quarta-feira, 14 de abril de 2021

Quem pratica o mal odeia a luz


O evangelho de hoje nos leva a várias reflexões possíveis. Depende de como olhamos a palavra de Deus. Depende do que "buscamos" na palavra de Deus.

Quero partilhar com vocês uma frase que me chamou a atenção, "Quem pratica o mal odeia a luz" (20). O evangelho de João é permeado pela dicotomia trevas x luz, desde o início.

Jesus fala em praticar o mal. Isso pode nos confundir. Mas essa palavra é bem clara. Quais são as ações de quem pratica o mal? Enumero algumas: não dar de comer a quem tem fome; não dar de beber a quem tem sede; não vestir os nus; não consolar os doentes e encarcerados; não acolher os refugiados-peregrinos. 

Ainda mais, lembremos que aqueles que são da luz vivem as bem aventuranças, ou seja, são misericordiosos, são promotores da paz, são mansos, são os que têm fome e sede de justiça, são os perseguidos por causa da justiça.

Paulo ao escrever aos Gálatas, diz que os frutos do Espírito (luz) são, "amor, alegria, paz, paciência, bondade, benevolência, fé, mansidão e domínio de si" (Gal 5,22-23). Em oposição às obras das trevas que ele chama de "instintos egoístas": "as obras dos instintos egoístas são bem conhecidas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, feitiçaria, ódio, discórdia, ciúme, ira, rivalidade, divisão, sectarismo, inveja, bebedeira, orgias e outras coisas semelhantes".

Obras das trevas são a negação da vacina contra a covid para toda a população brasileira. Os atos de corrupção que desviam verbas públicas da saúde, prejudicando milhares de vida dos pobres; atos de incentivo a violência; defesa de armar a população; desvalorizar a ciência, a cultura e a educação. Propor leis que permitam a destruição do meio ambiente, nossa Casa Comum (Papa Francisco). Ações homofóbicas, misóginas, racistas. E muitas outras ações.

Deus é Pai de todas e de todos. É Pai Nosso. Todas e todos somos suas filhas e filhos. Faça um exame de consciência, veja que ações das trevas você ainda pratica, e peça a Deus que lhe ajude a ser um cristão, uma cristã, uma pessoa melhor.

Deus lhe abençoe.

Evangelho de Jesus Cristo segundo João 3,16-21

16Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. 17De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. 18Quem nele crê, não é condenado, mas quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito. 19Ora, o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más. 20Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas. 21Mas quem age conforme a verdade aproxima-se da luz, para que se manifeste que suas ações são realizadas em Deus.

Palavra da Salvação.

domingo, 11 de abril de 2021

2º Domingo da Páscoa - Festa da Divina Misericórdia


Hoje estamos celebrando o Domingo da Divina Misericórdia. Festa instituída por São João Paulo II em 2000, quando da canonização de Madre Maria Faustina.

Os papas, iluminados pelo Espírito Santo, são inspirados a instituírem festas e celebrações que nos recordam as ações de Jesus, ou que nos fazem lembrar que ser cristão católico é viver a caridade com o próximo. Exemplo, a instituição do dia do Pobre pelo Papa Francisco, a ser celebrada no último domingo do Tempo Comum, o domingo que antecede a Solenidade de Cristo Rei.

Jesus veio chamar os que estavam perdidos. Jesus veio para os doentes, para os pecadores, para os afastados da graça de Deus. Jesus veio mostrar que Deus é Pai de todas e de todos. Veio liberta da lei e da doutrina que escraviza e discrimina as pessoas. Veio mostrar a piedade divina para com a humanidade.

Ao celebramos o 2º Domingo da Páscoa, e fazermos memória da Misericórdia de Deus, somos chamados a olhar para nós, em particular, e pensarmos: como vivemos a misericórdia de Deus? 

João narra a aparição de Jesus aos seus discípulos. Estes estavam com medo. Medo de serem perseguidos, de passarem pela tortura, de morrer na cruz, como um bandido. A morte de Jesus ainda era muito recente. Tudo muito próximo. O medo fez com que eles se trancassem. 

Entretanto, nada pode prender Jesus ressuscitado. A ressurreição deu a Ele domínio sobre o tempo e espaço. 

Jesus entra no lugar onde estão os discípulos. Se coloca no meio deles. E deseja a Paz. Observemos que o medo tira de nós a paz; paz que testemunha a vida de Jesus. 

Jesus diz, "A paz esteja convosco". Nós não alcançamos o valor e significado dessa saudação. Ela é muito mais do que simplesmente a ausência de conflito. A paz hebraica é sinal de libertação. Libertação da escravidão. Libertação de tudo que possa oprimir os seres humanos. A paz de Jesus liberta da opressão da lei, da opressão da discriminação. É uma paz que impulsiona para ir ao encontro dos outros.

A paz dada por Jesus é fruto do Espírito Santo. Foi esse mesmo espírito que fez Jesus agir, curar, libertar, ressuscitar.

Não há paz sem perdão. Sem misericórdia. Por isso, os discípulos recebem o poder de perdoar os pecados. Todos os que estavam naquele lugar receberam esse poder. De nada adianta você pedir perdão se você não perdoa. A partir daquele momento, eles passam a ser missionários da misericórdia. Do perdão. E nós o somos também.

Porém, temos um ruído nessa comunicação, Tomé. Ele não estava junto com os discípulos quando Jesus apareceu. Quando ouviu que Jesus esteve ali, ele duvidou. 

É preciso que toda a comunidade dos seguidores de Jesus creiam na ressurreição. Por isso, Jesus retorna uma semana depois. Deixou Tomé pensando no fato que lhe fora narrado. Mas ele queria uma comprovação física. E nós conhecemos a história.

Tomé crê porque viu. Mas, Jesus diz que bem-aventurados são aqueles que creem sem verem. Lembremos que os evangelhos são escritos para as comunidades que os discípulos iam formando. Era importante que as pessoas que iam se agregando ao ensinamento dos discípulos entendessem o que era ser cristão. No nosso caso, hoje, é ser missionário da paz. Da paz que perdoa. Que inclui. Que acolhe a todas e a todos. Que age onde o Espírito Santo indica.

Vivamos a misericórdia. Assumamos a nossa cruz. Cristo Ressuscitou para a nossa paz.

Bom domingo. Deus lhe abençoe.

Evangelho de Jesus Cristo segundo João 20,19-31

19Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e pondo-se no meio deles, disse: 'A paz esteja convosco'. 20Depois destas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. 21Novamente, Jesus disse: 'A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio'. 22E depois de ter dito isto, soprou sobre eles e disse: 'Recebei o Espírito Santo. 23A quem perdoardes os pecados eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos'. 24Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. 25Os outros discípulos contaram-lhe depois:  'Vimos o Senhor!'. Mas Tomé disse-lhes: 'Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei'. 26Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: 'A paz esteja convosco'. 27Depois disse a Tomé: 'Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel'. 28Tomé respondeu: 'Meu Senhor e meu Deus!' 29Jesus lhe disse: 'Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!' 30Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro. 31Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.

Palavra da Salvação.

sexta-feira, 9 de abril de 2021

'Vinde comer'


Evangelho de Jesus Cristo segundo São João 21,1-14

Naquele tempo: 1Jesus apareceu de novo aos discípulos, à beira do mar de Tiberíades. A aparição foi assim: 2Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos de Jesus. 3Simão Pedro disse a eles: 'Eu vou pescar'. Eles disseram: 'Também vamos contigo'. Saíram e entraram na barca, mas não pescaram nada naquela noite. 4Já tinha amanhecido, e Jesus estava de pé na margem. Mas os discípulos não sabiam que era Jesus. 5Então Jesus disse: 'Moços, tendes alguma coisa para comer?' Responderam: 'Não'. 6Jesus disse-lhes: 'Lançai a rede à direita da barca, e achareis.' Lançaram pois a rede e não conseguiam puxá-la para fora, por causa da quantidade de peixes. 7Então, o discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: 'É o Senhor!' Simão Pedro, ouvindo dizer que era o Senhor, vestiu sua roupa, pois estava nu, e atirou-se ao mar. 8Os outros discípulos vieram com a barca, arrastando a rede com os peixes. Na verdade, não estavam longe da terra, mas somente a cerca de cem metros. 9Logo que pisaram a terra, viram brasas acesas, com peixe em cima, e pão. 10Jesus disse-lhes: 'Trazei alguns dos peixes que apanhastes'. 11Então Simão Pedro subiu ao barco e arrastou a rede para a terra. Estava cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e apesar de tantos peixes, a rede não se rompeu. 12Jesus disse-lhes: 'Vinde comer'. Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar quem era ele, pois sabiam que era o Senhor. 13Jesus aproximou-se, tomou o pão e distribuiu-o por eles. E fez a mesma coisa com o peixe. 14Esta foi a terceira vez que Jesus, ressuscitado dos mortos, apareceu aos discípulos.

Palavra da Salvação.

A semana logo após a celebração da Páscoa é chamada de Oitava de Páscoa. É um grande dia, celebrando durante uma semana. A liturgia coloca nessa semana todas as narrativas dos evangelhos que tratam da ressurreição de Jesus.

A leitura de hoje se apresenta à beira do mar. Aqueles que somos moradores das cidades litorâneas entendemos bem isso. Jesus está à beira mar não para fazer férias, nem tomar um sol para produzir vitamina D (risos). Ele está aguardando seus discípulos no local de trabalho deles. 

Os discípulos, mesmo tendo sabido que Jesus havia ressuscitado, voltaram para a vidinha sem graça do dia-a-dia. Ainda não haviam percebido o significado de serem testemunhas vivas desse fato. Nem de que eles eram os continuadores da missão de Jesus.

Os discípulos foram pescar. Normal. Não era uma pesca recreativa. Era uma pesca de sobrevivência. Observemos que João enumera sete discípulos nessa atividade pesqueira. Ele nos narra que Pedro disse que iria pescar, e eles se colocaram junto nessa empreitada. Quando perdemos a direção de algo novo em nossas vidas, voltamos ao passado. Àquilo que sabemos fazer, ou que fazíamos antes do encontro com Jesus. Cada momento de nossas vidas acontece num determinado espaço de tempo. As práticas do passado não servem hoje. Mas nos ajudam a encontrar respostas para os novos desafios que surgem.

A pesca não foi produtiva. O retorno às atividades do passado não servem mais como resposta para os novos desafios que se aparecem. É preciso mudar a prática.

Ao retornarem à terra, eles dão de cara com Jesus, mas não o reconhecem. Jesus pede o fruto do trabalho deles. Mas os discípulos informam que não houve êxito, e nada havia sido pescado. 

Pois bem, Jesus sugere que se jogue a rede do lado oposto do barco. Eles se distanciam, não muito longe, cerca de cem metros, e fazem o que Jesus pediu. Qual surpresa não foi quando as redes se encheram de peixes.

Um dos discípulos, João, diz a Pedro que na praia estava Jesus. Pedro, após se vestir, lança-se ao mar. Essas duas imagens são muito significativas. Primeiro, João, reconhece o senhor logo que as redes começam a se encher de peixes. Comunica a Pedro que é Jesus na praia. Pedro, então, se lança ao mar. Pedro sabe que é preciso se lançar, se jogar, não ter medo do mar. Nada pode se colocar entre ele e Jesus. A roupa é um mero detalhe. Isso pode ser refletido em outro momento.

As redes estão cheias. É preciso ajuda para traze-la à praia. Ao chegarem à praia, encontram Jesus com uma pequena fogueira, sobre ela uma grelha e peixe. Mas, mesmo assim, ele pede um pouco do peixe que os discípulos trouxeram. Jesus quer contar com nossos esforços na propagação da Palavra de Deus, na construção da nova humanidade.

João diz que essa foi a terceira aparição de Jesus. 

Quantas vezes, Jesus se apresenta a nós e não o reconhecemos? Há uma canção que diz que Jesus está entre nós na pessoa dos famintos, nos desempregados, está em todas e todos que são discriminados. E a mesma canção diz, "entre nós está, e não o conhecemos; entre nós está, e nós o desprezamos".

Celebrar a ressurreição de Jesus é praticar as obras de misericórdia que ele nos ensinou a praticar: dar de comer a quem tem fome; dar de beber a quem tem sede; vestir os nus; dar abrigo aos peregrinos; visitar os encarcerados; libertar os cativos; enterrar os mortos. E mais ainda, dar bons conselhos; ensinar os ignorantes; corrigir os que erram; consolar os aflitos; perdoar as injúrias; ; sofrer com paciência a fraqueza do próximo; rogar a Deus pelos vivos e mortos.

Se ressuscitamos com Jesus, após passarmos pelas nossas paixões e mortes, devemos ser mensageiros da Nova Humanidade, missionários da Civilização do Amor.

domingo, 4 de abril de 2021

Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus


Evangelho de Jesus Cristo segundo João 20,1-9

1No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. 2Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: 'Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram.' 3Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo. 4Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. 5Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou. 6Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás, e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão 7e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte. 8Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu, e acreditou. 9De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.

Palavra da Salvação.

O evangelho de hoje abre falando da Apóstola dos Apóstolos, como disse o Papa Francisco, Santa Maria Madalena.

Madalena, mulher guerreira. Fiel à Jesus. Esteve aos pés da cruz. Acompanhou Jesus desde sua conversão. Ela é a segunda testemunha da ressurreição. Explico. Segundo Santo Inácio de Loyola, nos Exercícios Espirituais, ele afirma que, sendo Jesus um bom filho, apareceu primeiro a sua mãe.

Madalena vai ao grupo dos apóstolos. Anuncia o que não viu, Não vira o senhor no túmulo. Onde o haviam colocado?

Diante dessas palavras, o evangelista narra que Pedro, e o outro discípulo que amava Jesus, foram correndo. 

Interessante observar, que na construção da ideia da primazia de Pedro sobre os outros apóstolos, João diz que o apóstolo que Jesus amava chegou primeiro, mas que este esperou Pedro para entrar no túmulo.

Jesus não está no túmulo. Venceu a morte. Superou. 

Cristo está no meio de nós. Jesus ressuscitou e se faz presente nos famintos, nos sedentos, nos sem roupa, nos doentes, nos encarcerados, nos refugiados. Cristo está presente em todas e todos que são excluídos, que são discriminados pela cor da pele, que sofrem assédio por serem mulheres. Que morrem pelas mãos do braço armado do estado. 

Cristo está no meio de nós. Ressuscitou. Basta que o reconheçamos. 

Foi por causa dessa mulher destemida, que ficamos sabendo da ressurreição de Jesus. 

sábado, 3 de abril de 2021

Sábado Santo - A descida do Senhor à mansão dos mortos


De uma antiga Homilia no grande Sábado Santo

(PG43,439.451.462-463)               (Séc.IV)

A descida do Senhor à mansão dos mortos

Que está acontecendo hoje? Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei está dormindo; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há séculos. Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos.

Ele vai antes de tudo à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Faz questão de visitar os que estão mergulhados nas trevas e na sombra da morte. Deus e seu Filho vão ao encontro de Adão e Eva cativos, agora libertos dos sofrimentos.

O Senhor entrou onde eles estavam, levando em suas mãos a arma da cruz vitoriosa. Quando Adão, nosso primeiro pai, o viu, exclamou para todos os demais, batendo no peito e cheio de admiração: “O meu Senhor está no meio de nós”. E Cristo respondeu a Adão: “E com teu espírito”. E tomando-o pela mão, disse: “Acorda, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará.

Eu sou o teu Deus, que por tua causa me tornei teu filho; por ti e por aqueles que nasceram de ti, agora digo, e com todo o meu poder, ordeno aos que estavam na prisão: ‘Saí!’; e aos que jaziam nas trevas: ‘Vinde para a luz!’; e aos entorpecidos: ‘Levantai-vos!’

Eu te ordeno: Acorda, tu que dormes, porque não te criei para permaneceres na mansão dos mortos. Levanta-te dentre os mortos; eu sou a vida dos mortos. Levanta-te, obra das minhas mãos; levanta-te, ó minha imagem, tu que foste criado à minha semelhança. Levanta-te, saiamos daqui; tu em mim e eu em ti, somos uma só e indivisível pessoa.

Por ti, eu, o teu Deus, me tornei teu filho; por ti, eu, o Senhor, tomei tua condição de escravo. Por ti, eu, que habito no mais alto dos céus, desci à terra e fui até mesmo sepultado debaixo da terra; por ti, feito homem, tornei-me como alguém sem apoio, abandonado entre os mortos. Por ti, que deixaste o jardim do paraíso, ao sair de um jardim fui entregue aos judeus e num jardim, crucificado.

Vê em meu rosto os escarros que por ti recebi, para restituir-te o sopro da vida original. Vê na minha face as bofetadas que levei para restaurar, conforme à minha imagem, tua beleza corrompida.

Vê em minhas costas as marcas dos açoites que suportei por ti para retirar de teus ombros o peso dos pecados. Vê minhas mãos fortemente pregadas à árvore da cruz, por causa de ti, como outrora estendeste levianamente as tuas mãos para a árvore do paraíso.

Adormeci na cruz e por tua causa a lança penetrou no meu lado, como Eva surgiu do teu, ao adormeceres no paraíso. Meu lado curou a dor do teu lado. Meu sono vai arrancar-te do sono da morte. Minha lança deteve a lança que estava dirigida contra ti.

Levanta-te, vamos daqui. O inimigo te expulsou da terra do paraíso; eu, porém, já não te coloco no paraíso mas num trono celeste. O inimigo afastou de ti a árvore, símbolo da vida; eu, porém, que sou a vida, estou agora junto de ti. Constituí anjos que, como servos, te guardassem; ordeno agora que eles te adorem como Deus, embora não sejas Deus.

Está preparado o trono dos querubins, prontos e a postos os mensageiros, construído o leito nupcial, preparado o banquete, as mansões e os tabernáculos eternos adornados, abertos os tesouros de todos os bens e o reino dos céus preparado para ti desde toda a eternidade”.

Oremos: Pai, cheio de bondade, vosso Filho unigênito desceu à mansão dos mortos e dela surgiu vitorioso; concedei aos vossos fiéis, sepultados com ele no batismo, que, pela força da sua ressurreição, participem da vida eterna, com ele. Que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.

sexta-feira, 2 de abril de 2021

Sexta-feira Santa - As Sete Palavras de Cristo na Cruz


É um costume cristão meditar sobre as palavras de Cristo na cruz na Sexta-feira Santa.

O Centro Loyola de Fé e Cultura, no seu site, tem uma meditação sobre cada uma das palavras de Cristo na cruz. Vou deixar aqui o link. A seguir, pegando a ideia do site, deixarei minha meditação pessoal. 

1. PERDÃO. “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem”(Lc 23,34)

A missão de Jesus foi mostrar a misericórdia de Deus diante do perdão dos pecados, e a recondução dos pecadores para a inserção na sociedade. 

Santo Inácio de Loyola, nos Exercícios Espirituais, na meditação sobre a encarnação, diz que a Santíssima Trindade, ao ver que a humanidade se precipitava no inferno, decidiu pela encarnação da segunda pessoa, o filho.

Sendo assim, Deus Pai, reflete sua misericórdia através do Filho.

2. CONTIGO. “Hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23,43)

Se olharmos atentamente a vida de Jesus, veremos que ele nunca esteve em companhia de reis, dos líderes religiosos, dos chefes do povo. Ele estava ao lado dos excluídos do seu tempo. Vivia juntos aos leprosos, aos cegos, aos coxos, aos cobradores de impostos, às prostitutas. Sim. Isso pode nos escandalizar, mas essas eram as pessoas com as quais Jesus convivia. 

Lá na cruz não foi diferente. Lucas narra que Ele fora crucificado entre dois criminosos. Então, ele narra que um zombava de Jesus. Mas o outro, reconheceu quem aquele Homem não havia cometido nenhuma crime. Acreditou, mesmo estando na cruz. E lhe fez o pedido que todos deveriam fazer, "quando estiveres no teu Reino, lembra-te de mim".

E a promessa, "ainda hoje estarás comigo no paraíso".

3. APOIO. “Mulher, eis o teu filho; filho, eis a tua mãe” (Jo 19,26)

A caminhada da fé não se faz sozinho. A presença da comunidade é importante e fundamental para o testemunho. Um sustenta o outro. Na oração, na convivência, no alimentar, no saciar a sede, no vestir os nus. No acolhimento a todos e todas excluídas e excluídos. 

Jesus sabia que seria difícil para a mãe não ter mais o filho. E sabia que o filho não suportaria a vida sem a mãe. 

Era preciso ter apoio mútuo.

Pela cruz aprendemos que a solidariedade é fundamental para a vida humana. Aprendemos que devemos solidários com os mais necessitados. Que temos que se solidários com as famílias que perdem seus filhos e filhas para a violência, principalmente, a violência do Estado que nega o direito à vida por falta de medicação.

Mãe e Filho se apoiam.

4. SOLIDÃO. “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?” (Mt 27,46)

Momento decisivo na vida de cada um de nós. Quantas vezes, ouvimos as pessoas dizerem, "faço tanto coisa pela Igreja, e não recebo nem um obrigado". Quantas vezes, resmungamos diante da indiferença dos outros.

Imaginemos Jesus na cruz. Depois de tanta coisa boa que ele fez, acabar como um criminoso, que dureza. Sentiu-se, naquele momento, abandonado por Deus. 

Tantas vezes, sentimos Deus longe de nós. Tudo perde sentido. A oração pessoal, a vida, o trabalho pastoral.

É hora de meditar sobre nosso sentimento de abandono.

5. SEDE. “Tenho sede...” (Jn 19,28)

Sede do quê? Sede de justiça. Sede de compreensão. Sede de fé. Sede de água. Sede do Reino de Deus.

"Tenho sede". Que sede eu tenho? Olhamos Jesus na cruz. Olhamos para nós mesmos. Penso nas minhas sedes. Quem sacia minha sede?

6. COMPROMISSO. “Tudo está consumado” (Jo 19,30)

Após sentir  ausência de Deus; depois de sentir sede de Deus, chega a glorificação do Filho. Tudo está consumado. Consumido pela vida, consumido pela paixão, consumido pela cruz, "Tudo está consumado". Missão cumprida. É hora de voltar para o Pai. É hora de assumir o Reino. É hora de resgatar todas e todos que esperavam a consumação da salvação. É hora de resgatar Adão e Eva. Levá-los de volta ao paraíso.

7. SENTIDO. “Pai, em tuas mãos entrego meu espírito” (Lc 23,46)

Em tuas mãos devolvo a minha vida. A dor do abandono, a sede, e o compromisso me fazem ver que foi para essa hora que eu vim. O Filho conhece o Pai. O Pai conhece o Filho. O Filho revela o Pai, o Pai se compraz no Filho e coloca nele todo a sua afeição. 

Entregar-se a Deus. Deixar Deus agir sempre. 

Até na cruz  Jesus deixa sua mensagem. Até na cruz ele anuncia o Reino de Deus. Até na cruz, ele nos deixa o exemplo de como devemos passar pelo sofrimento colocando nossa esperança nas mãos de Deus.

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Quinta-feira Santa, Missa do Lava-pés. vós deveis lavar os pés uns dos outros


Iniciamos hoje o Tríduo Pascal. 

A missa dessa noite é chamada de instituição da eucaristia, ou missa do lava pés.

Valorizamos muito a eucaristia. Mas esquecemos que eucaristia é serviço. A cena narrada por João não fala da ceia. Fala que Jesus cingiu a cintura, colocou uma tolha, prostrou-se aos pés dos discípulos e lavou lhes os pés. 

É essa a cena que vemos. Deus se prostrando diante da humanidade, representada pelos discípulos.

O leitura se encerra com, "vós deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo para que façais a mesma coisa que eu fiz". É esse o sentido do evangelho. Seremos cristãos verdadeiros quando nos prostrarmos diante uns dos outros para lavar os pés de cada uma das pessoas que estão diante de nós, ou que vem aos nosso encontro. Quando a ideia do outro for mais importante que a minha. Quando abrirmos mão das nossas leis e doutrinas para acolhermos os explorados, os perseguidos, os rejeitados. 

Olhar a cena de Jesus prostrado diante de nós é para refletirmos sobre nossas práticas pastorais. Sobre nossos serviços na Igreja. Sobre o serviço à vida, vida que, durante a pandemia, exige de nós resguardamos os outros, usando máscara e ficando em casa, e evitando aglomeração. Exigindo vacina! Não aceitando políticas públicas genocidas. 

Deixemos a cena falar ao coração. Eucaristia é muito mais do que um pedaço de pão consagrada. Eucaristia é serviço. Adorar o Santíssimo Sacramento é se colocar diante dos irmãos e irmãs que sofrem, e são excluídos. 

Evangelho de Jesus Cristo segundo João 13,1-15

1Antes da festa da Páscoa. Jesus sabia que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai; tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. 2Estavam tomando a ceia. O diabo já tinha posto no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de entregar Jesus. 3Jesus, sabendo que o Pai tinha colocado tudo em suas mãos e que de Deus tinha saído e para Deus voltava, 4levantou-se da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. 5Derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando-os com a toalha com que estava cingido. 6Chegou a vez de Simão Pedro. Pedro disse: 'Senhor, tu, me lavas os pés?' 7Respondeu Jesus: 'Agora, não entendes o que estou fazendo; mais tarde compreenderás.' 8Disse-lhe Pedro: 'Tu nunca me lavarás os pés!' Mas Jesus respondeu: 'Se eu não te lavar, não terás parte comigo'. 9Simão Pedro disse: 'Senhor, então lava não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça.' 10Jesus respondeu: 'Quem já se banhou não precisa lavar senão os pés, porque já está todo limpo. Também vós estais limpos, mas não todos.' 11Jesus sabia quem o ia entregar; por isso disse: 'Nem todos estais limpos.' 12Depois de ter lavado os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto e sentou-se de novo. E disse aos discípulos: 'Compreendeis o que acabo de fazer?' 13Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, pois eu o sou. 14Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. 15Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz.

Palavra da Salvação.