quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Da História do martírio dos santos Paulo Miki e seus companheiros, escrita por um autor do tempo.

 Da História do martírio dos santos Paulo Miki e seus companheiros, escrita por um autor do tempo

 (Cap.14,109-110:Acta Sanctorum Febr. 1, 769)

 (Séc. XVI)

Sereis minhas testemunhas

Quando as cruzes foram levantadas, foi coisa admirável ver a constância de todos, à qual eram exortados pelo Padre Passos e pelo Padre Rodrigues. O Padre Comissário permaneceu sempre de pé, sem se mexer e com os olhos fixos no céu. O Irmão Martinho cantava salmos de ação de graças à bondade divina, aos quais acrescentava o versículo: Em vossas mãos, Senhor (Sl 30,6). Também o Irmão Francisco Blanco dava graças a Deus com voz clara. O Irmão Gonçalo recitava em voz alta o Pai-nosso e a Ave-Maria.

 O nosso Irmão Paulo Miki, vendo-se colocado diante de todos no mais honroso púlpito que nunca tivera, começou por declarar aos presentes que era japonês e pertencia à Companhia de Jesus, que ia morrer por haver anunciado o Evangelho e que dava graças a Deus por lhe conceder tão imenso benefício. E por fim disse estas palavras: “Agora que cheguei a este momento de minha vida, nenhum de vós duvidará que eu queira esconder a verdade. Declaro-vos, portanto, que não há outro caminho para a salvação fora daquele seguido pelos cristãos. E como este caminho me ensina a perdoar os inimigos e os que me ofenderam, de todo o coração perdôo o Imperador e os responsáveis pela minha morte, e lhes peço que recebam o batismo cristão.

 Em seguida, voltando os olhos para os companheiros, começou a encorajá-los neste momento extremo. No rosto de todos transparecia uma grande alegria, mas era no de Luís que isto se percebia de modo mais nítido. Quando um cristão gritou que em breve estaria no paraíso, ele fez com as mãos e o corpo um gesto tão cheio de contentamento que os olhares dos presentes se fixaram nele.

Antônio estava ao lado de Luís, com os olhos voltados para o céu. Depois de invocar os santíssimos nomes de Jesus e de Maria, entoou o salmo Louvai, louvai, ó servos do Senhor (Sl 112,1), que tinha aprendido na escola de catequese em Nagasáki; de fato, durante o catecismo, costumavam ensinar alguns salmos às crianças.

 Alguns repetiam com o rosto sereno: “Jesus, Maria”; outros exortavam os presentes a levarem uma vida digna de cristãos; e por estas e outras ações semelhantes demonstravam estar prontos para a morte.

 Finalmente os quatro carrascos começaram a tirar as espadas daquelas bainhas que os japoneses costumam usar. Vendo cena tão horrível, os fiéis gritavam: “Jesus! Maria!” Seguiram-se lamentos tão sentidos de tocar os próprios céus. Ferindo-os com um primeiro e um segundo golpe, em pouco tempo os carrascos mataram a todos.

Se em algum lugar não vos receberem, nem quiserem vos escutar, quando sairdes, sacudi a poeira dos pés, como testemunho contra eles!

*Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 6,7-13*

Naquele tempo: Jesus chamou os doze, e começou a enviá-los dois a dois, dando-lhes poder sobre os espíritos impuros. Recomendou-lhes que não levassem nada para o caminho, a não ser um cajado; nem pão, nem sacola, nem dinheiro na cintura. Mandou que andassem de sandálias e que não levassem duas túnicas. E Jesus disse ainda: 'Quando entrardes numa casa, ficai ali até vossa partida. Se em algum lugar não vos receberem, nem quiserem vos escutar, quando sairdes, sacudi a poeira dos pés, como testemunho contra eles!' Então os doze partiram e pregaram que todos se convertessem. Expulsavam muitos demônios e curavam numerosos doentes, ungindo-os com óleo.
Palavra da Salvação.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

"Um profeta só não é estimado em sua pátria".

Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 6,1-6

Naquele tempo: Jesus foi a Nazaré, sua terra, e seus discípulos o acompanharam. Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga. Muitos que o escutavam ficavam admirados e diziam: 'De onde recebeu ele tudo isto? Como conseguiu tanta sabedoria? E esses grandes milagres que são realizados por suas mãos? Este homem não é o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão Suas irmãs não moram aqui conosco?' E ficaram escandalizados por causa dele. Jesus lhes dizia: 'Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares'. E ali não pôde fazer milagre algum. Apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos. E admirou-se com a falta de fé deles. Jesus percorria os povoados das redondezas, ensinando.
Palavra da Salvação.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

'Não tenhas medo. Basta ter fé!'

Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 5,21-43

Naquele tempo: Jesus atravessou de novo, numa barca,
para a outra margem. Uma numerosa multidão se reuniu junto dele, e Jesus ficou na praia.
Aproximou-se, então, um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo. Quando viu Jesus, caiu a seus pés, e pediu com insistência: 'Minha filhinha está nas últimas. Vem e pðe as mãos sobre ela, para que ela sare e viva!' Jesus então o acompanhou.
Uma numerosa multidão o seguia e o comprimia. Ora, achava-se ali uma mulher
que, há doze anos, estava com uma hemorragia; tinha sofrido nas mãos de muitos médicos,
gastou tudo o que possuía, e, em vez de melhorar, piorava cada vez mais. Tendo ouvido falar de Jesus, aproximou-se dele por detrás, no meio da multidão, e tocou na sua roupa. Ela pensava:
'Se eu ao menos tocar na roupa dele, ficarei curada'. A hemorragia parou imediatamente, e a mulher sentiu dentro de si que estava curada da doença.
Jesus logo percebeu que uma força tinha saído dele. E, voltando-se no meio da multidão, perguntou: 'Quem tocou na minha roupa?' Os discípulos disseram: 'Estás vendo a multidão que te comprime e ainda perguntas: 'Quem me tocou'?' Ele, porém, olhava ao redor para ver quem havia feito aquilo.
A mulher, cheia de medo e tremendo, percebendo o que lhe havia acontecido, veio e caíu aos pés de Jesus, e contou-lhe toda a verdade. Ele lhe disse: 'Filha, a tua fé te curou. Vai em paz e fica curada dessa doença'.
Ele estava ainda falando, quando chegaram alguns da casa do chefe da sinagoga, e disseram a Jairo: 'Tua filha morreu. Por que ainda incomodar o mestre?' Jesus ouviu a notícia e disse ao chefe da sinagoga: 'Não tenhas medo. Basta ter fé!' E não deixou que ninguém o acompanhasse, a não ser Pedro, Tiago e seu irmão João.
Quando chegaram à casa do chefe da sinagoga, Jesus viu a confusão e como estavam chorando e gritando. Então, ele entrou e disse: 'Por que essa confusão e esse choro? A criança não morreu, mas está dormindo'. Começaram então a caçoar dele. Mas, ele mandou que todos saíssem, menos o pai e a mãe da menina, e os três discípulos que o acompanhavam. Depois entraram no quarto onde estava a criança. Jesus pegou na mão da menina e disse: 'Talitá cum' - que quer dizer: 'Menina, levanta-te!' Ela levantou-se imediatamente e começou a andar, pois tinha doze anos. E todos ficaram admirados. Ele recomendou com insistência
que ninguém ficasse sabendo daquilo. E mandou dar de comer à menina.
Palavra da Salvação.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

'Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.'

Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 4,1-20

Naquele tempo: Jesus começou a ensinar de novo às margens do mar da Galiléia. Uma multidão muito grande se reuniu em volta dele, de modo que Jesus entrou numa barca e se sentou, enquanto a multidão permanecia junto às margens, na praia. Jesus ensinava-lhes muitas coisas em parábolas. E, em seu ensinamento, dizia-lhes: 'Escutai! O semeador saiu a semear. Enquanto semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho; vieram os pássaros e a comeram. Outra parte caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra; brotou logo, porque a terra não era profunda,
mas, quando saiu o sol, ela foi queimada; e, como não tinha raiz, secou. Outra parte caiu no meio dos espinhos; os espinhos cresceram, a sufocaram, e ela não deu fruto. Outra parte caiu em terra boa e deu fruto, que foi crescendo e aumentando, chegando a render trinta, sessenta e até cem por um.' E Jesus dizia: 'Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.' Quando ficou sozinho, os que estavam com ele, junto com os Doze, perguntaram sobre as parábolas.
Jesus lhes disse: 'A vós, foi dado o mistério do Reino de Deus; para os que estão fora, tudo acontece em parábolas, para que olhem mas não enxerguem,
escutem mas não compreendam, para que não se convertam e não sejam perdoados.' E lhes disse: 'Vós não compreendeis esta parábola? Então, como compreendereis todas as outras parábolas? O semeador semeia a Palavra. Os que estão à beira do caminho são aqueles nos quais a Palavra foi semeada; logo que a escutam, chega Satanás e tira a Palavra que neles foi semeada. Do mesmo modo, os que receberam a semente em terreno pedregoso,
são aqueles que ouvem a Palavra e logo a recebem com alegria, mas não têm raiz em si mesmos, são inconstantes; quando chega uma tribulação ou perseguição, por causa da Palavra, logo desistem. Outros recebem a semente entre os espinhos: são aqueles que ouvem a Palavra; mas quando surgem as preocupações do mundo, a ilusão da riqueza e todos os outros desejos, sufocam a Palavra, e ela não produz fruto. Por fim, aqueles que recebem a semente em terreno bom, são os que ouvem a Palavra, a recebem e dão fruto; um dá trinta, outro sessenta e outro cem por um.'
Palavra da Salvação.

domingo, 26 de janeiro de 2020

A Palavra de Deus é a Luz que ilumina a nossa vida.

3° Domingo do Tempo Comum

Neste domingo as leituras nos mostram   a felicidade de sermos iluminados pela Palavra de Deus que nos salva, nos converte e nos envia.

Na primeira leitura,  Isaías nos fala da luz que surge na região da escuridão. De fato aquele lugar era desprezado por toda a Israel. Como resultado de uma invasão, o povo de lá foi trocado por uma população de estrangeiros. Era a chamada de "Galiléia dos pagãos". 

No Salmo,  afirmamos que o Senhor é nossa Luz, é a nossa salvação, Ele é suave e bom. 

Na segunda leitura, Paulo mostra que surgem divisões em comunidades e também revela a forma de superá-las. Nós devemos evitar as idéias que levam a desunião e buscar em Cristo como único exemplo.

No Evangelho,  vemos o que Isaías profetizou se realizar, quando a perseguição de Herodes leva Jesus a sair de Nazaré. Ele poderia ter escolhido qualquer lugar para ir, mas escolhe a região desprezada.  Ali, na região desprezada e marginalizada cujo o povo era vítima de preconceito e exclusão, é onde inicia a Caminhada que nos dá a Salvação, a grande Luz que brilha na região das trevas da morte. A luz que trás a Vida é manifesta no mundo pela Palavra de Cristo. É assim que Ele chega até nós e, para a surpresa de muitos, começa a selecionar seus companheiros mais próximos entre aqueles que estavam à margem da sociedade, os pescadores da Galiléia dos pagãos.

Quanto a nós, devemos ter Cristo como nosso exemplo, devemos ser bons e suaves, devemos ir ao encontro das periferias sociais e existênciais e mostrar que toda a forma de exclusão é, por si só, errada e acolher a todos e todas. Sigamos e vivamos intensamente a Palavra de Deus para sermos luz do mundo

Diácono Bernardo Tura

sábado, 25 de janeiro de 2020

"Converte-vos, porque o Reino dos Céus está próximo".

A missão principal de Jesus era anunciar a presença do Reino dos Céus no meio de nós.
Após o Batismo, e ter sido conduzido ao deserto, Jesus percebe que essa missão envolvia um certo grau de perigo, pois a lógica do Reino dos Céus é diferente da lógica das coisas do mundo. Toda a sua vida, Jesus sempre vai falar de como é o Reino. De como se faz para fazer parte do Reino. Suas palavras, seus gestos, suas ações demonstram como os seres humanos devem viver para fazer parte desse Reino.
O Reino dos Céus é uma nova sociedade. É um jeito novo de nos relacionarmos com os outros. É um Reino onde não há opressão, onde não há divisão de classes, onde não há hierarquias. Um Reino de solidariedade. Um Reino onde o maior é o menor de todos, e mais ainda, é aquele que serve. É um Reino de pessoas que servem umas às outras, e não onde uns poucos são servidos pela maioria.
João Batista já havia pregado a presença desse Reino meio de nós. E por isso foi preso. Jesus percebeu que o anuncio do Reino não seria bem vindo no centro do poder, na capital. Que a periferia entenderia mais essa mensagem. Aqueles e aquelas que são oprimidos e oprimidas pelas autoridades do tempo. Por isso, após saber que João havia sido preso, partiu para a Galileia.
Mas, voltemos.
Só dão valor à luz os que vivem na escuridão. No nosso caso, a escuridão espiritual. a escuridão social, a escuridão política, a escuridão existencial. Jesus é a luz que ilumina o caminho da nova sociedade, do novo céu e da nova terra. 
O profeta Isaías nos alerta para a grande luz que o povo que andava na escuridão viu. Essa luz, faz crescer a alegria e aumenta a felicidade. Além da libertação do jugo que oprimia o povo.
A presença do Reino dos Céus, no meio de nós, não é etérea. É um Reino que se faz no aqui e agora, nas relações sociais. Afirma São Paulo, "eu vos exorto a que sejais todos concordes uns com os outros e não admitais divisões entre vós. Pelo contrário, sede bem unidos e concordes no pensar e no falar". 
O evangelho do Reino dos Céus nos leva a transformarmos as relações sociais. Nos leva a uma fé madura e misericordiosa. Uma fé que busca estar inserida na vida dos pobres, dos excluídos, dos despossuídos, dos famintos, dos sedentos, dos doentes e encarcerados. Uma fé que mude a vida concretamente.
Jesus andou por toda a Galileia "ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo".
Hoje somos convocados, como os apóstolos, a sermos continuadores dessa missão. Denunciando todo tipo de política que aniquila hospitais públicos, e que não atende a população que passa fome. 
Ser apóstolo, ser pescador de homens, é assumir a missão de anunciar o Evangelho do Reino, de ser portador da luz que tira o jugo do povo oprimido.
Frutifiquemos em boas obras, segundo Jesus Cristo.
Diácono Marcos Gayoso.