sexta-feira, 9 de julho de 2021

Sede simples como as pombas e prudente como as serpentes.


Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 10,16-23

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:  Eis que eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. Sede, portanto, prudentes como as serpentes e simples como as pombas. 17Cuidado com os homens, porque eles vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas. 18Vós sereis levados diante de governadores e reis, por minha causa, para dar testemunho diante deles e das nações. 19Quando vos entregarem, não fiqueis preocupados como falar ou o que dizer. Então naquele momento vos será indicado o que deveis dizer. 20Com efeito, não sereis vós que havereis de falar, mas sim o Espírito do vosso Pai é que falará através de vós. 21O irmão entregará à morte o próprio irmão; o pai entregará o filho; os filhos se levantarão contra seus pais, e os matarão. 22Vós sereis odiados por todos, por causa do meu nome. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo. 23Quando vos perseguirem numa cidade, fugi para outra. Em verdade vos digo, vós não acabareis de percorrer as cidades de Israel, antes que venha o Filho do Homem.

Palavra da Salvação.

Na sua catequese aos discípulos e discípulas, Jesus fala de ovelhas e lobos. A sociedade para a qual Jesus pregava entendia essa frase. Os lobos, animais carnívoros, rondavam os rebanhos para atacar as ovelhas e come-las. Na biologia, uma simples lei de sobrevivência e de satisfazer a necessidade básica de se alimentar. Para nós, um ato de violência. Já viram o ataque de um lobo a uma ovelha? 

Há uma frase que diz, "há que endurecer, mas nunca perder a ternura". Atribui-se essa frase a um revolucionário argentino, Che Guevara. Mas, não temos certeza se ele mesmo cunhou essa ideia. O que nos importa aqui é ver que Jesus disse algo muito semelhante muito tempo antes de se dizer essa frase. Disse Jesus, "Sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas". 

Isso mesmo, simples como as pombas, e prudente como as serpentes.. Vejam, mais uma vez, uma relação de quem come quem. As serpentes comem as pombas. Entretanto, elas agem com prudência. Vão se rastejando. Evitando barulhos. Observando o que está ao redor. E as pombas, vivem na simplicidade da vida cotidiana. Não percebem o mal que as rondam.

Jesus nos mostra que devemos agir sem arrogância (lobo/serpente). Mas, com inteligência (ovelha/pomba). Sendo assim, a discípula e o discípulo confiam que sua missão, que sua obra, não é fruto de sua vontade; mas vem de Deus. É uma exigência divina, a qual não podemos nos calar. São Paulo disse aos Coríntios, "ai de mim se eu não pregar o evangelho" (I Cor 9,16).

É assim que devemos ser. Anunciadores e anunciadoras atentos e atentas. Mulheres e homens que não perdem tempo com maledicências. Se querem nos ouvir, tudo bem, pregamos. Se querem nos perseguir, tudo bem também, partimos para outras "cidades". Para cada um de nós haverá sempre uma Nínive pronta para nos escutar. 

quinta-feira, 8 de julho de 2021

O Reino dos Céus está próximo


Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 10,7-15

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 7Em vosso caminho, anunciai: 'O Reino dos Céus está próximo'. 8Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar! 9Não leveis ouro, nem prata, nem dinheiro nos vossos cintos; 10nem sacola para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bastão, porque o operário tem direito ao seu sustento. 11Em qualquer cidade ou povoado onde entrardes, informai-vos para saber quem ali seja digno. Hospedai-vos com ele até a vossa partida. 12Ao entrardes numa casa, saudai-a. 13Se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; se ela não for digna, volte para vós a vossa paz. l4Se alguém não vos receber, nem escutar vossa palavra, saí daquela casa ou daquela cidade, e sacudi a poeira dos vossos pés. 15Em verdade vos digo, as cidades de Sodoma e Gomorra serão tratadas com menos dureza do que aquela cidade, no dia do juízo.

Palavra da Salvação.

Na catequese de hoje, Jesus mostra como será a nova humanidade. Como deve ser as novas sociedades. Como devem agir os discípulos e discípulas de Jesus. 

Jesus nos mostra como é o Reino de Deus. Um reino sem doentes, sem mortos, sem leprosos, sem espírito maus. Um Reino onde aquilo que foi recebido como graça, a fé, deve ser transmitido sem cobrança de qualquer valor que seja. Os discípulos e discípulas missionárias devem viver em simplicidade. Sem ouro, sem prata, sem dinheiro, ou seja, devemos colocar nossa esperança em Deus, sempre!

E Jesus continuou, não devemos levar sacola, para não acumular as coisas que atrapalham a tomar decisões pela vida. Não ter duas túnicas, para que não perder tempo em escolher com que roupa eu vou. Não ter mais do que uma sandália, somente uma sandália, aquela própria do profeta que anuncia a palavra de Deus. Nem tem bastão. O bastão era o símbolo do poder. O missionário e missionária confiam apenas no poder de Deus.

Jesus conclama seus discípulos e discípulas a não ficaram parados e paradas. É importante ir a qualquer cidade. A missionária e o missionário não escolhe onde vão pregar. É Deus quem indica. Em cada povoado sempre haverá alguém a ouvir a palavra de Deus. Alguém que esteja disposto ou disposta a acolher a Palavra de Deus a ser pregada. Caso não se queira ouvir a palavra a ser pregada, devemos ir embora. Sacudir a poeira do pé. Continuar a caminhada. Quando os da casa não queiram ouvi a Palavra, o missionário, ou missionária, não deve insistir. Deve partir.

O Reino é para todas e todos. O Reino deve ser aceito livremente, e não por medo. O Reino dos Céus está próximo"!

quarta-feira, 7 de julho de 2021

"Ide às ovelhas perdidas"


Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 10,1-7

Naquele tempo: 1Jesus chamou os doze discípulos e deu-lhes poder para expulsarem os espíritos maus e para curarem todo tipo de doença e enfermidade. 2Estes são os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João; 3Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o cobrador de impostos; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; 4Simão, o Zelota, e Judas Iscariotes, que foi o traidor de Jesus. 5Jesus enviou estes Doze, com as seguintes recomendações: 'Não deveis ir aonde moram os pagãos, nem entrar nas cidades dos samaritanos! 6Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! 7Em vosso caminho, anunciai: 'O Reino dos Céus está próximo'.

Palavra da Salvação.

Ontem, Jesus conclamava os seus discípulos a rezarem pedindo operários para a messe. Hoje, ele designa 12 dos seus discípulos a começarem o processo de anuncio de palavra de Deus.

Diante daqueles que foram chamados, Jesus lhes dá poder para "expulsarem os espíritos maus", e para "curarem todo tipo de doença e enfermidade". A palavra de Deus nos é inspiradora , e deve iluminar a vida nos vários momentos da nossa história. 

Da leitura de hoje, é importante que identifiquemos quais são os "espíritos maus" de nossos dias. E quais são as "doenças e enfermidades" pelas quais estamos passando. E, diante disso, o que podemos fazer? Como podemos ajudar as pessoas a se libertarem desses males modernos? Como Jesus pode nos ajudar?

Quais são os "espíritos maus" de nossos tempos? Devemos ficar atentos. Temos a ideia medieval de espírito mau como aquele que faz a pessoa espumar, virar a cabeça. Coisas extraordinárias que estão em nossa memória dos filmes que tratam desse assunto. 

"Espírito Mau", é todo espírito que deixa alguém morrer por não dar condições de vida ao outro. Espírito mau é o que discrimina e inventa mentiras sobre os outros. É todo espírito que nega atendimento à saúde. É todo espírito que defende a morte violenta de qualquer pessoa. É toda forma de exclusão, de racismos, de misoginia, de homofobia. É todo espírito que classifica as pessoas entre boas e más, entre santas e pecadoras. Espírito mau é todo espírito que imputa ação do mal naqueles que caminham juntos aos perseguidos.

Temos várias doenças modernas. Depressão, síndrome do pânico. Egoísmo. Vontade de exterminar. Os discípulos e discípulas de Jesus são chamados a ajudar na libertação dessas doenças. Ir ao encontro do outro, buscar deixar seus problemas de lado e ajudar alguém a se recuperar. Assumir a luta dos sem trabalho, dos se terra, dos idosos desprezados pelos governos. Da falta de humanidade.

Aos diáconos permanentes do Brasil, a CNBB afirmou que os diáconos devem estar envolvidos na "na promoção social e na vivência das obras de misericórdia", e que devem assumir a "opção preferencial pelos pobres, marginalizados e excluídos". E acrescenta que os diáconos são apóstolos da "caridade com os pobres, envolvidos com a conquista de sua dignidade e de seus direitos econômicos, políticos e sociais. Está próximo da dor do mundo. Deixa-se tocar e sensibilizar pela miséria e pelas provações da vida" (CNBB, Doc 96, nº 210).

Aos leigos, os bispos da América Latina e Caribe dizem que "sua missão própria e específica se realiza no mundo, de tal modo que, com seu testemunho e sua atividade, contribuam para a transformação das realidades e para a criação de estruturas justas segundo os critérios do Evangelho. “O espaço próprio de sua atividade evangelizadora é o mundo vasto e complexo da política, da realidade social e da economia, como também da cultura, das ciências e das artes, da vida internacional, dos ‘mass media’, e outras realidades abertas à evangelização, como o amor, a família, a educação das crianças e adolescentes, o trabalho profissional e o sofrimento”. Além disso, eles têm o dever de fazer crível a fé que professam, mostrando autenticidade e coerência em sua conduta". (DocAp 210).

Assim, o texto de hoje nos chama a uma vida que vai ao encontro dos outros, e que buscam gerar vida, "vida em abundância".


terça-feira, 6 de julho de 2021

Pedi ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!

Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 9,32-38

Naquele tempo: 32Apresentaram a Jesus um homem mudo, que estava possuído pelo demônio. 33Quando o demônio foi expulso, o mudo começou a falar. As multidões ficaram admiradas e diziam: 'Nunca se viu coisa igual em Israel.' 34Os fariseus, porém, diziam: 'É pelo chefe dos demônios que ele expulsa os demônios.' 35Jesus percorria todas as cidades e povoados, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino, e curando todo tipo de doença e enfermidade. 36Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Então disse a seus discípulos: 37'A Messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. 38Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!'

Palavra da Salvação.

A leitura de hoje nos abre três possibilidades de reflexão. Jesus expulsa um demônio mudo; os chefes dos fariseus (os líderes religiosos) desdenharam da  cura dizendo que era pelo poder do demônio que Jesus realizou aquela cura; trabalhadores e trabalhadoras para a messe.

Claro que cada pregador vai destacar uma parte do texto de hoje, depende de como ele se relaciona com as pessoas e como encara as situações conflituosas da vida, ainda mais, quem são os trabalhadores e trabalhadoras da messe.

O fim do texto de hoje, que lembra da necessidade de trabalhadoras e trabalhadores para a messe, sempre é colocado na perspectiva das vocações para o ministério ordenado sacerdotal, ou para avida religiosa. 

Entretanto, sempre me chamou a atenção essas palavras de Jesus. Lembremos que os apóstolos difundiam o evangelho. Deus ia agregando, a cada dia, mais pessoas ao grupo dos crentes. Era preciso ter mais pessoas que poderiam confirmar os irmãos e irmãs na fé. Animá-los diante das perseguições. Testemunhar a ressurreição de Jesus. 

Todos e todas que pregam a palavram de Deus, que vivem a sua fé diante do povo, e que estão na luta contra as injustiças do mundo, são trabalhadores/trabalhadoras da messe. Devemos rezar por essas irmãs e por esses irmãos. Não podemos limitar os operários e operárias da messe somente aqueles e aquelas que são chamados e chamadas a uma vocação religiosa ou sacerdotal. A messe é grande. A necessidade de trabalhadoras e trabalhadores se faz imperiosa. Esse chamado é para cada um de nós nos dias de hoje. Existem muitas pessoas que ainda estão distantes de fazer o bem aos outros. Não basta reconhecer Jesus como Filho do Deus vivo. É preciso mudar as situações de injustiças em nossa sociedade. É preciso resgatar a nossa humanidade. O amor ao próximo. Libertar-se das amarras do preconceito, da exclusão, do fundamentalismo, da violência.

As trabalhadoras e os trabalhadores da messe devem estar prontos para receberem críticas dos poderes desse mundo. E devem estar preparados e preparadas para fazer com que os mudos e mudas comecem a denunciar as situações de injustiça da sociedade. Devem compadecer-se daqueles e daquelas que vagueiam em busca de uma palavra de alento, e estão como ovelhas sem pastor. 

Nem sempre ir à Igreja, participar de ações litúrgicas, rezar terço, frequentar grupos de oração é sinal de estar em pastoreio. É preciso ir ao encontro.

Ouçamos esse chamado. Peça a Deus que você possa ser um operário, operária da messe. Amém.


segunda-feira, 5 de julho de 2021

Nós somos os tolos por causa de Cristo


De um Sermão de Santo Antônio Maria Zacaria, presbítero, a seus confrades

(J. A. Gabutio, História Congregationis Clericorum Regularum S. Pauli, 1,8)
(Séc. XVI)

Discípulo do apóstolo Paulo

Nós somos os tolos por causa de Cristo (1Cor 4,10), dizia de si, dos demais apóstolos e de todos os que professam a doutrina cristã e apostólica, o nosso santo guia e santíssimo patrono. Mas isto não é para admirar ou temer, irmãos caríssimos, pois o discípulo não está acima do mestre, nem o servo acima do seu senhor (Mt 10,24). Quanto aos que se opõem a nós, devemos ter compaixão e amá-los, ao invés de detestá-los e odiá-los; pois fazem mal a si mesmos e atraem o bem sobre nós; contribuem para alcançarmos a coroa da glória eterna, ao passo que, sobre si, provocam a ira de Deus. E mais ainda: devemos rezar por eles, e não nos deixarmos vencer pelo mal, mas vencer o mal pelo bem, amontoando atos de piedade como brasas acesas de caridade em cima de suas cabeças (cf. Rm 12,20-21), como ensina nosso apóstolo. Desta maneira, vendo a nossa paciência e mansidão, convertam-se a melhores sentimentos e se inflamem no amor de Deus.
Apesar da nossa indignidade, Deus nos escolheu do mundo por sua misericórdia a fim de que, entregues ao seu serviço, vamos progredindo cada vez mais na virtude; e pela nossa paciência, possamos produzir abundantes frutos de caridade. Assim, alegremo-nos não apenas na esperança da glória dos filhos de Deus, mas também nas tribulações.
Considerai a vossa vocação (cf. 1Cor 1,26), caríssimos irmãos. Se quisermos examiná-la com atenção, veremos facilmente o que ela exige de nós: já que começamos a seguir, embora de longe, os passos dos apóstolos e dos outros soldados de Cristo, não recusemos também participar dos seus sofrimentos. Empenhemo-nos com perseverança no combate que nos é proposto, com os olhos em Jesus, que em nós começa e completa a obra da fé (Hb 12,1-2).
Nós que escolhemos um tão grande apóstolo como guia e pai, e fazemos profissão de imitá-lo, esforcemo-nos para que a nossa vida seja expressão da sua doutrina e do seu exemplo. Pois não seria conveniente que, sob as ordens de tão insigne chefe, fôssemos soldados covardes e desertores, ou que sejam indignos os filhos de um tão ilustre pai.

domingo, 4 de julho de 2021

De todos os temores o Senhor nos livrou.


 Hoje celebremos a Solenidade de São Pedro e São Paulo. Pedro e Paulo são duas faces da uma mesma moeda. De um lado, o apóstolo dos gentios, Paulo; e de outro, Pedro, aquele que deveria confirmar os irmãos na fé.

A primeira leitura nos lembra um outro apóstolo muito importante para a consolidação do crescimento da Igreja, Tiago. Essa litura inicia-se dizendo que após Tiago ter sido morto pela espada, Herodes mandou prender Pedro. Era preciso fazer com que aqueles que fizeram a experiência pessoal de Jesus e que eram testemunhas de sua ressurreição, fossem tirados do meio do povo.

Pedro é preso. O autor dos Atos dos Apóstolos diz que a Igreja rezava por Pedro. E que um anjo apareceu para Pedro e o libertou da prisão.

Na segunda leitura, Paulo nos deixa seu testamento espiritual, "combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé". Paulo tem consciência de sua atividade apostólica, e por isso, sente-se preparado para entrar o Reino de Deus.

No evangelho, temos a afirmação de que Jesus é o "Filho do Deus vivo". Somente aqueles e aquelas que fazem a experiência pessoal de Jesus, somente aqueles e aquelas que comeram e beberam com Jesus, podem fazer essa afirmação. Somente aquelas e aqueles que ouviram as palavras de Jesus e viram seus milagres, podem fazer essa afirmação. Mas, reconhecer Jesus como o Messias e o Filho do Deus vivo só pode ser feito por revelação do Pai através do Espírito Santo. Nenhum ser humano pode revelar a filiação de Jesus ao Pai. Somente o Espírito Santo nos faz isso.

Pedro é colocado como aquele que deve ir à frente dos discípulos de Jesus. Sobre esta pedra a igreja de Jesus deveria ser construída. Entendamos Igreja como os seguidores das palavras de Jesus, não apenas os que participam de uma denominação religiosa específica. Igreja é o espaço onde se congrega todas e todos que realizam as obras de misericórdia que Jesus fez. A Igreja vai ao encontro dos que sofrem, dos que são perseguidos, dos que são mortos pelo poder do Estado.

A Pedro, Jesus entrega as chaves do Reino dos Céus. Ter a chave significa poder abrir a porta ou fechá-la. Jesus é o Reino, o Caminho, a Vida. Pedro passa a ter a missão de abrir a porta para todos os que foram colocados de fora por conta de leis, de fundamentalismos, de dogmas que matam e excluem, possam entrar.

Hoje, lembrar Pedro e Paulo é lembrar de todas e todos que se colocam á serviço do Reino. Que trabalham pela inclusão no reino de todas e todos que foram excluídos pelo preconceito religioso.

"De todos os temores me livrou o Senhor Deus", assim diz o salmista. Creiamos que para Deus não há temor, Deus desfaz todas as nossas dores, nossos sofrimentos. Deus livrou Pedro da prisão. Livrou Paulo das dores da perseguição. E há de nos livrar de nossas dores atuais. Amém.

sábado, 3 de julho de 2021

A fé sem obras é morta

Das Homilias sobre os Evangelhos, de São Gregório Magno, papa.

(Hom. 25,7-9:PL76,1201-1202)
(Séc.VI)

Meu Senhor e meu Deus!
Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio (Jo 20,24). Era o único discípulo que estava ausente. Ao voltar, ouviu o que acontecera, mas negou-se a acreditar. Veio de novo o Senhor, e mostrou seu lado ao discípulo incrédulo para que o pudesse apalpar; mostrou-lhe as mãos e, mostrando-lhe também a cicatriz de suas chagas, curou a chaga daquela falta de fé. Que pensais, irmãos caríssimos, de tudo isto? Pensais ter acontecido por acaso que aquele discípulo estivesse ausente naquela ocasião, que, ao voltar, ouvisse contar, que, ao ouvir, duvidasse, que, ao duvidar, apalpasse, e que, ao apalpar, acreditasse?

Nada disso aconteceu por acaso, mas por disposição da providência divina. A clemência do alto agiu de modo admirável a fim de que, ao apalpar as chagas do corpo de seu mestre, aquele discípulo que duvidara curasse as chagas da nossa falta de fé. A incredulidade de Tomé foi mais proveitosa para a nossa fé do que a fé dos discípulos que acreditaram logo. Pois, enquanto ele é reconduzido à fé porque pôde apalpar, o nosso espírito, pondo de lado toda dúvida, confirma-se na fé. Deste modo, o discípulo que duvidou e apalpou tornou-se testemunha da verdade da ressurreição.

Tomé apalpou e exclamou: Meu Senhor e meu Deus! Jesus lhe disse: Acreditaste, porque me viste? (Jo 20,28-29). Ora, como diz o apóstolo Paulo: A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se vêem (Hb 11,1). Logo, está claro que a fé é a prova daquelas realidades que não podem ser vistas. De fato, as coisas que podemos ver não são objeto de fé, e sim de conhecimento direto. Então, se Tomé viu e apalpou, por qual razão o Senhor lhe disse: Acreditaste, porque me viste? É que ele viu uma coisa e acreditou noutra. A divindade não podia ser vista por um mortal. Ele viu a humanidade de Jesus e proclamou a fé na sua divindade, exclamando: Meu Senhor e meu Deus! Por conseguinte, tendo visto, acreditou. Vendo um verdadeiro homem, proclamou que ele era Deus, a quem não podia ver.

Alegra-nos imensamente o que vem a seguir: Bem-aventurados os que creram sem ter visto (Jo 20,29). Não resta dúvida de que esta frase se refere especialmente a nós. Pois não vimos o Senhor em sua humanidade, mas o possuímos em nosso espírito. É a nós que ela se refere, desde que as obras acompanhem nossa fé. Com efeito, quem crê verdadeiramente, realiza por suas ações a fé que professa. Mas, pelo contrário, a respeito daqueles que têm fé apenas de boca, eis o que diz São Paulo: Fazem profissão de conhecer a Deus, mas negam-no com a sua prática (Tt 1,16). É o que leva também São Tiago a afirmar:A fé, sem obras, é morta (Tg 2,26).