, com efeito, pretende chegar a um determinado lugar, não há obstáculo algum no caminho que o faça desistir de chegar aonde deseja. Nenhuma prosperidade sedutora nos iluda. Insensato seria o viajante que, contemplando a beleza da paisagem, se esquece de continuar sua viagem até o fim.


quinta-feira, 22 de abril de 2021

Quem comer deste pão viverá eternamente


 Evangelho de Jesus Cristo segundo São João 6,44-51

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 44Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrai. E eu o ressuscitarei no último dia. 45Está escrito nos Profetas: `Todos serão discípulos de Deus.' Ora, todo aquele que escutou o Pai e por ele foi instruído, vem a mim. 46Não que alguém já tenha visto o Pai. Só aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. 47Em verdade, em verdade vos digo, quem crê, possui a vida eterna. 48Eu sou o pão da vida. 49Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. 50Eis aqui o pão que desce do céu: quem dele comer, nunca morrerá. 51Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo'.

Palavra da Salvação.

Existe uma relação direta entre o Filho e o Pai. Como já escrevi anteriormente, segundo Santo Inácio de Loyola, a encarnação da segunda pessoa da Trindade é uma decisão coletiva. O Filho revela o Pai. Mas, é o Pai que suscita nos corações o desejo desse encontro da humanidade com o Filho. Não basta aproximar-se do Filho. É preciso entender que o Filho e o Pai são um. E que o Filho não faz o que quer, mas aquilo que é desejo do Pai.

O Pai dá a vida. O Filho, alimenta a vida. Esse alimento é sua palavra. Quem come desse alimento não morrerá. Quem vive conforme Jesus instruiu, terá  vida eterna. Crer em Jesus é fazer-se um outro Cristo para a humanidade de nosso tempo. 

O alimento que recebemos de Jesus serve para irmos ao encontro dos nossos irmãos que sofrem, que passam fome, que tem sede, que estão nus, que estão privados da liberdade ou doentes. Que vagueiam pelo mundo por não ter um lugar para morar. 

terça-feira, 20 de abril de 2021

'Pão do céu deu-lhes a comer'


Evangelho de Jesus Cristo segundo São João 6,30-35

Naquele tempo, a multidão perguntou a Jesus: 30'Que sinal realizas, para que possamos ver e crer em ti?' Que obra fazes? 31Nossos pais comeram o maná no deserto, como está na Escritura: 'Pão do céu deu-lhes a comer'.  32Jesus respondeu: 'Em verdade, em verdade vos digo, não foi Moisés quem vos deu o pão que veio do céu. É meu Pai que vos dá o verdadeiro pão do céu. 33Pois o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo.' 34Então pediram: 'Senhor, dá-nos sempre desse pão'. 35Jesus lhes disse: 'Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede.

Palavra da Salvação.

O pão traz em si uma simbologia fundamental para a nossa vida. O pão representa para nós a comida, o sustento, a força necessária para o trabalho e para nos colocarmos em prontidão para o louvor de Deus. Pão é vida, pão é sustento. Pão é partilha. Pão é solidariedade.

O pão dado por Deus, através de Moisés, durante a travessia do deserto foi um sinal muito forte. E mais interessante ainda, é notar que esse pão era diário. Cada pessoas deveria pegar aquilo que lhe fosse necessário para um dia; não poderia haver acúmulo. O maná estrava de um dia para outro. 

Os contemporâneos de Jesus lhe pedem um sinal. Muitas pessoas hoje querem sinais extraordinários. Muitos deixam de crer porque querem um sinal físico. Jesus alerta, "não só de pão vive o homem, mas de toda palavra da boca de Deus".

Observemos que Jesus diz que o pão verdadeiro é aquele que desce do céu e que dá a vida ao mundo. A vida brota das mãos de Deus. E Jesus é esse pão. Sua palavra, seus ensinamentos, sua vida. Sua proposta de construção de uma nova humanidade. 

Hoje em dia, transferimos isso para a eucaristia. Mas do que adianta alimentarmo-nos da eucaristia se não fazemos o que Jesus nos mandou? Do que adiante nos alimentarmos da eucaristias se ainda há filhas e filhos de Deus que passam fome, que não tem onde morar, que lhes falta a roupa para cobrir o corpo, o hospital para cuidar da saúde, o ambiente escolar para sua formação? 

O pão do céu é revolucionário. Aqueles que nos alimentamos desse pão devemos ser pessoas diferentes no mundo. Pessoas que agem para gerar vida, e não pessoas que defendam políticas públicas que geram morte e destruição. Se nos alimentamos desse pão descido do céu, se sentimos fome desse pão, não é para nossa satisfação; mas para termos forças para transformar o mundo. Rejeitar o mal. Assumir uma postura de partilhas, de fraternidade, de solidariedade. 

Hoje meditamos sobre o alimento. Sobre o pão. Lembre-se, ao pão descido do céu, precedeu o lava-pés. O pão descido do céu, levou a cruz. Ao pão descido do céu nos convoca à solidariedade, ao acolhimento, ao caminhar junto com todas as pessoas de boa vontade.

sábado, 17 de abril de 2021

Não tenhais medo, Sou Eu



Evangelho de Jesus Cristo segundo São João 6,16-21

16Ao cair da tarde, os discípulos desceram ao mar. 17Entraram na barca e foram em direção a Cafarnaum, do outro lado do mar. Já estava escuro, e Jesus ainda não tinha vindo ao encontro deles. 18Soprava um vento forte e o mar estava agitado. 19Os discípulos tinham remado mais ou menos cinco quilômetros, quando enxergaram Jesus, andando sobre as águas e aproximando-se da barca. E ficaram com medo. 20Mas Jesus disse: 'Sou eu. Não tenhais medo'. 21Quiseram, então, recolher Jesus na barca, mas imediatamente a barca chegou à margem para onde estavam indo.

Palavra da Salvação.

Temos uma cena emblemática. Os discípulos de Jesus estão num barco. Estão indo para Cafarnaum. Estavam já a uma distância de 5Km de onde haviam saído. Um vento forte agitava a barca. Jesus vai ao encontro deles andando sobre o mar. E diz aos discípulos, "Não tenhais medo"!

Normalmente, se diz que a barca representa a Igreja. Não nego isso. Mas quero trazer para nós hoje uma outra perspectiva da barca. Já pensaram que a barca pode ser a nossa vida? A vida da humanidade? E que o vento são as nossas dores? 

Ao olharmos para a barca como sendo nossa vida, vemos que passamos por tantas agitações: doenças, guerras, mortes, corrupção, discriminações. E ali, bem diante de nós, está Jesus. E ele nos diz, "não tenhais medo, Sou Eu". Deus está junto de nós nos momentos de sofrimento pelos quais passamos. A barca de nossa vida é agitada pelas tormentas e pelos sofrimentos do mundo. 

Olhemos para a barca onde estavam os discípulos como nossa vida. O vento forte, as dores, os problemas, as dificuldades pelas quais passamos. E Jesus, diante de nós dizendo, "Não tenhais medo", "SOU EU".

sexta-feira, 16 de abril de 2021

Jesus retirou-se de novo


Há uma música que diz, "bastariam cinco pães e dois peixes, e o milagre do amor, pra acabar com tanta fome, acabar com tanta dor".

Jesus está diante de uma multidão que o seguia. Essa multidão não estava preocupada com as palavras de Jesus. Mas, queriam ver sinais. Tal como hoje, as pessoas pensam em seus problemas individuais. Apesar de falarem que se preocupam com os outros, mas vão atrás de Deus para se sentirem bem, verem suas dores pessoais curadas, suas angústias acalmadas. 

O olhar de Jesus não é individual. Jesus, sendo Deus, olha para aquela multidão na sua totalidade. Olha-os como irmãos e irmãs, como filhas e filhos.

Preocupado com aquelas pessoas diante de dele, pergunta: 'Onde vamos comprar pão para que eles possam comer'? Faz essa pergunta a Filipe, um dos discípulos. Quer ver se ele compreendeu o que aconteceu em Caná. Lembra-se da festa de casamento?

Entretanto, Filipe ainda não havia compreendido que estava diante dele. O discípulo não conseguiu perceber a dimensão de Jesus. Hoje, alguns de nós responderíamos, "Deus provê, Deus proverá". Mas Filipe, como todo ser humano, fez logo a conta de quantos pães seriam necessários para alimentar aquela multidão, e disse que nem duzentas moedas de prata seriam suficientes para tanto pão. Já parou para pensar quanto custa uma moeda de prata hoje, no Brasil, em reais? Em torno de 145 reais. Faça as contas. 145*200=29.000 (vinte e nove mil reais). Tudo isso para alimentar aquela multidão. A ideia do evangelista é mostrar que a ação de Deus não tem valor.

Aparece, então, a figura de um menino. De uma criança. De alguém sem valor naquela sociedade. Alguém que não valeria nem uma moeda de prata. Aparece esse menino, com cinco pães e dois peixes. 

Qualquer pessoa, com o mínimo de consciência, perguntaria o que foi perguntado, como vamos alimentar essa multidão somente com isso?

Aí segue o que conhecemos. Jesus ora ao Pai. Multiplica aqueles pães. Alimenta a multidão. 

Mas, é para o fim do evangelho de hoje é que devemos voltar nossa atenção. João diz que quando Jesus percebeu que estavam querendo proclama-lo rei, ele se retirou. Jesus não veio para ocupar lugar de destaque no mundo. Jesus se fez homem para ir ao encontro dos perseguidos, dos esquecidos, dos que sofrem injúrias. Veio veio para caminhar no meio dos pecadores. Ele deixou-se contaminar pelas impurezas humanas para pode resgata-los. Não veio para ocupar tronos, ou lugar de destaque. Era um verdadeiro profeta, que anuncia aquilo que lhe mandado fazer. Anuncia que o Reino dos Pobres, ou dos que se fazem como ele. O Reino é dos rejeitados. Dos discriminados.

A multiplicação dos pães é interessante. É Deus quem nos alimenta, "o pão nosso de cada dia nos dai hoje". Mas, devemos olhar para o Jesus que buscou as glórias das obras que realizava, mas a humildade do servo sofredor. O anonimato do servo inútil que fazia aquilo que era sua obrigação. 

Jesus não é rei, é servo!

Evangelho de Jesus Cristo segundo João 6,1-15

Naquele tempo: 1Jesus foi para o outro lado do mar da Galileia, também chamado de Tiberíades. 2Uma grande multidão o seguia, porque via os sinais que ele operava a favor dos doentes. 3Jesus subiu ao monte e sentou-se aí, com os seus discípulos. 4Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus. 5Levantando os olhos, e vendo que uma grande multidão estava vindo ao seu encontro, Jesus disse a Filipe: 'Onde vamos comprar pão para que eles possam comer?' 6Disse isso para pô-lo à prova, pois ele mesmo sabia muito bem o que ia fazer. 7Filipe respondeu: 'Nem duzentas moedas de prata bastariam para dar um pedaço de pão a cada um'. 8Um dos discípulos, André, o irmão de Simão Pedro, disse: 9'Está aqui um menino com cinco pães de cevada e dois peixes. Mas o que é isso para tanta gente?' 10Jesus disse: 'Fazei sentar as pessoas'. Havia muita relva naquele lugar, e lá se sentaram, aproximadamente, cinco mil homens. 11Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, tanto quanto queriam. E fez o mesmo com os peixes. 12Quando todos ficaram satisfeitos, Jesus disse aos discípulos: 'Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca!' 13Recolheram os pedaços e encheram doze cestos com as sobras dos cinco pães, deixadas pelos que haviam comido. 14Vendo o sinal que Jesus tinha realizado, aqueles homens exclamavam: 'Este é verdadeiramente o Profeta, aquele que deve vir ao mundo'. 15Mas, quando notou que estavam querendo levá-lo para proclamá-lo rei, Jesus retirou-se de novo, sozinho, para o monte.

Palavra da Salvação.

quinta-feira, 15 de abril de 2021

Quem aceita o seu testemunho atesta que Deus é verdadeiro


Continuamos no evangelho de João. Da mesma forma que ele faz o oposição entre luz e trevas, ele nos leva a refletir sobre a palavra de Deus e a palavra do mundo, "das coisas da terra".

Lembremos que o evangelho de João é um evangelho que nos leva a um aprofundamento de nossa fé. Para João, Jesus veio ao mundo para dar "testemunho daquilo que viu e ouviu". Entretanto, "ninguém aceita esse testemunho". Ele nos instiga a pensarmos se damos crédito às palavras de Jesus, ou não.

Joao nos diz que "quem aceita o seu testemunho (de Jesus) atesta que Deus é verdadeiro". Todas e todos que dão crédito ao testemunho dos discípulos, atestam "que Deus é verdadeiro". Todas e todos que aceitam a palavra da igreja, da comunidade, atestam "que Deus é verdadeiro".

Podemos nos perguntar, mas qual palavra de Deus? Jesus disse que ele fala das coisas do alto, e o que significa isso? Paulo, na carta aos Gálatas, nos dá essa resposta. Ele diz que as pessoas que vivem pelo extinto egoísta são aquelas que vivem e praticam as coisa da terra: "fornicação, impureza, libertinagem, 20 idolatria, feitiçaria, ódio, discórdia, ciúme, ira, rivalidade, divisão, sectarismo, inveja, bebedeira, orgias e outras coisas semelhantes".

Por outro lado, aqueles que deram crédito ao testemunho de Jesus, e que aceitaram viver essa palavra, passaram a ser mulheres e homens que dão os frutos conforme o Espírito: "amor, alegria, paz, paciência, bondade, benevolência, fé, 23 mansidão e domínio de si".

Hoje, ainda dentro do tempo Pascal, somos chamados a pensarmos como estamos vivendo essa palavra de Jesus que dizemos ter aceitado.

Reflita sobre isso hoje. Deixe-se moldar pela mulher e homem novos. É hora de construirmos a nova humanidade. A nova sociedade, onde não haja racismo, misoginia, homofobia, destruição do meio ambiente. Onde a fabricação de armas não seja uma prioridade. Onde a defesa da vida seja o principal ponto da nossa existência. 

Evangelho de Jesus Cristo segundo João 3,31-36

31- 'Aquele que vem do alto está acima de todos. O que é da terra, pertence à terra e fala das coisas da terra. Aquele que vem do céu está acima de todos. 32Dá testemunho daquilo que viu e ouviu, mas ninguém aceita o seu testemunho. 33Quem aceita o seu testemunho atesta que Deus é verdadeiro. 34De fato, aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, porque Deus lhe dá o espírito sem medida. 35O Pai ama o Filho e entregou tudo em sua mão. 36Aquele que acredita no Filho possui a vida eterna. Aquele, porém, que rejeita o Filho não verá a vida, pois a ira de Deus permanece sobre ele'.

Palavra da Salvação.