terça-feira, 10 de agosto de 2021

Serviu o sagrado Sangue de Cristo


 Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo

(Sermo 304,1-4: PL 38,1395-1397)

(Séc.V)

Serviu o sagrado Sangue de Cristo

A Igreja Romana apresenta-nos hoje o dia glorioso de São Lourenço quando ele calcou o furor do mundo, desprezou sua sedução e num e noutro modo venceu o diabo perseguidor. Nesta mesma Igreja – ouvistes muitas vezes – Lourenço exercia o ministério de diácono. Aí servia o sagrado sangue de Cristo; aí, pelo nome de Cristo, derramou seu sangue. O santo apóstolo João expôs claramente o mistério da ceia ao dizer: Como Cristo entregou sua vida por nós, também nós devemos entregar as nossas pelos irmãos (1Jo 3,16). São Lourenço, irmãos, entendeu isto; entendeu e fez; e da mesmíssima forma como recebeu daquela mesa, assim a preparou. Amou a Cristo em sua vida, imitou-o em sua morte.

Também nós, irmãos, se de verdade amamos, imitemos. Não poderíamos produzir melhor fruto de amor do que o exemplo da imitação; Cristo sofreu por nós, deixando-nos o exemplo para seguirmos suas pegadas (1Pd 2,21). Nesta frase, parece que o apóstolo Pedro quer dizer que Cristo sofreu apenas por aqueles que seguem suas pegadas e que a morte de Cristo não aproveita senão àqueles que caminham em seu seguimento. Seguiram-no os santos mártires até à efusão do sangue, até à semelhança da paixão; seguiram-no os mártires, porém não só eles. Depois que estes passaram, a ponte não foi cortada; ou depois que beberam, a fonte não secou.

Tem, irmãos, tem o jardim do Senhor não apenas rosas dos mártires; tem também lírios das virgens, heras dos casados, violetas das viúvas. Absolutamente ninguém, irmãos, seja quem for, desespere de sua vocação; por todos morreu Cristo. Com toda a verdade, dele se escreveu: Que quer salvos todos os homens, e que cheguem ao conhecimento da verdade (1Tm 2,4).

Compreendamos, portanto, como pode o cristão seguir Cristo além do derramamento de sangue, além do perigo de morte. O Apóstolo diz, referindo-se ao Cristo Senhor: Tendo a condição divina, não julgou rapina ser igual a Deus. Que majestade! Mas aniquilou-se, tomando a condição de escravo, feito semelhante aos homens e reconhecido como homem (Fl 2,7-8). Que humildade!

Cristo humilhou-se: aí tens, cristão, a que te apegar. Cristo se humilhou: por que te enches de orgulho? Em seguida, terminada a carreira desta humilhação, lançada por terra a morte, Cristo subiu ao céu; sigamo-lo. Ouçamos o Apóstolo: Se ressuscitastes com Cristo, descobri o sabor das realidades do alto, onde Cristo está assentado à destra de Deus (Cl 3,1).

São Lourenço, Diácono e Mártir - Festa


Hoje celebramos a Festa de São Lourenço, diácono e mártir. 

Todos os anos, a mais de 13 anos, no dia 10 de agosto escrevo um texto sobre a Festa de São Lourenço e a missão dos diáconos. Esse ano, resolvi fazer esse artigo que apresenta o pensamento da Igreja sobre o diaconato através do magistério da Igreja, apresentado pelos três último papas (João Paulo II, Bento XVI e Francisco), bem como as instruções emanadas pelas Congregações da Educação Católica e do Clero.

O debate em torno da restauração do Diaconato como grau permanente do Sacramento da Ordem não é recente. Desde o Concílio de Trento, esse debate é colocado para um entendimento da função dos Diáconos Permanentes dentro da Igreja Católica.

A Congregação para a Educação Católica e a Congregação para o Clero, em Declaração Conjunta na apresentação das Normas Fundamentais para a Formação dos Diáconos Permanentes e do Diretório do Ministério e da Vida dos Diáconos Permanentes, afirmaram: "O diaconado permanente, restaurado pelo Concílio Vaticano II em harmonia de continuidade com toda a Tradição e com os próprios desejos do Concílio de Trento, conheceu nestes últimos decénios, em muitos lugares, um forte impulso e produziu frutos prometedores, com vantagem para o trabalho urgente da nova evangelização. A Santa Sé e numerosos Episcopados não deixaram de apresentar normas e referências de vida e de formação diaconal, ajudando uma experiência eclesial que, para o seu incremento, necessita hoje de unidade de objetivos, de ulteriores elementos de clarificação e, no plano da ação, de estímulos e determinações pastorais. É toda a realidade diaconal (visão teológica fundamental, consequente discernimento vocacional e preparação, vida, ministério, espiritualidade e formação permanente) que hoje exige um discernimento do caminho percorrido até agora, para chegar a uma clarificação global, indispensável para um novo impulso deste grau da Ordem sacra, de acordo com os desejos e as intenções do Concílio Vaticano II".

Em fevereiro do ano 2000, no Ângelus, o Papa João Paulo II declarou: "Aprecio muito a presença de todos vós, também porque me oferece a oportunidade de ressaltar a importância do vosso papel característico: com a ordenação sacramental, o diácono assume uma particular "diaconia", que se exprime sobretudo no serviço ao Evangelho. Durante o rito, o Bispo consagrante pronuncia as seguintes palavras: "Recebe o Evangelho de Cristo, do qual agora te tornas arauto. Crê naquilo que lês, ensina o que crês, vive o que ensinas". Eis a vossa missão, queridos Irmãos: abraçar o Evangelho, aprofundar na fé a sua mensagem, amá-lo e testemunhá-lo com as palavras e as ações. A obra da nova evangelização precisa do vosso contributo feito de coerência e dedicação, de coragem e generosidade, no serviço quotidiano da liturgia, da palavra e da caridade. Vós, Diáconos, chamados com o celibato a levar uma vida dedicada de modo total a Deus e ao seu Reino, viveis esta vossa missão alegre e fielmente. Também vós a viveis, Diáconos casados, a quem Cristo pede que sejais modelos de verdadeiro amor no âmbito da vida familiar. O Senhor escolheu-vos a todos para serdes seus colaboradores na obra da salvação".

Em audiência aos diáconos de Roma (fevereiro de 2006), O Papa Emérito Bento XVI, afirmou: 

"Prezados Diáconos, agradeço-vos os serviços que, com grande generosidade, desempenhais em numerosas atividades paroquiais de Roma, dedicando-vos de modo particular à pastoral baptismal e familiar. Ensinando o Evangelho de Cristo, que vos foi confiado pelo Bispo no dia da vossa ordenação, vós ajudais os pais que pedem o baptismo para os seus filhos, a aprofundarem o mistério da vida divina que nos foi doada e o da Igreja, a grande família de Deus, enquanto aos noivos que desejam celebrar o sacramento do matrimónio, anunciai a verdade sobre o amor humano, explicando desta forma que "o matrimónio baseado num amor exclusivo e definitivo se torna o ícone do relacionamento de Deus com o seu povo e vice-versa" ( Deus caritas est, 11).

"Muitos de vós desempenhais uma atividade de trabalho nos escritórios, nos hospitais e nas escolas: em tais ambientes, sois chamados a ser servidores da Verdade. Anunciando o Evangelho, podereis transmitir a Palavra capaz de iluminar e dar significado ao trabalho do homem, ao sofrimento dos doentes, e ajudareis as novas gerações a descobrir a beleza da fé cristã. Deste modo, sereis Diáconos da Verdade que liberta, enquanto conduzireis os habitantes desta cidade rumo ao encontro com Jesus Cristo. Acolher o Redentor na própria vida constitui, para o homem, uma fonte de profunda alegria, um júbilo que pode infundir a paz até nos momentos de provação. Por conseguinte, sede servidores da Verdade para vos tornardes portadores da alegria que Deus deseja transmitir a cada um dos homens".

"Porém, não é suficiente anunciar a fé apenas com as palavras porque, como recorda o Apóstolo Tiago, a fé "sem as obras, está completamente morta" (2, 17). Por conseguinte, é necessário acompanhar o anúncio do Evangelho com o testemunho concreto da caridade, que "para a Igreja... não é uma espécie de atividade de assistência social... mas pertence à sua natureza, é expressão irrenunciável da sua própria essência" ( Deus caritas est, 25). A prática da caridade pertence desde o início ao ministério diaconal: os sete, de quem falam os Atos dos Apóstolos, foram eleitos para servir à mesa. Vós, que pertenceis à Igreja de Roma, sois os herdeiros de uma longa tradição, que encontra no Diácono Lourenço uma figura singularmente bonita e luminosa. Existem muitos pobres, com frequência provenientes de países muito distantes da Itália, que batem às portas das comunidades paroquiais em ordem a pedir uma ajuda necessária para superar momentos de grave dificuldade. Acolhei estes irmãos com grande cordialidade e disponibilidade e procurai, na medida do possível, ajudá-los nas suas necessidades, recordando-vos sempre das palavras do Senhor: "Todas as vezes que fizestes isto a um dos menores dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes" (Mt 25, 40). Manifesto o meu agradecimento a todos aqueles dentre vós que se encontram comprometidos neste silencioso e quotidiano testemunho da caridade. Efetivamente, através do vosso serviço também os pobres sentem que fazem parte da grande família dos filhos de Deus, que é a Igreja".

"Estimados Diáconos romanos, vivendo e testemunhando a caridade infinita de Deus, que o vosso ministério possa colocar-se sempre ao serviço da edificação da Igreja como comunhão. No vosso trabalho, recebeis o apoio do carinho e da oração das vossas famílias. A vossa vocação é uma graça particular para a vossa vida familiar, que deste modo é chamada a abrir-se cada vez mais ao acolhimento da vontade do Senhor e  das necessidades da Igreja. O Senhor recompense a disponibilidade com que as vossas esposas e os vossos filhos vos acompanham no vosso serviço a toda a comunidade eclesial".

O Papa Francisco, no Prefácio do livro "O Diaconato no Pensamento do Papa Francisco", de Enzo Petrolino, afirmou que "A Igreja encontra no diaconato permanente a expressão e o impulso vital para se fazer sinal visível da diaconia de Cristo Servo na história dos homens. A sensibilidade à formação de uma consciência diaconal pode precisamente ser considerada o motivo de fundo que deve permear as comunidades cristãs". E mais, "O ministério diaconal deve ser visto como parte integrante do trabalho feito pelo Concílio para preparar toda a Igreja a um renovado apostolado no mundo de hoje. Os diáconos podem com razão ser definidos como os pioneiros da nova evangelização do amor como amava dizer São João Paulo II".

A CNBB, no documento 96, parágrafo 58, apresenta o que os bispos do Brasil esperam dos diáconos permanentes.

Dizem os bispos: "Na promoção social e na vivência das obras de misericórdia, o diácono assume a opção preferencial pelos pobres, marginalizados e excluídos. Ele é apóstolo da caridade com os pobres, envolvido com a conquista de sua dignidade e de seus direitos econômicos, políticos e sociais. Está próximo da dor do mundo. Deixa-se tocar e sensibilizar pela miséria e pelas provações da vida. Reveste-se de especial compaixão pelos: “migrantes, vítimas da violência, os deslocados e refugiados, as vítimas do tráfico de pessoas  e sequestros, os desaparecidos, os enfermos de HIV e de enfermidades endêmicas, os tóxico-dependentes, idosos, meninos e meninas, que são vítimas da prostituição, pornografia e violência ou do trabalho infantil, mulheres maltratadas, vítimas de exclusão e do tráfico para a exploração sexual, pessoas com capacidades diferentes, grandes grupos de desempregados/as, os excluídos pelo analfabetismo tecnológico,  as pessoas que vivem nas ruas das grandes cidades, os indígenas e africanos, agricultores sem terras e trabalhadores das minas” (DA, n.402).

Lembre-se de rezar pelas vocações diaconais.

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Diaconia da Palavra


Amanhã (10/08) vamos celebrar a Festa de São Lourenço, diácono e mártir. Hoje, meditemos sobres a Diaconia da Palavra.

No dia da ordenação, o diácono recebe do bispo ordenante o livro dos evangelhos. E o bispo diz, "Recebe o Evangelho de Cristo, do qual foste constituído mensageiro; transforma em fé viva o que leres, ensina aquilo que creres e procura realizar o que ensinares". Fazendo assim do diácono discípulo missionário da Palavra de Deus. 

A CNBB, ao falar da Diaconia da Palavra, afirma que "a evangelização é missão primordial da Igreja: Ela 'existe para evangelizar, ou seja, para pregar e ensinar, ser canal do dom da graça, reconciliar os pecadores com Deus e perpetuar o Sacrifício de Cristo na Santa Missa, que é memorial de sua morte e gloriosa ressurreição'(EN, n. 14)". (CNBB. Doc 96, 59).

Continua o texto afirmando que o "diácono será discípulo e ouvinte" da Palavra (60). E ainda, "fará a leitura meditada e orante da Sagrada Escritura, que é a escuta humilde e cheia de amor daquele que fala (60). E acrescenta que "a familiaridade com a Palavra de Deus facilitará o itinerário de conversão não apenas para separar-se do mal e aderir ao bem, mas tambpem para alimentar no coração os pensamentos de Deus, de modo que a fé qual resposta à Palavra, se torne o novo critério de juízo e avaliação dos homens e das coisas, dos acontecimentos e dos problemas" (PDV,47)" (60).

Partindo desse pressuposto, o documento acrescenta que "A missão evangelizadora do diácono não se restringe à homilia ou ao anúncio da Palavra no contexto litúrgico". Afirma que ele é "anunciador da Palavra" e que dá testemunho de um "ouvinte assíduo e convicto do Evangelho". Em seguida, acrescentam que ele "transmite à comunidade a Palavra libertadora, da qual ele próprio já experimentou o poder de transformação", que o deve se identificar com "a Palavra anunciada, por ser servidor da Palavra". Além disso, "anuncia a Palavra de Deus com a autoridade que nasce, especialmente, da familiaridade com o Evangelho". (61).

O documento 109 da CNBB, que trata da Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2019-2023, diz que a comunidade está sustentada por quatro pilares, a saber, Pilar do Palavra, Pilar do Pão, Pilar da Caridade, Pilar da Ação Missionária. Pra nós, aqui nesse texto, ficaremos apenas com o primeiro pilar, o Pilar da Palavra.

No número 146, afirma o documento que "A Igreja funda-se sobre a Palavra de Deus, nasce e vive dela". E mais, que a "centralidade da Palavra na vida das comunidades cristãs é fundamental para a identificação e configuração com a 'Palavra que se fez carne' (Jo 1,14). Então, concluem que a "Sagrada Escritura precisa estar sempre presente nos encontros, nas celebrações e nas mais variadas reuniões".

Para se chegar a essa profunda intimidade com a Palavra de Deus, a "lectio divina, ou leitura orante da Sagrada Escritura  é um meio privilegiado de contato com a Palavra, que não é letra morta, mensagem formal ou instrumento de estudo. (...) É necessário abrir o coração para fazer dela alimento que, entrando na mente, toque o coração, nutra o espírito, transforme a vida e seja critério da experiência comunitária e da ação missionária" (148).

Assim, devemos lembrar que a Palavra de Deus "é útil para ensinar, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, preparado para toda boa obra" (2 Tm 3,16-17). Foi essa palavra que Estêvão e Filipe, diáconos da primeira hora, saíram para pregar. É partindo dessa palavra que outros santos diáconos entregaram a própria vida em nome de Jesus.  É por essa Palavra que muitos homens hoje entregam a vida para viver a diaconia da palavra inspirada na dupla sacramentalidade que recebem da Igreja, Matrimônio e Ordem.

O diácono é ministro da Palavra. Ele anima a comunidade com a Palavra de Deus. Valoriza as vocações leigas com o que está na palavra de Deus. Incentiva a comunidade a viver a Palavra da Deus no dia-a-dia. 

Lembre-se, reze pelos diáconos de sua paróquia. Ajude na Pastoral Vocacional Diaconal.

domingo, 8 de agosto de 2021

O que devem fazer os diáconos?


Quero partilhar com vocês o que dizem dois documentos da Igreja sobre a atividade ministerial dos diáconos dentro da Igreja Católica Apostólica Romana.

Por cronologia, vou começar com o Documento de Aparecida, texto da conclusão da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe (DAp). E, em seguida, o documento número 96 da CNBB que dá as "Diretrizes para o Diaconato Permanente da Igreja no Brasil - formação, vida e ministério".

No documento de Aparecida, os números 205 a 208 tratam da atividade dos diáconos permanentes. No parágrafo 205 afirmam que os diáconos permanentes são "fortalecidos, em sua maioria, pela dupla sacramentalidade do Matrimônio e da Ordem". E acrescentam que "são ordenados para o serviço da Palavra, da caridade e da liturgia, especialmente os sacramentos do Batismo e do Matrimônio; também para acompanhar a formação de novas comunidades eclesiais, especialmente nas fronteiras geográficas e culturais, onde ordinariamente não chega a ação evangelizadora da Igreja".

No parágrafo 208, afirmam os bispos, que a "V Conferência espera dos diáconos permanentes um testemunho evangélico e impulso missionário para que sejam apóstolos em suas famílias, em seus trabalhos, em suas comunidades e nas novas fronteiras da missão".

Em 2012, a CNBB lançou o documento número 96 onde tratou das "Diretrizes para o Diaconato Permanente da Igreja no Brasil - formação, vida e ministério". No capítulo quinto, onde se trata da Vida Pastoral, o documento fala das diaconias, e as definem como "experiências pastorais novas que propiciam aos diáconos assumirem espaços novos na evangelização" (103).

No parágrafo 105, quando se fala da "urgente necessidade de criar pequenas comunidades (178), de renovar o modelo de paróquias (172), de evangelizar nos novos areópagos, fronteiras geográficas e culturais (205, 208, 491)", declaram que "surgem na Igreja do Brasil, diversos tipos de diaconias como resposta aos novos desafios da missão da Igreja".

Logo em seguida, a CNBB enumera três tipos de diaconias: Territorial, Setorial, Ambiental. 

Quanto às Diaconias Territoriais, o documento diz que essas "diaconias tem a missão de organizar o conjunto da prática pastoral e social da Igreja em determinada região".

Sobre as Diaconias Setoriais, o documento diz que são entendidas no "sentido sociológico de cuidado de determinadas ações evangelizadoras especializadas no mundo da comunicação, da cultura, da saúde, da justiça, da política". Essas diaconias devem ser "confiadas a um diácono qualificado profissionalmente em um setor e preparado adequadamente para sua evangelização".

Ao discorrer sobre a Diaconia Ambiental, afirmam que se "levam em conta os novos espaços ou ambientes da sociedade moderna aonde dificilmente chega a presença de um ministro ordenado: condomínios, fábricas, bancos, colégios, universidades". E acrescentam, que "a diaconia ambiental pode ser confiada ao diácono que já frequenta esses ambientes com a finalidade de formar pequenas comunidades".

Aos diáconos, é pedido que exerçam seu ministério não apenas nos ambientes ad intra eclesial. Mas, que façam parte da Igreja que está "em saída" (EG, capítulo1).

Ao tratar da "nova paróquia" no documento 100, os bispos do Brasil, dizem que aos diáconos permanentes "pode ser confiada uma comunidade não territorial". E que, em "caso de necessidade, a eles ainda pode ser confiada a administração de uma paróquia".

Aqui, mais do que elencar quais são as atribuições dos diáconos permanentes, é fundamental que entendamos que os diáconos são eleitos pela comunidade e pela Igreja para serem sinal do Cristo Servo nas comunidades. E, a exemplo de Santo Estêvão e de São Felipe, nós, diáconos, somos chamados a não ficar presos às mesas, mas devemos partir para anunciar o evangelho, e essa é a missão que na ordenação recebemos do bispo ordenante.

Orem pelos diáconos.

sábado, 7 de agosto de 2021

Diáconos - símbolo da Igreja que acolhe!



Em 21 de novembro de 1964, os bispos, reunidos no Concílio Vaticano II, restabeleceram o Diaconato Permanente, na Constituição Dogmática Lumen Gentium, que fala sobre a Igreja.

A Constituição Dogmática afirma que “Os diáconos (...) receberam a imposição das mãos ‘não para o sacerdócio, mas para o ministério’”. Confortados pela graça sacramental, servem o povo de Deus na diaconia da liturgia, da palavra e da caridade” (LG. 29).

“Pertence ao diácono (...) administrar o batismo solene, conservar e distribuir a eucaristia, assistir e abençoar em nome da Igreja aos matrimônios, levar o viático aos moribundos, (...). Ler a Sagrada Escritura aos fiéis, instruir e exortar o povo, presidir ao culto e à oração dos fiéis, administrar os sacramentais e presidir aos ritos funerais e da sepultura” (LG. 29).

Reunidos na Conferência do Episcopado Latino Americano e Caribenho em Aparecida no ano de 2007, os bispos afirmaram: “Alguns discípulos e missionários do Senhor são chamados a servir à Igreja como diáconos permanentes, fortalecidos, em sua maioria, pela dupla sacramentalidade do Matrimônio e da Ordem” (DAp. 205).

E acrescentaram, “São ordenados para o serviço da Palavra, da Caridade e da Liturgia, especialmente do Batismo e do Matrimônio” (DAp. 205). Devem “acompanhar a formação de novas comunidades eclesiais, especialmente nas fronteiras geográficas e culturais, onde ordinariamente não chega a ação evangelizadora da Igreja” (DAp. 205).

Em 2012, os bispos do Brasil aprovaram o documento 96, que trata do Ministério e Vida dos Diáconos. E no parágrafo 58 definem a atuação dos Diáconos Permanentes.

“O diácono assume a opção preferencial pelos pobres,  marginalizados e excluídos”. (CNBB 96, n. 58). Ele é apóstolo da caridade com os pobres, envolvidos com a conquista de sua dignidade e de seus direitos econômicos, políticos e sociais” (CNBB 96. n. 58).

Continua o texto, (o diácono) "Está próximo da dor do mundo. Por isso, deixa-se tocar e sensibilizar pela miséria e pelas provações da vida. “Reveste-se de especial compaixão pelos: migrantes, as vítimas da violência, os deslocados e refugiados, as vítimas do tráfico de pessoas e sequestros, os desaparecidos, os enfermos de HIV e de enfermidade endêmicas, os tóxico-dependentes, idosos, meninos e meninas que são vítimas da prostituição, pornografia e violência ou do trabalho infantil. Mulheres maltratadas, vítimas da exclusão e do tráfico para a exploração sexual, Pessoas com capacidades diferentes, grandes grupos de desempregados/as, Os excluídos pelo analfabetismo tecnológico, as pessoas que vivem na rua das grandes cidades, os indígenas e afro-americanos, agricultores sem terra e os trabalhadores das minas, em razão da graça sacramental recebida e da missão canônica, compete aos diáconos administrar os bens e as obras de caridade e promoção da Igreja”.

Somos diáconos para uma "Igreja em saída". Se você conhece algum, ou alguns diáconos permanentes, reze por eles, a Igreja agradece. Valorize a vocação diaconal que está à serviço da sua comunidade.

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

A mais bela profissão do homem é rezar e amar


 Do Catecismo de São João Maria Vianney, presbítero

(Catéchisme sur la prière: A.Monnin, Esprit du Curé d’Ars, Paris1 899, pp.87-89)
(Séc. XIX)

**A mais bela profissão do homem é rezar e amar**

Prestai atenção, meus filhinhos: o tesouro do cristão não está na terra, mas nos céus. Por isso, o nosso pensamento deve estar voltado para onde está o nosso tesouro. Esta é a mais bela profissão do homem: rezar e amar. Se rezais e amais, eis aí a felicidade do homem sobre a terra.

A oração nada mais é do que a união com Deus. Quando alguém tem o coração puro e unido a Deus, sente em si mesmo uma suavidade e doçura que inebria, e uma luz maravilhosa que o envolve. Nesta íntima união, Deus e a alma são como dois pedaços de cera, fundidos num só, de tal modo que ninguém pode mais separar. Como é bela esta união de Deus com sua pequenina criatura! É uma felicidade impossível de se compreender. Nós nos havíamos tornado indignos de rezar. Deus, porém, na sua bondade, permitiu-nos falar com ele. Nossa oração é o incenso que mais lhe agrada.

Meus filhinhos, o vosso coração é por demais pequeno, mas a oração o dilata e torna capaz de amar a Deus. A oração faz saborear antecipadamente a felicidade do céu; é como o mel que se derrama sobre a alma e faz com que tudo nos seja doce. Na oração bem feita, os sofrimentos desaparecem, como a neve que se derrete sob os raios do sol.

Outro benefício que nos é dado pela oração: o tempo passa tão depressa e com tanta satisfação para o homem, que nem se percebe sua duração. Escutai: certa vez, quando eu era pároco em Bresse, tive que percorrer grandes distâncias para substituir quase todos os meus colegas que estavam doentes; nessas intermináveis caminhadas, rezava ao bom Senhor e – podeis crer! – o tempo não me parecia longo.

Há pessoas que mergulham profundamente na oração, como peixes na água, porque estão inteiramente entregues a Deus. Não há divisões em seus corações. Ó como eu amo estas almas generosas! São Francisco de Assis e Santa Clara viam nosso Senhor e conversavam com ele do mesmo modo como nós conversamos uns com os outros.

Nós, ao invés, quantas vezes entramos na Igreja sem saber o que iremos pedir. E, no entanto, sempre que vamos ter com alguém, sabemos perfeitamente o motivo por que vamos. Há até mesmo pessoas que parecem falar com Deus deste modo: “Só tenho duas palavras para vos dizer e logo ficar livre de vós.”. Muitas vezes penso nisto: quando vamos adorar a Deus, podemos alcançar tudo o que desejamos, se o pedirmos com fé viva e coração puro.

domingo, 1 de agosto de 2021

"Eu sou o pão da vida"! (18º DTC)


Evangelho de Jesus Cristo segundo João 6,24-35

Naquele tempo: 24Quando a multidão viu que Jesus não estava ali, nem os seus discípulos, subiram às barcas e foram à procura de Jesus, em Cafarnaum. 25Quando o encontraram no outro lado do mar, perguntaram-lhe: 'Rabi, quando chegaste aqui?' 26Jesus respondeu: 'Em verdade, em verdade, eu vos digo: estais me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos. 27Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará. Pois este é quem o Pai marcou com seu selo'. 28Então perguntaram: 'Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?' 29Jesus respondeu: 'A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou'. 30Eles perguntaram: 'Que sinal realizas, para que possamos ver e crer em ti?' Que obra fazes? 31Nossos pais comeram o maná no deserto, como está na Escritura: 'Pão do céu deu-lhes a comer'. 32Jesus respondeu: 'Em verdade, em verdade vos digo, não foi Moisés quem vos deu o pão que veio do céu. É meu Pai que vos dá o verdadeiro pão do céu. 33Pois o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo'. 34Então pediram: 'Senhor, dá-nos sempre desse pão'. 35Jesus lhes disse: 'Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede.

Palavra da Salvação.

O alimento é fundamental para a nossa sobrevivência. Sem o alimento, o corpo desfalece, morre, definha.

Jesus nos convida a buscarmos o alimento, o pão, que não perece. O pão que alimenta o espírito, a alma. O pão que nos faz mulheres e homens solidários. 

Hoje, iniciamos o mês vocacional. Meditamos sobre as vocações ordenadas, bispos, padres, diáconos. Lembremos que, dentro do sacramento da ordem temos três graus, distintos entre si, com funções diferente, mas unidos na mesma missão.

Bispos e padres, são ordenados para nos dar o pão eucarístico. Já aos diáconos, lhes é pedido que sejam anunciadores da Palavra de Deus. Na sua ordenação, o bispo entrega aos diáconos o livro dos evangelhos e lhes envia para anunciar a palavra de Deus.

Jesus nos fala do pão. Cremos que ele próprio é o alimento. Ele nos alimenta com seu corpo pregado na cruz, mas com sua palavra também. Ao meditarmos sobre o pão, sobre o alimento, lembremos do que rezamos no Pai Nosso, "o pão nosso de cada dia nos dai hoje". Entendamos, "pedir o pão para o nosso dia-a-dia torna-nos pessoas que esperam da bondade do seu Pai do Céu tudo o que é necessário , tanto os bens materiais como os espirituais. Nenhum cristão deve fazer esse pedido sem pensar na sua responsabilidade real por aqueles a quem faltam os bens mais básicos deste mundo". (YouCat, 522).