domingo, 5 de janeiro de 2025

"Agora foi-nos revelado que os pagãos são co-herdeiros das promessas".

 


Leituras: Is 60,1-6 / Sl 71(72),1-2.7-8.10-11.12-13 (R. cf. 11) / Ef 3,2-3a.5-6 /Mt 2,1-12 (Visita dos Magos). As leituras estão dispostas no fim da reflexão.

A meditação sobre as leituras sugeridas para este dia pode ser uma experiência profunda, especialmente no contexto do Natal, quando o Evangelho fala sobre a visita dos Magos e as outras leituras ressaltam temas de luz, realeza e revelação. 

O profeta Isaías nos revela a Glória de Jerusalém e a Luz das Nações. "Levanta-te, resplandece, porque chegou a tua luz, e a glória do Senhor brilha sobre ti." (Is 60,1)

Este trecho é uma poderosa mensagem de esperança e renovação. Isaías fala de uma Jerusalém que será transformada pela presença divina, e essa luz que se levanta não é apenas para Israel, mas para todas as nações. A mensagem central aqui é a revelação da glória de Deus que atrai todos os povos, e que essa luz é, essencialmente, a presença de Deus entre os homens. A profecia aponta para a vinda de Cristo, que traria a salvação e a luz ao mundo inteiro.

Diante das palavras de Isaías, nos perguntamos como estamos vivendo à luz de Cristo? A nossa vida reflete essa luz divina? O chamado é para nos levantarmos, resplandecer, deixando que a glória de Deus se manifeste em nossas vidas, para que as outras pessoas também possam ver e ser atraídas por essa luz.

O Salmo responsorial nos apresenta o Reino do Messias. "Que os reis de Társis e das ilhas tragam presentes, os reis de Sabá e de Sebá ofereçam tributos." (Sl 71,10)

Este salmo é uma oração pela justiça e pelo governo do rei. Ele descreve a expectativa de um rei justo e sábio, que será uma bênção para todas as nações. O salmo, que é tradicionalmente associado ao reinado messiânico de Jesus, mostra a universalidade do reinado de Deus. Os reis das nações distantes trazem presentes como sinal de reconhecimento e veneração ao Messias.

O que nos ensina a universalidade do reinado de Cristo? Como podemos contribuir para que esse reino de justiça e paz se manifeste em nossa vida cotidiana? A visita dos Magos, que trazem presentes para o menino Jesus, é um símbolo de como todas as nações são chamadas a reconhecer a realeza de Cristo.

São Paulo ao escrever aos Efésios nos apresenta o Mistério da Revelação. "O mistério, que não foi dado a conhecer aos homens das gerações passadas, mas agora foi revelado aos seus santos apóstolos e profetas no Espírito: que os gentios são co-herdeiros, membros do mesmo corpo e participantes da promessa em Cristo Jesus, mediante o Evangelho." (Ef 3,5-6)

São Paulo fala sobre o "mistério" que foi revelado em Cristo: a salvação não é só para os judeus, mas para todos os povos, os gentios também são chamados a participar da promessa de Deus em Cristo. Esse é o grande mistério que foi revelado no nascimento de Jesus, e os Magos são um símbolo dessa inclusão de todas as nações no plano de salvação de Deus.

A revelação de Cristo nos convida a superar as barreiras e divisões que muitas vezes nos separam. Somos todos chamados a ser herdeiros da promessa de Deus, e isso implica uma vivência de fraternidade e unidade, reconhecendo no outro o mesmo Cristo que habita em nós.

No evangelho, Mateus narra a visita dos Magos. "Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo." (Mt 2,2)

O episódio da visita dos Magos é uma das passagens mais emblemáticas do Evangelho de Natal. Os Magos, vindos do Oriente, representam as nações gentias que, guiadas pela estrela, reconhecem Jesus como o Rei prometido. Eles não vêm apenas para admirar, mas para adorar e oferecer presentes simbólicos: ouro, incenso e mirra.

A atitude dos Magos pode ser um modelo para nós: uma busca sincera pela verdade, a disposição para fazer uma longa jornada e, acima de tudo, a humildade de adorar e reconhecer Jesus como Rei e Salvador. Os presentes que trazem representam aspectos de quem é Jesus: o ouro, como o Rei dos reis; o incenso, como a oração e a divindade de Cristo; a mirra, como símbolo do sofrimento e morte redentora que Ele viveria.

Assim, pensemos: O que estamos oferecendo a Jesus, não apenas materialmente, mas espiritualmente, em nossa vida? Como podemos ser como os Magos, que se colocaram a caminho para encontrar a verdade e adorá-la?

Essas leituras nos convidam a refletir sobre a luz de Cristo, que veio para iluminar todos os povos, e nos desafiam a reconhecer a realeza de Jesus e a responder com adoração e generosidade. Como os Magos, somos chamados a deixar nossas zonas de conforto e fazer uma jornada em busca da verdade, oferecendo a Cristo o melhor de nós mesmos. O mistério da salvação, revelado no nascimento de Jesus, é para todos, e o Reino de Deus é um chamado para viver em justiça, paz e unidade com todos.

Que as leituras de hoje nos inspire a ser luz para os outros e a viver de acordo com a dignidade de filhos e filhas do Deus que se revela ao mundo em Cristo.

Deus nos abençoe.

PRIMEIRA LEITURA

Leitura do Livro do Profeta Isaías 60, 1-6

Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém,  porque chegou a tua luz,  apareceu sobre ti a glória do Senhor. Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos; mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifesta sobre ti.  Os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de tua aurora. Levanta os olhos ao redor e vê: todos se reuniram e vieram a ti; teus filhos vêm chegando de longe com tuas filhas, carregadas nos braços. Ao vê-los, ficarás radiante, com o coração vibrando e batendo forte, pois com eles virão as riquezas de além-mar e mostrarão o poderio de suas nações; será uma inundação de camelos e dromedários de Madiã e Efa a te cobrir; virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando a glória do Senhor. Palavra do Senhor.

Salmo responsorial

Sl 71(72),1-2.7-8.10-11.12-13 (R. cf. 11)

R. As nações de toda a terra, hão de adorar-vos, ó Senhor!

Dai ao Rei vossos poderes, Senhor Deus,* vossa justiça ao descendente da realeza!

Com justiça ele governe o vosso povo,* com equidade ele julgue os vossos pobres. R.

Nos seus dias a justiça florirá* e grande paz, até que a lua perca o brilho!

De mar a mar estenderá o seu domínio,* e desde o rio até os confins de toda a terra! R.

10 Os reis de Társis e das ilhas hão de vir* e oferecer-lhe seus presentes e seus dons; e também os reis de Seba e de Sabá* hão de trazer-lhe oferendas e tributos.

11Os reis de toda a terra hão de adorá-lo,* e todas as nações hão de servi-lo. R.

12 Libertará o indigente que suplica,* e o pobre ao qual ninguém quer ajudar.

13 Terá pena do indigente e do infeliz,* e a vida dos humildes salvará. R.

SEGUNDA LEITURA

Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios 3,2-3a.5-6

Irmãos: Se ao menos soubésseis da graça que Deus me concedeu para realizar o seu plano a vosso respeito, 3a e como, por revelação, tive conhecimento do mistério. Este mistério, Deus não o fez conhecer aos homens das gerações passadas mas acaba de o revelar agora, pelo Espírito, aos seus santos apóstolos e profetas: os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho. Palavra do Senhor.

EVANGELHO

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 2,1-12

Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém,

perguntando: "Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo".

Ao saber disso, o rei Herodes ficou perturbado, assim como toda a cidade de Jerusalém.

Reunindo todos os sumos sacerdotes e os mestres da Lei, perguntava-lhes onde o Messias deveria nascer.

Eles responderam: "Em Belém, na Judeia, pois assim foi escrito pelo profeta:

E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo".

Então Herodes chamou em segredo os magos e procurou saber deles cuidadosamente quando a estrela tinha aparecido.

Depois os enviou a Belém, dizendo:  "Ide e procurai obter informações exatas sobre o menino. E, quando o encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-lo".

Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino.

10 Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande.

11 Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra.

12 Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho.

Palavra da Salvação.





quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção.




Leituras de hoje: Nm 6,22-27 / Sl 66(67),2-3.5.6.8 (R. 2a) / Gl 4,4-7 / Lc 2,16-21

Hoje celebramos a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus. Fazemos memória ao Dia Mundial da Paz. Diante disso, segue minha reflexão das leituras de hoje.

A leitura do livro dos Números nos apresenta a bênção sacerdotal. Esta oração é um lembrete do cuidado constante de Deus por nós, de sua proteção e do seu olhar de amor e misericórdia. Cada palavra dessa bênção reflete o desejo de Deus de estar perto de nós, em todos os momentos da nossa vida. Ao meditar sobre essas palavras, podemos nos sentir amparados, sabedores de que o Senhor está sempre ao nosso lado, pronto para nos proteger e abençoar. É um convite para vivermos confiantes na Sua presença e nos seus cuidados.

O Salmo responsorial é um convite ao louvor e à ação de graças a Deus. "Que Deus nos tenha piedade e nos abençoe, e faça brilhar sobre nós a Sua face." Este versículo ecoa a bênção sacerdotal de Números, mas com um olhar mais universal. O salmo deseja que a benção de Deus chegue a todas as nações, que todos os povos conheçam a Sua salvação. A meditação neste salmo nos convida a reconhecer que a graça de Deus não é apenas para nós, mas para o mundo inteiro. Assim, a nossa oração de louvor deve transcender nossa própria vida e se estender para que todos possam conhecer o Senhor e experimentar Sua misericórdia.

Na carta aos Gálatas, Paulo nos fala sobre o cumprimento da promessa de Deus, que enviou seu Filho, Jesus, no tempo certo, para nos redimir e nos adotar como Seus filhos. "Porque vós sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de Seu Filho, que clama: Abá, Pai!" A meditação aqui é sobre a grande dádiva que recebemos: não somos mais escravos, mas filhos de Deus, e como tal, temos o Espírito Santo habitando em nós, nos ensinando a nos relacionar com Deus de maneira íntima e profunda. Podemos refletir sobre como a chegada de Jesus, no tempo divino, trouxe não apenas a redenção, mas a possibilidade de sermos plenamente filhos de Deus. Isso nos convida a viver nossa filiação com alegria e gratidão, lembrando sempre da presença do Espírito Santo.

No evangelho, somos levados ao momento em que os pastores, após ouvirem o anúncio do anjo, vão até Belém para ver o Menino Jesus. Eles, cheios de alegria e maravilhados, encontram o Salvador, que é reconhecido como o Messias prometido. A meditação sobre esse trecho é profunda, pois nos leva a refletir sobre o reconhecimento do Salvador pelos humildes, os pastores. Eles são os primeiros a ouvir a boa nova e a crer nela. O nascimento de Jesus é um convite a nos aproximarmos d'Ele com o coração aberto, como os pastores, buscando a paz e a salvação que Ele veio trazer. Além disso, o nome dado a Jesus na circuncisão lembra-nos da importância do Seu nome, que é o nome que traz salvação.

As leituras de hoje revelam o desejo de Deus de abençoar e salvar o Seu povo. Elas nos convidam a viver com a consciência de nossa filiação divina e da presença constante de Deus em nossas vidas. A meditação sobre essas passagens nos ajuda a aprofundar nosso relacionamento com Deus, entender a importância do nascimento de Jesus e acolher Sua bênção com um coração cheio de gratidão e louvor.

Deus vos abençoe.

Feliz Ano da Esperança de 2025!




terça-feira, 31 de dezembro de 2024

A luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la.


Evangelho de Jesus Cristo segundo João 1,1-18

1 No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus; e a Palavra era Deus.

2 No princípio estava ela com Deus.

3 Tudo foi feito por ela e sem ela nada se fez de tudo que foi feito. 

4 Nela estava a vida, e a vida era a luz dos homens.

5 E a luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la.

6 Surgiu um homem enviado por Deus; Seu nome era João.

7 Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, para que todos chegassem à fé por meio dele.

8 Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz:

9 daquele que era a luz de verdade, que, vindo ao mundo, ilumina todo ser humano.

10 A Palavra estava no mundo - e o mundo foi feito por meio dela - mas o mundo não quis conhecê-la.

11 Veio para o que era seu, e os seus não a acolheram.

12 Mas, a todos que a receberam, deu-lhes capacidade de se tornarem filhos de Deus isto é, aos que acreditam em seu nome,

13 pois estes não nasceram do sangue nem da vontade da carne nem da vontade do varão, mas de Deus mesmo.

14 E a Palavra se fez carne  e habitou entre nós. E nós contemplamos a sua glória, glória que recebe do Pai como filho unigênito, cheio de graça e de verdade.

15 Dele, João dá testemunho, clamando: "Este é aquele de quem eu disse: 'O que vem depois de mim  passou à minha frente, porque ele existia antes de mim' ".

16 De sua plenitude todos nós recebemos graça por graça.

17 Pois por meio de Moisés foi dada a Lei, mas a graça e a verdade nos chegaram através de Jesus Cristo.

18 A Deus, ninguém jamais viu. Mas o Unigênito de Deus, que está na intimidade do Pai, ele no-lo deu a conhecer.

Palavra da Salvação.

Meditação.

O que podemos tirar para nós da leitura de hoje?

João nos leva a refletir sobre quem é Jesus. Ele não é apenas uma figura histórica, mas a Palavra eterna, a fonte da criação e a luz que ilumina o mundo. Nossa fé em Jesus deve ser fundamentada nesse entendimento profundo de Sua divindade e humanidade.

A encarnação de Jesus é a maior expressão de graça, pois Deus não poupou esforços para se aproximar da humanidade, oferecendo-se como sacrifício para nossa salvação. Devemos viver em gratidão por essa graça imensa.

Como João Batista, somos chamados a ser testemunhas da luz, anunciando a boa nova de que Jesus é o caminho para a salvação. Nossa vida deve refletir essa luz que recebeu o poder de transformar.

A luz de Cristo resplandece nas trevas do pecado e da dor, oferecendo a verdade e a vida. Em um mundo cheio de confusão e sofrimento, Jesus é a nossa esperança firme e nossa luz constante.

O evangelho nos revela o mistério da encarnação, onde a Palavra eterna de Deus se faz carne em Jesus Cristo, oferecendo-nos a graça, a verdade e a salvação. Como cristãos, somos chamados a viver à luz dessa verdade, testemunhando a Jesus em nossas ações e palavras, e confiando que, em meio às trevas, Sua luz jamais será vencida.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

O menino crescia e tornava-se forte, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com ele.

 


Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 2,36-40

Naquele tempo,

36 havia também uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada; quando jovem, tinha sido casada e vivera sete anos com o marido.

37 Depois ficara viúva, e agora já estava com oitenta e quatro anos. Não saía do Templo, dia e noite servindo a Deus com jejuns e orações.

38 Ana chegou nesse momento e pôs-se a louvar a Deus e a falar do menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém.

39 Depois de cumprirem tudo, conforme a Lei do Senhor, voltaram à Galileia, para Nazaré, sua cidade.

40 O menino crescia e tornava-se forte, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com ele.

Palavra da Salvação.

Reflexão.

Ainda estamos na Oitava de Natal. O texto de hoje, relatado por Lucas, nos revela a presença de uma mulher de idade idade avançada (anciã) que servia a Deus no templo.

Aprofundemos algumas partes do texto.

Apesar da idade, Ana representa a esperança. Viveu com fé e paciência durante toda a sua vida, apesar das adversidades. Mesmo em sua velhice, Ana continua aguardando a manifestação do Messias, e ao ver Jesus, ela reconhece nele a salvação prometida. Sua fé é uma grande lição para todos nós, pois ela nos ensina a perseverar na esperança e na oração, mesmo quando as circunstâncias parecem desafiadoras.

A Vida de Oração e Serviço: A vida de Ana é marcada pela devoção constante a Deus. A Escritura a descreve como alguém que "não saía do templo, servindo a Deus dia e noite". Isso nos fala sobre a importância da oração e do serviço constante. Ana nos convida a refletir sobre como temos vivido nossa fé: temos buscado a Deus em nossas rotinas diárias? Temos dedicado tempo para orar e servir aos outros, como Ana fez?

A vida dessa dessa mulher é marcada pelo testemunho. Quando vê o menino Jesus, ela "deu graças a Deus" e falou a respeito dele a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém. Isso nos mostra que a verdadeira fé não é algo que se guarda apenas para si. Quando encontramos a verdade de Deus, somos chamados a compartilhá-la com os outros. Ana, como profetisa, não só reconheceu a vinda do Messias, mas também testemunhou a outros sobre o cumprimento da promessa de salvação. Nossa missão, como cristãos, é anunciar a boa nova que encontramos em Jesus.

O fato de Ana, uma mulher idosa e simples, reconhecer a grandeza de Jesus nos lembra que a salvação de Deus se revela para os humildes e os pequenos. Ana é um modelo de humildade e fé, e sua vida nos ensina que Deus se revela àqueles que, como ela, buscam-no com um coração sincero e devoto, sem se deixar desviar pelas dificuldades ou pelo peso dos anos.

No versículo final, o evangelista nos fala sobre o crescimento de Jesus, que "crescia e se fortalecia, cheio de sabedoria, e a graça de Deus estava sobre ele". Isso nos aponta para a humanidade de Cristo, que, embora fosse o Filho de Deus, passou por um processo de crescimento e amadurecimento. A graça de Deus estava com Ele, e isso é um lembrete de que, para nós também, o crescimento espiritual é uma jornada contínua que requer a presença constante da graça divina.

O texto de hoje nos oferece um exemplo de vida cristã autêntica, representado pela figura de Ana. Sua fé perseverante, sua vida de oração e seu testemunho a respeito de Jesus são características que devemos cultivar em nossa própria caminhada com Deus. Ela nos ensina que, independentemente das circunstâncias da vida, devemos continuar aguardando e testemunhando a vinda de Cristo, reconhecendo a Sua presença nas pequenas coisas e compartilhando essa boa nova com os outros.

Deus nos abençoe.

domingo, 29 de dezembro de 2024

Maridos, amai vossas esposas e não sejais grosseiros com elas.

 



Leituras de hoje. Eclo 3,3-7.14-17a; Sl 127(128),1-2.3.4-5 (R. cf.1); Cl 3,12-21; Lc 2,41-52

A Festa de hoje faz menção à Sagrada Família de Jesus, Maria e José. 

Falar sobre família em nossos tempos é um assunto delicado, principalmente, porque saímos da definição tradicional de família, que abrange homem, mulher filhos/filhas, e partimos para algo mais amplo. Um exemplo, quantos casais chamam seus bichos de estimação de filhos? E ainda mais, os pais desses casais são capazes de chamar o animal de neto. Não estou fazendo juízo de valor. Apenas apontando como a definição de família mudou de contexto.

Pois bem, hoje somos chamados a refletir sobre a família de Jesus, que, comumente, chamamos de Sagrada Família. 

As leituras de nossa liturgia nos chamam a refletir sobre a importância da sabedoria, da obediência e do amor nas relações familiares. 

O livro de Eclesiástico nos ensina sobre a importância da sabedoria em nossas relações interpessoais, especialmente na família. A passagem de hoje nos fala sobre o valor da honra para com os pais, dizendo que "aquele que honra seu pai encontra alegria em seus filhos" (Eclo 3,6). Esse ensinamento enfatiza a centralidade do respeito, amor e cuidado familiar como virtudes que são recompensadas não só nesta vida, mas também na vida eterna.

A honra aos pais não é apenas um dever moral, mas também um reflexo do temor e da obediência a Deus. O autor também menciona a bênção divina que acompanha a pessoa que vive de acordo com esses princípios, afirmando que "quem teme ao Senhor honra seu pai" (Eclo 3,6).

O texto destaca, ainda, que a presença e orientação do pai e da mãe são fundamentais para o bem-estar dos filhos. Quando a família segue o caminho da sabedoria, ela se torna um lugar de paz, harmonia e crescimento espiritual. A fé e o amor ao Senhor se refletem na maneira como as relações familiares são cultivadas.

 O Salmo 127 exortam-nos a viver de maneira justa e a honrar nossos pais, pois é através dessas atitudes que a família se torna um espaço de bênção e paz.  O salmo  reflete a imagem da família como um lugar de bênção: "A tua esposa será como a videira fecunda no interior da tua casa; os teus filhos, como rebentos de oliveira ao redor da tua mesa" (Sl 127,3). 

A carta aos Colossenses nos ensina que, em todas as relações, devemos vestir-nos de virtudes cristãs, promovendo a harmonia e o perdão. 

Além disso, Paulo também destaca a importância do papel dos membros da família: maridos devem amar suas esposas com carinho e respeito, e as esposas devem viver em harmonia com seus maridos. Filhos, por sua vez, são chamados a obedecer aos pais "em tudo" (Cl 3,20), enquanto os pais devem criar seus filhos "na disciplina e na admoestação do Senhor" (Cl 3,21). A vida cristã exige, portanto, um esforço contínuo para viver de forma harmônica, equilibrada e cheia de amor nas relações familiares.

O Evangelho nos recorda que, mesmo em situações difíceis e desafiadoras, a obediência e a confiança em Deus são fundamentais, e que Jesus, como modelo, viveu essas dinâmicas familiares com sabedoria e amor.

Este episódio enfatiza a importância da obediência e da confiança mútua entre pais e filhos. Embora Maria e José não entendessem completamente o que estava acontecendo, eles continuaram a confiar em Jesus e a cuidar Dele. Jesus, por sua vez, respeitava Seus pais e estava em harmonia com eles, retornando com eles para Nazaré, "e era-lhes submisso" (Lc 2,51). Isso mostra que, mesmo sendo o Filho de Deus, Jesus viveu a experiência humana da convivência familiar, com seus desafios, aprendizados e crescimentos.

Assim, somos convidados a buscar a presença de Deus em nossas casas, cultivando virtudes cristãs e criando um ambiente onde a paz e a harmonia prevaleçam. A família, como um microcosmo da comunidade cristã, é um lugar onde o amor e a sabedoria de Deus devem ser vividos concretamente.

Deus nos abençoe!

sábado, 28 de dezembro de 2024

Deus é luz e nele não há trevas.

 


Logo após o Natal, a nossa liturgia nos leva a meditarmos sobre alguns eventos que marcam a nossa vida de fé. Primeiro, contemplamos o martírio de Estêvão; segundo, fizemos memória a São João Evangelista; hoje olhamos para a maldade que quer eliminar Jesus ainda menino. No domingo, falaremos sobre a Sagrada Família de Jesus, Maria e José.

A liturgia de hoje nos apresenta três leituras que servem para a nossa reflexão: 1Jo 1,5-2,2;  Sl 123(124),2-3.4-5.7b-8 (R. 7a); Mt 2,13-18. 

A primeira leitura nos apresenta uma reflexão sobre a luz de Cristo e a reconciliação com Deus por meio do perdão. O autor destaca que "Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas" (1Jo 1,5), sublinhando a pureza divina, que ilumina nossas vidas e nos conduz à verdade. A luz de Cristo revela a realidade do pecado e, ao mesmo tempo, oferece a possibilidade de perdão.

O apóstolo João nos ensina que, se andarmos na luz, como Deus está na luz, teremos comunhão uns com os outros (1Jo 1,7). Esta comunhão é restaurada através da confissão e do arrependimento, pois "se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça" (1Jo 1,9).

Em seguida, nos lembra que Jesus Cristo, o Justo, é o nosso advogado junto ao Pai, e que Ele é o sacrifício expiatório pelos nossos pecados. Não apenas pelos nossos, mas também pelos pecados de todo o mundo. Esta passagem revela a infinita misericórdia de Deus, que se manifesta em Jesus Cristo, que se ofereceu como sacrifício para que pudéssemos ter o perdão e a vida eterna.

O Salmo nos fala da confiança do povo de Deus na ação libertadora de Deus em momentos de adversidade. Ele começa com uma reflexão sobre a salvação: "Se o Senhor não tivesse estado ao nosso lado, quando os homens se levantaram contra nós, eles nos teriam devorado vivos" (Sl 123,2-3). 

O salmista exalta a intervenção divina como a única razão pela qual o povo sobreviveu às ameaças e perigos. Essa confiança em Deus, que não abandona Seu povo, é um tema central no Antigo Testamento e é reafirmado no Novo Testamento.

O Evangelho relata um dos momentos dramáticos da infância de Jesus: a fuga da Sagrada Família para o Egito, para escapar da perseguição do rei Herodes. Quando Herodes, ao se sentir ameaçado pelo nascimento do "Rei dos Judeus", ordena o massacre de todos os meninos com menos de dois anos em Belém e arredores, a profecia de Jeremias se cumpre: "Em Ramá se ouviu uma voz, um grande lamento, choro e grande pranto: é Raquel que chora os seus filhos e não quer ser consolada, porque já não existem" (Mt 2,18).

A fuga para o Egito é um momento de grande sofrimento e dor, mas também de proteção divina. O anjo do Senhor adverte José em sonho, instruindo-o a levar Maria e Jesus para o Egito, onde permaneceriam até a morte de Herodes. Essa intervenção divina reflete o cuidado de Deus em preservar a vida do seu Filho, que viria a ser a luz do mundo.

A matança dos inocentes, por outro lado, revela a brutalidade do poder humano quando ameaça a liberdade e a vida. O sofrimento dos pequenos é um eco do sofrimento de todos os inocentes ao longo da história. Esse momento doloroso da história de Jesus antecipa as perseguições e sofrimentos que Ele mesmo enfrentaria em sua missão redentora.

Portanto, essas leituras nos convidam a refletir sobre a presença de Deus em nossas vidas, especialmente em momentos de dificuldades e sofrimentos. Em 1João, somos chamados a viver na luz de Cristo, buscando a reconciliação e o perdão de nossos pecados. O salmo nos lembra que, mesmo em tempos de adversidade, Deus está conosco, libertando-nos dos perigos. E o Evangelho de Mateus, ao narrar a fuga para o Egito e o massacre dos inocentes, revela a fidelidade e a proteção de Deus, mesmo diante da violência e da injustiça.

Juntas, essas leituras nos oferecem uma visão profunda do amor de Deus, que se manifesta em sua luz, em sua misericórdia e em sua proteção, especialmente em tempos de sofrimento e perseguição. O convite é seguir Jesus, que, mesmo na fraqueza da infância e nas adversidades, é o nosso Salvador e Libertador.

Deus nos abençoe.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Ele viu, e acreditou.

 


Hoje celebramos a festa de São João apóstolo e evangelista. Vamos fazer uma breve reflexão sobre os dois textos da liturgia de hoje, 1Jo 1,1-4 e  Jo 20,2-8.

Para entendermos o que escreveu São João em sua carta, vamos refletir sobre os versículos iniciais do seu evangelho.

O Evangelho de João narra a descoberta do túmulo vazio por Maria Madalena e a corrida de Pedro e do discípulo amado (identificado tradicionalmente como João) até o sepulcro. Esse episódio é fundamental, pois revela a primeira reação diante da ressurreição de Cristo e é um testemunho de fé.

Maria Madalena, ao encontrar o túmulo vazio, corre para informar Pedro. Ela não compreende totalmente o que aconteceu, mas a notícia a faz agir. Esse movimento de correr até o sepulcro pode ser visto como um símbolo da nossa urgência espiritual em buscar a verdade. Quando nos confrontamos com o vazio, com o mistério da morte e da vida, somos impulsionados a buscar respostas. Na vida cristã, isso também nos remete à nossa constante busca por compreender o mistério da ressurreição.

Quando o discípulo amado chega ao sepulcro e vê as faixas de linho, ele acredita. A sua fé não nasce de uma explicação lógica ou de uma visão milagrosa, mas da percepção profunda de que algo extraordinário aconteceu. O Evangelho fala aqui da fé que se ilumina no mistério da ressurreição. Às vezes, a fé não nasce de provas evidentes, mas de uma percepção interior, da luz que brota no coração ao nos depararmos com o vazio do túmulo, que é preenchido pela presença viva de Cristo. A fé é um dom, é um olhar interior que nos permite ver além do óbvio.

O vazio do túmulo, em sua aparente ausência, é na verdade a presença plena de Cristo. A ressurreição de Jesus não é apenas um evento histórico; ela é a porta para a vida nova, a confirmação de que a morte foi vencida e que, através de Cristo, temos acesso à vida eterna. Este é o mistério que os discípulos começam a entender aos poucos, e também é o mistério que nós, como cristãos, somos chamados a viver.

Essa experiência fez João refletir durante a vida esse mistério. 

No início de sua carta, o apóstolo João nos apresenta um testemunho claro e direto: o Verbo da Vida, que esteve com o Pai, se revelou aos apóstolos e agora é transmitido a nós. Este texto é um convite a mergulharmos na profundidade da experiência cristã, que é vivencial, pessoal e comunitária.

João fala do que viu, ouviu e tocou, evidenciando a proximidade de Cristo com os apóstolos. Ele não transmite uma doutrina distante ou teórica, mas um testemunho de algo vivido. O cristianismo, portanto, não é uma religião de meras crenças, mas uma experiência de encontro pessoal com Jesus, o Verbo da Vida. A ressurreição de Cristo é algo que transpassa a história, mas também toca e transforma a vida de cada cristão. Este testemunho de João nos convida a uma experiência viva com Cristo.

Ele escreve para nos convidar a uma comunhão com Deus e com os irmãos. A razão de dar esse testemunho não é apenas para que conheçamos uma história, mas para que participemos da vida divina. “O que vimos e ouvimos, anunciamos também a vocês, para que vocês tenham comunhão conosco”, ele diz. Esta comunhão é o fruto do encontro com o Cristo ressuscitado e é a verdadeira fonte da alegria plena (v. 4). A verdadeira alegria não é apenas emocional, mas nasce da união com Deus e com os irmãos na fé.

O apóstolo nos lembra que essa comunhão com Deus e com os outros crentes é o que nos dá uma alegria completa. Não se trata de uma alegria passageira ou superficial, mas de uma alegria que nasce do encontro com a verdade, com a luz e com a vida que são Jesus Cristo. A nossa fé é uma experiência de plenitude que não se restringe a algo individual, mas é vivida na comunidade.

Juntos, esses dois textos nos oferecem uma meditação sobre como a resurreição de Cristo transforma a nossa vida e nos convida a uma experiência pessoal e comunitária de fé.

Deus nos abençoe.