domingo, 7 de fevereiro de 2021

Vamos a outros lugares

 


Olá. Paz e Bem!

Estamos no 5º Domingo do Tempo Comum. Estamos caminhando com Jesus. Conhecendo Jesus.

No evangelho de hoje, Jesus, ao sair da sinagoga, se dirige à casa de Simão e André. Junto estão Tiago e João. Lembremos que esses foram os primeiros a serem chamados para acompanharem Jesus, e se tornarem pescadores de homens.

Sair da sinagoga significa que Ele cumprira a obrigação religiosa de sua cultura. Mas, a prática pastoral de Jesus não se limita ir apenas à sinagoga (igreja). Ao chegar à casa de Simão, percebe que a sogra deste estava acamada, com febre, e com isso, não podia se colocar à serviço. 

Jesus se aproximou dela. Segurou a sua mão. Ajudou-a a levantar-se, e a “febre desapareceu”. Livre da doença, ela se colocou a servir. As curas de Jesus não são para nós mesmos. Se somos curados, o somos para nos colocarmos à serviço, ir ao encontro dos que necessitam de nós. 

Após esse episódio, o evangelista nos remete a uma outra cena. Ele diz que “depois do pôr-do-sol, levaram a Jesus todos os doentes e os possuídos pelo demônio”. E que a “cidade inteira se reuniu na frente da casa”. Todos queriam ver e ouvir Jesus. 

Jesus, então, em sua solicitude pastoral, cura os doentes, expulsa os demônios e os manda calar. Tente fazer o exercício de visualizar essa cena.

Em seguida, o evangelista diz que “de madrugada, Jesus foi rezar num lugar deserto”. A toda ação pastoral corresponde um momento de oração. É preciso entender o que Deus faz por nosso intermédio, e onde precisamos estar presentes para anunciar o Reino de Deus.

Jesus não poderia ficar preso onde estava. É preciso anunciar a palavra de Deus em muitos lugares. E o missionário não pode fincar pés e ficar preso a um lugar apenas, pois ele está sempre à caminho; e a caminho de outros lugares.

Na oração de Jesus, Deus lhe aponta o caminho que deve ser seguido. Ele deve ir “às aldeias da redondeza”, pois é preciso pregar também ali”. E Jesus partiu, pregava nas sinagogas e expulsava demônios”.

Na primeira leitura, Jó nos mostra como devemos passar pelas dificuldades que nos apresentam no dia-a-dia. Devemos ver Deus agindo nessas horas também. Não é conformar-se com as dificuldades. Mas, perceber que Deus está presente em todos os momentos.

Na segunda leitura, Paulo nos diz que pregar o evangelho é “uma imposição”. Ou seja, é uma missão da qual ele não pode abrir mão, pois foi um encargo a ele confiado. E ele diz como deve ser o jeito de agir de todas e todos que assumem a missão de anunciar o evangelho. Devem ser fazer igual ao grupo para o qual vai se pregar. É preciso entender como as pessoas vivem. Assim, ele se fez “livre em relação a todos”. E por isso, pode se tornar “escravo de todos”. E acrescentou. “com o fraco, me fiz fraco, para ganhar o fraco. “Me fiz tudo, para salvar alguns”. E concluiu dizendo que “por causa do evangelho eu faço tudo, para ter parte nele”.

As leituras de hoje alimentam nossa ação missionária. É hora de pensarmos nossas práticas pastorais. Não podemos nos esconder em casa, tendo tantas possibilidades virtuais para isso. Ouvi de um missionário o seguinte: “Paulo evangelizava pelas cartas. Já parou para pensar nisso”? Ele, após fundar algumas comunidades, fazia seu pastoreio pelas cartas. E nós, o que fazemos hoje? Ficamos dentro das Igreja esperando o povo aparecer. E se não aparece? Lamentamos! É hora de lançarmos nossas “cartas” pelas redes sociais. Buscando aqueles e aquelas que lá estão. E lembremos, “nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra da boca de Deus”, disse Jesus ao tentador. Enquanto ficamos lamentando de não poder ir à Igreja, o “inimigo da natureza humana” está trabalhando, fazendo o mal. É hora de acordar. E mesmo na dificuldade, buscar criatividade para anunciar que o Reino de Deus está próximo. Amém.


sábado, 6 de fevereiro de 2021

Ovelhas sem pastor


Olá.

Temos diante de nós uma narrativa bem interessante de meditarmos. Os discípulos voltaram da missão dada por Jesus. Começam a partilhar tudo o que aconteceu: o que ouviram, que resposta deram às aflições do povo, que tipos de curas realizaram. Se foram bem recebidos ou não, e quais lugares não quiseram dar ouvido a proclamação de que o Reino de Deus está próximo.

Jesus, ao perceber que precisavam refazer-se da missão, e que era preciso que eles, então, se colocassem diante de Deus em oração, os leva a um lugar à parte. Ou, pelo menos, tenta. 

A missão, o envio, não é nosso. É Deus quem nos envia. E para não fazermos da missão um projeto pessoal, mas dar vazão ao projeto de Deus, é preciso retirar-se. É preciso avaliar diante de Deus o que foi feito, ou o que se deixou de fazer. Parar, aqui, não significa largar a missão. Mas, parar é saber que tudo depende de Deus quando o assunto é anunciar o seu Reino.

Jesus leva seus discípulos para um lugar a parte. Ou, pelo menos, tenta. Entretanto, o povo está sedento de ouvir a palavra de Deus. Mas, poderíamos perguntar, "eles não iam à sinagoga todos os sábados"? "Não frequentavam o templo"? "E nesses lugares, não se pregava a palavra de Deus"?

Sim. Mas aqui nos fica claro que o que eles encontravam nesses lugares eram palavras vazias. Sem sentido. Desconectadas da realidade da vida. Uma religião de manutenção, e não libertadora. Um religião de cumprir preceitos e leis. Uma religião nada acolhedora. 

Jesus apresentou um Deus diferente. Um Deus que os "chefes religiosos" esconderam do povo, principalmente, do povo mais simples, pobre, excluído. Eles resolveram dizer quem poderia ou não frequentar a sinagoga e o templo. Classificaram as pessoas de puras e impuras. Afastaram as pessoas de Deus. Ou afastaram Deus das pessoas.

Jesus tem um dilema: ou ele cuida dos discípulos que voltaram da missão, ou dá atenção ao povo sofrido. Jesus insistiu no retiro dos discípulos. Entretanto, aquelas pessoas eram como "ovelhas sem pastor". Quem cuidaria delas? As lideranças religiosas já não atendiam as suas necessidades, fossem elas materiais ou espirituais. A palavra daqueles chefes já não tocava o coração do rebanho. Era uma palavra vazia de sentido e significado. 

Jesus acolhe aquela multidão. Ele não pode deixar suas ovelhas perdidas, esquecidas. Então, ele toma uma difícil decisão, "começou a ensinar-lhes muitas coisas". Creio que dentre essas coisas, é que após a missão, dever-se-ia parar para rezar, avaliar, refazer o projeto de anunciar que o Reino de Deus está próximo. 

Jesus nos chama a uma revisão de vida. O que estamos fazendo para nos preparar para a missão? Quantas vezes, paramos, rezamos, colocamo-nos diante de Deus para vermos se o que estamos fazendo está em acordo com o que ele nos pede? Quantas vezes, mudamos de rumo? Quantas vezes, acolhemos os que sofrem? Quantas vezes, deixamos os preceitos, as leis, os preconceitos de lado para afirmar, "você é uma filha, um filho de Deus", e o Reino de Deus está próximo?


Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 6,30-34

Naquele tempo: 30Os apóstolos reuniram-se com Jesus e contaram tudo o que haviam feito e ensinado. 31Ele lhes disse: 'Vinde sozinhos para um lugar deserto, e descansai um pouco'. Havia, de fato, tanta gente chegando e saindo que não tinham tempo nem para comer. 32Então foram sozinhos, de barco, para um lugar deserto e afastado. 33Muitos os viram partir e reconheceram que eram eles. Saindo de todas as cidades, correram a pé, e chegaram lá antes deles. 34Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas.

Palavra da Salvação.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Posso fazer tudo o que quero. Mas nem tudo me convém (I Cor 6,12)


"Posso fazer tudo o que quero. Mas nem tudo me convém" (I Cor 6,12). 

Na Bíblia encontramos várias passagens em que os autores bíblicos falam qual a função da palavra de Deus. Paulo, principalmente, nos alerta para como a palavra de Deus deve orientar nossa vida.

Quando ele escreveu a Timóteo, ele disse: "Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, 17 a fim de que o homem de Deus seja perfeito, preparado para toda boa obra" (II Tm 3,16-17). Ao lermos a escritura, devemos ter isso em mente. Nada do que os autores bíblicos escreveram foi por acaso. Algum proveito tiramos da leitura. 

Na carta aos Hebreus, lemos: "A palavra de Deus é viva, eficaz e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes; ela penetra até o ponto onde a alma e o espírito se encontram, e até onde as juntas e medulas se tocam; ela sonda os sentimentos e pensamentos mais íntimos. 13 Não existe criatura que possa esconder-se de Deus; tudo fica nu e descoberto aos olhos dele; e a ele devemos prestar contas" (Hb 4,12-13). A palavra deve causar alguma coisa em nós. Isaías afirmou que: "Da mesma forma como a chuva e a neve, que caem do céu e para lá não voltam sem antes molhar a terra, tornando-a fecunda e fazendo-a germinar, a fim de produzir semente para o semeador e alimento para quem precisa comer, 11 assim acontece com a minha palavra que sai de minha boca: ela não volta para mim sem efeito, sem ter realizado o que eu quero e sem ter cumprido com sucesso a missão para a qual eu a mandei" (Is 55,10-11).

O evangelho de hoje ilustra bem isso. Lembremos que no evangelho de Marcos estamos a procura de quem é Jesus. É isso que o evangelista nos quer mostrar.

Primeiro, ele mostra Herodes querendo conhecer Jesus. Ele fica intrigado, pois a fala de Jesus é semelhante a de João Batista, a quem ele mandará matar a pedido da sua mulher Herodíades.

A história nos é conhecida. Mas que proveito podemos tirar disso? Devemos tomar cuidado com as nossas promessas. Não devemos nos encantar com as criaturas. Elas podem nos levar a cometer erros. Existe uma jeito de ser de Deus, e a humanidade é chamada a viver isso.

Além disso, somos continuadores da missão de Jesus. Aquilo que falamos, o que fazemos deve ser aquilo Deus no pede. Viver o evangelho é ser um outro Cristo. Evangelizar não é falar do evangelho, é viver o evangelho com todas as consequências.

Deixe a palavra de Deus agir em sua vida. Viva, por mais que possas ser perseguido, mal interpretado, perseguido.


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

"Os doze partiram e pregaram que todos se convertessem"


Missão. Essa é a palavra de hoje. 

Para Marcos, Jesus envia os 12. De dois em dois. observemos esse número. Para a lei judaica, basta uma testemunha. Assim, um era testemunha do outro. E nesse caso, os dois davam testemunho de Jesus. E esse testemunho era válido diante da lei.

Ele dá as recomendações para aqueles que vão assumir a missão evangelizadora. Não deveriam levar pão, sacola, dinheiro. Não levar pão, é confiar na providência divina; além disso, deveriam lembrar que "não só de pão vive o homem, mas de toda Palavra de Deus". A sacola, para não acumular nada; o missionário não deve acumular. Dinheiro, não colocar a esperança nos bens materiais.

Em seguida, "mandou que andassem de sandálias", e que "não levassem duas túnicas". A sandália simbolizava a simplicidade do missionário, não precisavam de mais nada para proteger os pés, pois Deus é nossa proteção. Quanto a túnica, ele servia para proteger do frio da noite. E os pobres só tinham uma. 

Em seguida, diz que quando entrassem numa casa, deveriam ficar ali até a partida. Jesus conhecia o coração humano. Haveria pessoas que iriam ouvir a mensagem, e pessoas que não iriam aceitar o que eles tinham a dizer. Então, os discípulos missionários não deveriam entrar em conflito com essas pessoas. Onde houvesse que não quisesse receber a mensagem, deveriam deixar aquele lugar, "sacudi a poeira dos pés" como "testemunho contra eles".

Depois de receberem as instruções, eles partiram. Pregaram. Expulsavam demônio, curavam doentes. Ungiam os doentes.

O demônio significa tudo aquilo que é contra a palavra de Deus: racismo, discriminação, homofobia, misoginia, destruição da natureza, morte de crianças-adolescentes-jovens. 

Doentes são todos aqueles que se infectam pelas obras do mau espírito: "fornicação, impureza, libertinagem, 20 idolatria, feitiçaria, ódio, discórdia, ciúme, ira, rivalidade, divisão, sectarismo, 21* inveja, bebedeira, orgias e outras coisas semelhantes" (Gal 5,19-21). Paulo acrescenta que essas pessoas não herdarão o Reino de Deus. São doentes. Precisam ser curadas.

Deixei por último o cajado. Esse é o símbolo do pastor. Aquele/aquela que conduz. Que indica o caminho. Que resgata para junto do rebanho. Que dá sustentação ao pastor. Então, Jesus manda que levem um cajado apenas. Isso basta. 

A ação missionária deve ser simples. Sem muitas complicações. Sem acúmulo. 

Hoje, somos chamados a rever do que precisamos nos desfazer para poder anunciar o Reino de Deus.

 

Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 6,7-13

Naquele tempo: 7Jesus chamou os doze, e começou a enviá-los dois a dois, dando-lhes poder sobre os espíritos impuros. 8Recomendou-lhes que não levassem nada para o caminho, a não ser um cajado; nem pão, nem sacola, nem dinheiro na cintura. 9Mandou que andassem de sandálias e que não levassem duas túnicas. 10E Jesus disse ainda: 'Quando entrardes numa casa, ficai ali até vossa partida. 11Se em algum lugar não vos receberem, nem quiserem vos escutar, quando sairdes, sacudi a poeira dos pés, como testemunho contra eles!' 12Então os doze partiram e pregaram que todos se convertessem. 13Expulsavam muitos demônios e curavam numerosos doentes, ungindo-os com óleo.

Palavra da Salvação.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

'Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares'


A contemplação da cena de hoje é direta. 'Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares'

Jesus, depois de muito tempo fora de casa, retornou ao lugar onde havia sido criado. Onde ele cresceu e "sabedoria, estatura e graça". Sabedoria, é saber ver os acontecimentos da vida da perspectiva divina. E ver os fatos da vida e interpretar o que é de Deus, e o que vem do maligno. Graça é estar ungido por Deus. É receber a missão e ir à frente. É contar com Deus sempre, e saber que Deus age na história. Estatura, bem, essa não precisa de muita explicação. Mas, podemos imaginar Jesus em todas as fases da vida humana: infantil, adolescência, adulto. Isso mesmo. Jesus viveu todos os conflitos que qualquer ser humano passa. 

Jesus, então, foi a "Nazaré, sua terra". Cumprindo seu dever religioso, foi à Sinagoga e começou a ensinar. Lembremos que era costume passar ao convidado a leitura do livro e dar a sua interpretação.

Essa cena é interessante. Ao verem Jesus, lembraram-se quem ele era: o carpinteiro, filho de Maria. As pessoas conheciam os parentes de Jesus. Jesus eram um igual. Não estava acima deles. Ele era um igual. E isso causava estranheza. Como pode um igual a nós ter essa sabedoria toda? Como alguém igual a nós pode falar com tanta propriedade? Tinham o coração fechado para as coisas de Deus que Jesus anunciava.

A falta de fé dos seus conterrâneos fez com que ele não pudesse operar muitos milagres naquela comunidade.

Quantas vezes, agimos assim em nossas comunidades paroquiais? Não aceitamos que outras pessoas possam ser enviadas por Deus. Muitas de nossas paróquias rejeitam seus filhos e filhas por que assumiram o chamado de Deus e passaram a ser profetas da vontade de Deus.

Fazer a vontade de Deus vai de encontro a tudo aquilo que seja a nossa própria vontade. Deus suscita no meio de nós pessoas de nossa convivência para que, conhecendo a comunidade, possam anunciar a boa nova, e denunciar o que não é da vontade de Deus. E aí, rejeitamos esses profetas.

Amém.

Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 6,1-6

1Jesus foi a Nazaré, sua terra, e seus discípulos o acompanharam. 2Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga. Muitos que o escutavam ficavam admirados e diziam: 'De onde recebeu ele tudo isto? Como conseguiu tanta sabedoria? E esses grandes milagres que são realizados por suas mãos? 3Este homem não é o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? Suas irmãs não moram aqui conosco?' E ficaram escandalizados por causa dele. 4Jesus lhes dizia: 'Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares'. 5E ali não pôde fazer milagre algum. Apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos. 6E admirou-se com a falta de fé deles. Jesus percorria os povoados das redondezas, ensinando.

Palavra da Salvação.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Apresentação do Senhor - Festa


Celebramos a Festa da Apresentação do Senhor. Mais uma vez, esclareço que o tempo litúrgico, das celebrações, não está diretamente ligado ao tempo civil, cronológico. Mesmo depois de passado o tempo do Natal, fazemos memória da Apresentação do Senhor.

O que podemos tirar de proveito disso para nossa vida?

Primeiro, Jesus não extraterrestre. Ele passa por todas as etapas religiosas do seu povo. Maria e José fazem questão de o inserir na realidade humana. Afinal de contas, Jesus é verdadeiramente homem (e tb verdadeiramente Deus). Para que pudesse ter autoridade e credibilidade em suas palavras, era preciso que ele tivesse vivido toda a tradição religiosa de seu povo. A apresentação precedia a circuncisão.

Duas personagens são importantes nessa história, Simeão e Ana.

 Simeão faz a profecia de qual seria o destino daquela criança. É claro que o evangelista tem que dar esse mote. Mas isso não importa. Simeão diz que diante daquela criança muitos pensamentos serão revelados, seja para o bem, seja para o mal. Além disso, todos aqueles que ouvirem e acatarem sua palavra, serão reerguidos; e os que rejeitarem, sofrerão a queda espiritual e social.

Além disso, ele prevê que a mãe da criança passará por sofrimentos, uma espada traspassará o seu coração. Isso não desanima Maria. Ela sabia o que a esperava.

Ana é uma figura interessante. Enquanto a palavra de Simeão é para a família de Jesus, Ana representa todos os missionários e missionárias que anunciam a presença de Deus no meio de nós. Ana louva a Deus, ouve as palavras de Simeão, e sai para anunciar.

Na festa da Apresentação do Senhor, pensemos como estamos vivendo a nossa fé batismal. Estou sendo missionária ou missionário da presença de Deus no mundo através de Jesus?

Amém. 

Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas  (Lc 2,22-40)

22Quando se completaram os dias para a purificação da mãe e do filho, conforme a lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, a fim de apresentá-lo ao Senhor. 23Conforme está escrito na lei do Senhor: “Todo primogênito do sexo masculino deve ser consagrado ao Senhor”.

24Foram também oferecer o sacrifício — um par de rolas ou dois pombinhos — como está ordenado na Lei do Senhor. 25Em Jerusalém, havia um homem chamado Simeão, o qual era justo e piedoso, e esperava a consolação do povo de Israel. O Espírito Santo estava com ele 26e lhe havia anunciado que não morreria antes de ver o Messias que vem do Senhor.

27Movido pelo Espírito, Simeão veio ao Templo. Quando os pais trouxeram o menino Jesus para cumprir o que a Lei ordenava, 28Simeão tomou o menino nos braços e bendisse a Deus: 29“Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz; 30porque meus olhos viram a tua salvação, 31que preparaste diante de todos os povos: 32luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel”.

33O pai e a mãe de Jesus estavam admirados com o que diziam a respeito dele. 34Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe de Jesus: “Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. 35Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações. Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma”.

36Havia também uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada; quando jovem, tinha sido casada e vivera sete anos com o marido. 37Depois ficara viúva, e agora já estava com oitenta e quatro anos. Não saía do Templo, dia e noite servindo a Deus com jejuns e orações. 38Ana chegou nesse momento e pôs-se a louvar a Deus e a falar do menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém.

39Depois de cumprirem tudo, conforme a Lei do Senhor, voltaram à Galileia, para Nazaré, sua cidade. 40O menino crescia e tornava-se forte, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com ele.

Palavra da Salvação.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

O homem começou a pregar


 Mais uma vez temos um texto onde Jesus se confronta com uma pessoa possuída pelo espírito do mau. Algumas coisas interessantes para observarmos. Um homem possuído pelo espírito mau estava na sinagoga, local de culto, poderíamos dizer, na igreja. O de hoje, está errante pelas montanhas e pelo lugar onde estão os mortos. Esse espírito mau fazia com o homem se flagelasse. Causasse mal a si mesmo. 

Algumas imagens do texto. Jesus mudou de margem. Era preciso percorrer todos os lugares. A barca, símbolo da Igreja. Jesus saiu da barca. Às vezes, é preciso se afastar da segurança das Igrejas para ir ao encontro dos necessitados. Sobre esse assunto (de sair da igreja), o papa Francisco disse, "prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças" (EG 49).

Jesus sai da segurança da barca. Vai ao encontro dos que necessitam dele. Encontra aquele homem agoniada por tantos tormentos. Lembremos que a palestina estava sob o jugo do império romano. E para os hebreus daquele tempo, eles consideravam os romanos como porcos. Tinham uma religião pagã politeísta. Agrediam as mulheres judias. Matavam os homens. Oprimiam o povo com altos impostos. 

Jesus representava a libertação de toda essa opressão política. De todo esse domínio. O espírito mau reconhece o poder de Jesus. Ele sabe que Jesus pode libertar o povo da opressão, por isso tem que se desfazer da missão pastoral Dele revelando quem ele é. Mas, se essa revelação vem do espírito mau, com certeza, desqualificaria a palavra de Jesus. O espírito mau tinha que anular Jesus.

Mas Jesus é senhor da vida, do tempo. Então, o espírito mau pede para ser lançado aos porcos que pastavam na região. Jesus, então concede. E o homem e libertado do mau. 

Hoje, somos convidados a nos libertar de todo espírito mau que podemos ter. E como identificar as ações do espírito mau? Paulo, na carta aos Gálatas (5,19-21): "fornicação, impureza, libertinagem, 20 idolatria, feitiçaria, ódio, discórdia, ciúme, ira, rivalidade, divisão, sectarismo, 21 inveja, bebedeira, orgias e outras coisas semelhantes". Contra tudo isso, se nos deixarmos tocar pela de Jesus, seremos libertos. Um espírito novo nos dá "amor, alegria, paz, paciência, bondade, benevolência, fé, 23 mansidão e domínio de si" (Gal 5,22-23).

Deixemos de lado o homem mau que possa existir em nós. Vamos libertar de toda forma de preconceito, de racismo, de homofobia, de misoginia. De todas as formas de violência contra crianças, adolescente e jovens. De toda destruição da natureza.

Deus nos abençoe.


Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 5,1-20

Naquele tempo: 1Jesus e seus discípulos chegaram à outra margem do mar, na região dos gerasenos. 2Logo que saiu da barca, um homem possuído por um espírito impuro, saindo de um cemitério, foi ao seu encontro. 3Esse homem morava no meio dos túmulos e ninguém conseguia amarrá-lo, nem mesmo com correntes. 4Muitas vezes tinha sido amarrado com algemas e correntes, mas ele arrebentava as correntes e quebrava as algemas. E ninguém era capaz de dominá-lo. 5Dia e noite ele vagava entre os túmulos e pelos montes, gritando e ferindo-se com pedras. 6Vendo Jesus de longe, o endemoninhado correu, caiu de joelhos diante dele 7e gritou bem alto: 'Que tens a ver comigo, Jesus, Filho do Deus altíssimo? Eu te conjuro por Deus, não me atormentes!' 8Com efeito, Jesus lhe dizia: 'Espírito impuro, sai desse homem!' 9Então Jesus perguntou: 'Qual é o teu nome?' O homem respondeu: 'Meu nome é 'Legião', porque somos muitos.' 10E pedia com insistência para que Jesus não o expulsasse da região. 11Havia aí perto uma grande manada de porcos, pastando na montanha. 12O espírito impuro suplicou, então: 'Manda-nos para os porcos, para que entremos neles.' 13Jesus permitiu. Os espíritos impuros saíram do homem e entraram nos porcos. E toda a manada - mais ou menos uns dois mil porcos - atirou-se monte abaixo para dentro do mar, onde se afogou. 14Os homens que guardavam os porcos saíram correndo e espalharam a notícia na cidade e nos campos. E as pessoas foram ver o que havia acontecido. 15Elas foram até Jesus e viram o endemoninhado sentado, vestido e no seu perfeito juízo, aquele mesmo que antes estava possuído pela Legião. E ficaram com medo. 16Os que tinham presenciado o fato explicaram-lhes o que havia acontecido com o endemoninhado e com os porcos. 17Então começaram a pedir que Jesus fosse embora da região deles. 18Enquanto Jesus entrava de novo na barca, o homem que tinha sido endemoninhado pediu-lhe que o deixasse ficar com ele. 19Jesus, porém, não permitiu. Entretanto, lhe disse: 'Vai para casa, para junto dos teus e anuncia-lhes tudo o que o Senhor, em sua misericórdia, fez por ti.' 20Então o homem foi embora e começou a pregar na Decápole tudo o que Jesus tinha feito por ele. E todos ficavam admirados.

Palavra da Salvação.